DIAS ATUAIS Abri os olhos no escuro do barraco, sentindo minhas unhas cravadas na palma da mão, tirando sangue. O cheiro do sangue do meu irmão ainda parecia estar nas minhas mãos, doze anos depois. A raiva era um combustível que nunca acabava. Eu queria ver o Augusto em pedaços, queria ver o império dele ruir tijolo por tijolo. — Tu matou o Vitor por causa de uma mentira, Augusto. Tu destruiu a única coisa que eu tinha por causa do teu ego — murmurei, olhando para as minhas mãos trêmulas de fúria pura. — E agora tu dorme tranquilo, me chamando de "fiel"? Me dando a chave da tua casa e o comando da tua segurança? Que erro fatal, Imperador... Mas aí, no meio dessa tempestade de ódio, o rosto dela apareceu na minha mente. Samira. Senti um soco no estômago que não tinha nada a ver com a b

