Olhei em volta e vi o Renan encostado num poste, a poucos metros, nas sombras. Ele tinha me seguido, como uma praga silenciosa. Estava com o fuzil em repouso, a postura relaxada de quem observa uma presa, mas os olhos de caçador não perdiam um movimento meu. Ele via o meu nervosismo, eu tinha certeza. Ele conhecia cada tremor da minha alma. — Bochecha, faz o seguinte — falei, virando de costas pro Caçador para não dar a ele o prazer de ver o meu rosto, focando toda a minha fúria no gerente. — Quero o balanço de tudo que saiu e entrou desde ontem. Tudo. Não quero que um pino, uma semente, um real suma desse estoque. O Augusto tá melhorando, e se ele acordar e sentir cheiro de desfalque ou de falta de respeito com o nome dele, quem vai pro micro-ondas é tu. Entendeu a visão ou quer que eu d

