O PREDADOR NA ESCURIDÃO: NARRADO POR SAMIRA O peso do corpo do Augusto sobre o meu era como uma âncora me prendendo àquela realidade suja e dourada. Ele desabou com tudo, a respiração pesada e descompassada morrendo no meu pescoço, enquanto o suor dele se misturava ao meu, criando uma cola incômoda e viscosa entre as nossas peles. Eu continuava estática, os olhos fixos no teto de gesso trabalhado, sentindo as batidas do meu coração martelarem nos meus ouvidos como tambores de guerra. Minha mão, que minutos antes tinha acertado o rosto dele com uma força que eu nem sabia que possuía, agora tremia sob o lençol bagunçado, sentindo o latejar do impacto. Aos poucos, a musculatura dele relaxou de vez, o corpo ficando mais pesado, me esmagando contra o colchão de luxo. O ronco baixo e constante

