CAPÍTULO 3: SONHOS DA ROÇA

567 Words
Roberto crescia no interior, em uma pequena comunidade rural onde a vida era marcada pelo trabalho árduo na roça. Desde muito jovem, ele acordava antes do sol nascer, por volta das cinco da manhã, para ajudar nas tarefas da fazenda da família. Isso foi especialmente intenso durante dois anos, principalmente no inverno, quando a colheita de culturas como milho e feijão exigia mais mãos. A região, provavelmente no interior de Minas Gerais ou do Nordeste brasileiro, era conhecida pela agricultura familiar, com plantações de mandioca, café e cana-de-açúcar, além da criação de gado leiteiro. Quando Roberto tinha cerca de nove anos, começou a estudar na escola local. Ele continuava a acordar cedo para cumprir suas obrigações na roça antes de ir para o colégio, onde as aulas começavam às 10 horas e terminavam às 15 horas. A escola, uma construção simples de alvenaria, ficava a alguns quilômetros de casa, e Roberto caminhava por estradas de terra para chegar lá. O ensino era básico, focado na alfabetização, mas suficiente para despertar nele novos sonhos. Foi nessa época que ele começou a imaginar uma vida diferente, longe das dificuldades do campo. Ele ouvia histórias sobre o Rio de Janeiro, a cidade grande, com suas oportunidades de emprego e vida agitada, e esse desejo passou a crescer em seu coração. A vida na roça, no entanto, era dura. A família de Roberto enfrentava muitas dificuldades financeiras, e havia dias em que faltava comida na mesa. Apesar disso, ele se lembra de trabalhar incansavelmente, às vezes recebendo apenas R$ 4 por dia como ajudante em uma fazenda vizinha. O trabalho era pesado: capinar, plantar, colher e cuidar dos animais. Mesmo sendo tão jovem, Roberto já entendia que precisava contribuir para o sustento da casa. Anos depois, quando a família finalmente conseguiu comprar uma televisão em preto e branco, foi um marco. Roberto, então com 18 anos, viu na telinha as imagens da cidade grande, o que reforçou seu sonho de deixar o interior. Ele sonhava em comprar uma bicicleta Monark, um símbolo de status entre os jovens da região, e trabalhar para construir uma vida melhor. Em 1999, com coragem e determinação, Roberto decidiu realizar seu maior desejo: mudar-se para o Rio de Janeiro. Ao chegar à cidade, ele enfrentou os desafios de um recém-chegado. O Rio, com suas favelas, praias e arranha-céus, era muito diferente da tranquilidade da roça. Roberto tinha o objetivo de arrumar um emprego que pagasse R$ 500 por mês, o que, na época, era suficiente para começar a construir sua independência. Seu sonho era comprar uma moto, algo que representava liberdade e mobilidade. Ele começou trabalhando como ajudante em uma obra, carregando materiais e aprendendo ofícios, sempre com a esperança de melhorar de vida. A região de onde Roberto veio, possivelmente o interior de Minas Gerais, como a Zona da Mata, ou o sertão nordestino, era marcada por uma economia rural onde o trabalho na agricultura era a principal fonte de renda. Muitos jovens, como ele, migravam para o Rio de Janeiro ou São Paulo em busca de melhores oportunidades. A cultura local incluía festas juninas, com fogueiras e danças de quadrilha, e a religiosidade era forte, com novenas e procissões em homenagem a santos padroeiros, como São Sebastião ou Nossa Senhora da Conceição. A alimentação era simples, baseada em pratos como feijão tropeiro, cuscuz e farofa, muitas vezes preparados com os produtos da própria roça.,
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