CECÍLIA STEIN Ele passa direto por mim como se eu nem existisse. Nem olha na minha cara, nem nada. E por orgulho eu viro o rosto também. Mas o que eu queria mesmo… era de vomitar na cara dele tudo que eu tô sentindo. Mas eu me seguro. Travo tudo por dentro. Só que as lágrimas me traem e começam a escorrer pelo meu rosto. Por mais que eu pisque rápido, que eu respire fundo… não adianta. A dor escapa pelos olhos. A cena volta toda na minha cabeça. A voz do meu pai me xingando, me diminuindo, me chamando de tudo quanto é nome. E agora o Farinha… repetindo exatamente o mesmo roteiro. Igualzinho. É como se eu tivesse voltado pra casa, pro inferno de novo. Como se ninguém nunca fosse me respeitar de verdade. Abro a bolsa com a mão trêmula e tiro o celular. Chamada Cecília: Jessica… — falo

