Colegas de trabalho

1331 Words
-Ok, está tudo bem é só voltar lá e fingir que nada aconteceu, você não acabou de ver seu chefe só de toalha e ele não vai te demitir por ser uma toupeira que deveria ter batido na porta antes de entrar. Estava fazendo esse discurso para mim mesma enquanto encarava meu reflexo no espelho de formato oval que ficava acima da pia no banheiro para o qual eu tinha praticamente corrido assim que saí do elevador depois de… bom… a merda da situação que aconteceu minutos antes, que droga. Por que a imagem do senhor Curry naquele estado fica constantemente voltando à minha mente? Tudo bem que ele é muito bonito e gostoso, mas não deixa de ser meu chefe, meu rabugento e insuportável chefe que provavelmente irá me demitir assim que eu colocar os pés naquela sala novamente. Ao pensar nessa possibilidade sinto algumas lágrimas se acumularem em meus olhos me deixando com a visão embaçada. Por um lado estava me sentindo uma complenta i****a, não por simplemesnte entrar lá, mas por ter ficado parada lá encarando ele descaradamente, eu não tinha como dar uma boa explicação pra isso, o que ia dizer? “Me desculpe senhor Curry, mas você parece um daqueles modelos da calvin klein que eu adoro olhar nas revistas, então não resisti”? -Se pensar bem, a culpa foi dele, ele deveria ter trancado a porta, sim é isso mesmo-Falei voltando a olhar para meu reflexo enquanto tentava me consolar, mesmo sabendo que o senhor Curry provavelmente não trancou aquela maldita porta pelo mesmo motivo pelo qual eu entrei sem bater, só ficávamos nós dois naquele andar e ninguém subia até lá a menos que fosse solicitado, tivesse hora marcada ou uma reunião agendada, que merda. Suspirei alto em uma mistura de emoções, estava com medo da demissão, envergonhada pela situação e tinha outra coisa, algo ainda mais vergonhoso que resolvi nem mesmo tentar entender e simplesmente deixar para lá por enquanto. Me assustei quando ouvi o toque do meu celular soar alto pelo espaço pequeno que ocupava há mais de 20 minutos, tomara que ninguém tenha reparado que demorei tanto, apesar de ter ignorado algumas batidas na porta enquanto estava lá dentro me lamentando. Na tela, o nome “Senhor Curry” brilhava o que me fez arregalar os olhos. -Alô-Falei em um tom desanimado assim que atendi a chamada. -Venha até minha sala senhorita Mitchel-Ouvi meu chefe falar do outro lado da linha e em seguida desligou. Pude jurar que meu coração iria sair pela boca tamanho o nervosismo que senti após ouvir seu chamado, tudo bem, eu teria que voltar lá mais cedo ou mais tarde nem que seja para pegar minhas, a não ser que eu vá embora e deixe tudo para trás… Não, tenho que parar com isso e subir logo, afinal foi só um m*l entendido, não é como se eu fosse uma pervertida que invadi o banheiro masculino querendo ver meu chefe pela. Espero que o senhor Curry também pense dessa forma. De qualquer forma, eu não sou uma criança, tenho que ter maturidade para encarar essa situação, não ficar aqui me lamentando com “síndrome de coitadinha”. Saí do banheiro vendo um mulher me encarar completamente irritada como se quisesse voar no pescoço por ter demorado tanto, apesar de não entender o porque dela simplesmente não ter ido para outro banheiro já que existe mais de um nesse andar, apenas sorri em sua direção tentando amenizar a situação, porém ela apenas revirou os olhos e entrou no lugar batendo a porta com força logo em seguida. Resolvi apenas ignorar isso e caminhei em passos lentos em direção ao elevador tentando adiar ao máximo a situação constrangedora pela qual possivelmente iria passar, quando já estava prestes a apertar o botão para chamar a caixa metálica ouvi alguém falar comigo, um homem, e me assustei pela pessoa estar tão próxima sem eu sequer ter percebido alguma aproximação. Devo estar muito distraída mesmo. -Melissa Mitchel, a nova secretária do senhor Curry, certo? -Por enquanto-Sussurrei baixo sem ter ainda me virado na direção do desconhecido. -O que?-A pessoa perguntou em um tom confuso e eu finalmente me virei em sua direção. -N-Nada-Por Deus, quase perdi o ar quando me virei. Quando encarei o desconhecido tive um certo incentivo para “lutar” pelo meu trabalho, estou a três dias nessa empresa e parece que todos os dias que coloco os pés aqui encontro um “colírio” para agraciar minha vista, o senhor Curry está perdendo dinheiro, deveria abrir uma agência de modelos também e aproveitar os que já tem por aqui. O homem à minha frente era alto e magro, tinha lindos cabelos ruivos bem cheios e ondulados, um rosto como de um anjo, mas com um olhar tão frio e para complementar, seus olhos, um azul e outro castanho, ele era heterocromático e eu achei aquilo realmente fascinante. -E então? Você é a secretária do senhor Curry?-O homem falou novamente chamando minha atenção e eu percebi que estava lhe encarando exatamente como fiz com meu chefe minutos antes. Droga. -Sim, eu sou a secretária do senhor Curry-Falei me sentindo envergonhada por tê-lo encarado tanto.. -Ótimo-Ele falou em um tom sério estendo alguns papéis em minha direção-Me chamo Tadeu, faço parte do Marketing, eu estava levando essas propostas para a divulgação do novo produto, mas vi você aqui e pensei que poderia levar pra mim, estou com um relatório atrasado. -Mas se você ia subir significa que sua presença foi solicitada lá, então o chefe não iria se incomodar se não fosse pessoalmente?-Perguntei o vendo me encarar, não saberia dizer que tipo de olhar era aquele, só sei que me deixou extremamente desconfortável. -O senhor Curry só pediu que alguém levasse os papéis até lá, não vou discutir nada com ele, então não tem problema se outra pessoa levar no meu lugar-Ele falou e eu o olhei achando aquela desculpa um pouco sem nexo, mas o trabalho ou responsabilidade dos outros não é da minha conta, já tenho o meu próprio para me preocupar. -Ah, tudo bem, já que você está dizendo-Respondi voltando a encarar seu rosto e como sua expressão parecia neutra. -Obrigado-Ele agradeceu e finalmente vi um pequeno sorriso contornar seus lábios, sorriso esse que apenas o deixou ainda mais lindo. Peguei os papéis que estavam em sua mão e me virei novamente na direção do elevador apertando o botão para chamá-lo, meus pés batiam no chão em ansiedade enquanto meu "transporte" não chegava. -Você parece nervosa-Ouvi a voz de Tadeu novamente o que me assustou pois pensei que ele já tinha saído dali. -É, um pouco-Admiti. -O senhor Curry pode ser muito intimidador quando quer, se pudesse, nunca escolheria seu trabalho-Ele falou de repente não ajudando em nada no meu nervosismo, por que todos ao meu redor nessa empresa faziam questão de falar o quão "difícil" meu chefe era? Ah é, eles apostaram na minha demissão. -Obrigada pelas palavras reconfortantes-Falei em um tom sarcástico o vendo sorrir em minha direção. As portas do elevador finalmente abriram e eu logo entrei apertando o botão referente ao andar em que trabalhava e o qual já tinha evitado por tempo demais hoje. -Escuta-Tadeu chamou minha atenção segurando as portas do elevador quando elas estavam prestes a fechar-O pessoal da empresa combinou de ir em uma boate no sábado, você poderia ir também pra relaxar um pouco, é a boate que fica na esquina da rua aqui da empresa. Olhei para ele realmente tentada em aceitar a proposta, afinal eu realmente precisava me distrair, o problema é que atualmente estou sem dinheiro e provavelmente até o final do dia estarei desempregada, mas por algum motivo enquanto encarava aqueles olhos bonitos não consegui dizer um “não" de imediato. -Pode ser-Dei de ombros o vendo assentir e se afastar do elevador me observando enquanto as portas do mesmo fechavam. Ok, ele pode ser bonito, mas é um pouco estranho.
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