O PREDADOR NA ESCURIDÃO: A QUEDA DO CAÇADOR O aperto dele no meu pescoço aumentou, não para tirar meu fôlego, mas para me imobilizar contra o mármore gelado da bancada, me fazendo sentir pequena e encurralada. Eu sentia o calor do corpo dele atravessando o meu roupão de seda branca, uma presença bruta, invasiva, que ignorava qualquer hierarquia ou o respeito que eu conquistei a duras penas naquele morro. O Renan se inclinou ainda mais, o rosto colado ao meu, exalando aquele cheiro de perigo e audácia. Pude ver o brilho de pura malícia naqueles olhos de lobo cinzentos, uma confiança doentia de quem achava que já tinha me dobrado. — Tu tá querendo pagar de santa agora, Samira? — ele rosnou, a voz vibrando contra a minha pele, saindo rouca e carregada de escárnio. — Depois de tudo que eu vi

