O IMPÉRIO DO MEDO: O PESO DA COROA Entrei no banheiro e deixei a água fervendo cair sobre os meus ombros com uma força punitiva, sentindo cada gota como se fosse um prego tentando fixar a minha realidade fragmentada. Eu precisava lavar não só o cansaço de uma madrugada em que o sono foi o meu maior inimigo, mas toda aquela confusão que martelava na minha mente como um tribunal incessante, sem juiz e sem clemência. As palavras do Augusto ainda ecoavam pelas paredes de mármore; ele estava agindo com uma calma, uma atenção e uma humanidade que eu não via há anos, desde que o fuzil de ouro se tornou a sua única linguagem e a paranoia a sua única conselheira de guerra. Mas a voz do Renan, aquele tom de ameaça vulgar, doente e psicopata na cozinha, ainda me dava calafrios que faziam o meu corpo

