Abri a porta do banheiro devagar, com a cautela de quem sai de uma sala de interrogatório depois de confessar todos os crimes possíveis, inclusive o roubo da coroa britânica. Respirei fundo, tentando calibrar a minha expressão para algo que remetesse à "estou apenas levemente gripada e não cometendo bigamia". — Vai dar tudo certo... — sussurrei para o azulejo, como se ele fosse um guru espiritual. Minha consciência, sempre uma palhaça de primeira, respondeu na hora: — Vai nada, Tatiana. Você está mais enrolada que fio de fone de ouvido no bolso. E, para piorar, o nó está apertando. Ignorei a voz na minha cabeça e saí do banheiro com a serenidade de uma monja tibetana. Pelo menos, essa era a minha intenção. Na prática, eu parecia uma mulher que tinha acabado de perder uma briga contra u

