Playboy Narrando A semana já tinha virado rotina de corre e tensão. Desde que o Leopardo bateu de frente com o próprio pai, a quebrada ficou em estado de alerta. Todo mundo sentia no ar que a guerra podia estourar a qualquer momento. Eu, como braço direito, não tinha escolha: tinha que segurar a ponta em tudo, do carregamento que subia escondido nas carretas, até os problemas pequenos que, se ignorados, viravam incêndio. Hoje o foco não era droga nem arma. Era gente. Mais exatamente, médico. Acordei cedo, como sempre. Antes do sol bater forte no pico, já tava de pé, café preto na caneca e cigarro queimando na varanda do meu quarto. Daqui de cima vejo quase toda a Rocinha, uma muralha viva de concreto e gente que não para nunca. Esse é o meu território. Podia estar em qualquer lugar, mas

