~~CAPÍTULO 27~~
KEN
Nara e eu não nos dirigimos a palavra nos dois dias seguintes. Ela fazia as refeições em seu quarto e raramente se aventurava fora dele. Não usou a piscina, nem andou pelo jardim como costumava fazer.
Sua presença estava confinada a um canto da casa, com a fumaça de sua chaminé como única indicação de vida. Eu não a pressionei. Porque eu precisava do meu próprio espaço.
Suas palavras anteriores me fizeram afundar, como areia movediça. Ela cuidou de mim, e quanto mais dava a ela, mais percebi que não podia lhe negar nada.
Eu tinha feito coisas com ela que nunca fiz com ninguém. Mas eu estava tão desesperado para Nara continuar ao meu lado, que faria o que fosse necessário para mantê-la.
Realmente tinha gostado das coisas que ela me pediu para fazer. Não pretendia admitir isso para ela, porque complicaria tudo. Quando estávamos deitados juntos na rede na praia, me sentia em paz.
Quando a amava lentamente na cama, não tinha que fingir que ela estava acorrentada e gritando de dor. Mas isso não significava nada.
Apenas me senti confortável com ela.
Nada mais que isso.
Como fiz com todo o resto, tirei esses pensamentos da minha mente e continuei com a minha vida. Eu tinha coisas mais importantes para me preocupar do que com minha preciosa esposa.
Quando cheguei em casa do trabalho no terceiro dia, fui recebido por uma visita. Jasmim estava na entrada, usando um vestido vermelho e sapato alto.
O que ela queria?
Estacionei e aproximei-me dela.
Olhei-a friamente, sem cumprimentá-la.
Ela era minha funcionária, e qualquer assunto de trabalho deveria ser tratado no escritório, e não em minha casa.
Nosso relacionamento s****l acabou, então ela não tinha nada para fazer aqui em frente a minha casa.
— Olá para você também.
Ela riu da minha frieza.
— Posso te ajudar em algo?
— Como?
Disse com uma risadinha falsa.
— Você não vai me convidar para entrar?
Minhas maneiras emergiram, mas desapareceram novamente no momento seguinte. Nara estava trancada em seu quarto, mas eu não queria que ela visse Jasmim.
Nara está furiosa comigo, imagina o que pensaria se visse uma mulher bonita dentro de casa?
— Vamos dar um passeio.
— Um passeio pelo jardim seria bom. Passei o outro dia, mas Eliza me disse que você estava fora.
Provavelmente foi quando eu estava na costa.
— Eu tirei umas férias curtas.
Era estranho que Elisa não tivesse mencionado isso para mim. Mas eu provavelmente não queria adicionar combustível ao fogo, vendo que estava com raiva.
— Espero que tenha se divertido.
Coloquei minhas mãos nos bolsos das calças. Atravessamos o pátio arborizado e nos aventuramos pelo jardim.
— Bem, o que te traz aqui?
— Acabei de voltar para a Texas e me sinto um pouco perdida. Estar fora de casa por muito me faz se sentir assim.
Eu não era seu psicólogo, então não entendia por que ela estava me dizendo isso.
— Você logo voltará a sua vida normal.
— Eu senti sua falta enquanto estive longe.
Sua voz tremeu, autoconsciente com o que havia dito antes de terminar de falar. Eu parei de pensar nela assim que ela partiu. Na verdade, não havia pensado nela nenhuma vez sequer. Nosso relacionamento era estritamente físico. Ela veio para a minha sala de jogos e eu a chicoteei até fazê-la chorar.
Depois a fodi como um louco. Ela era como todas as outras. Ficou em minha companhia por mais tempo que a maioria das mulheres, pelo menos três meses. Mas quando decidiu partir, não a impedi. Nosso tempo juntos tinha terminado. Deixei-a ir sem protestar, entendendo que todos os relacionamentos terminavam de um jeito ou de outro.
Eu me casei seguindo com a minha vida e ela fez o mesmo.
Ela cruzou os braços sobre o peito com o meu silêncio. Recusei-me a responder sua declaração, mesmo que isso a fizesse se sentir melhor.
Eu não era um mentiroso.
Se tivesse sentido falta dela, teria falado assim que ela entrou no meu escritório. Mas meu corpo permaneceu adormecido, porque eu já estava satisfeito graças àquela outra mulher que ocupava minha cama quase todas as noites.
Ela parou de andar, olhando para a mim.
— Tem mais alguém?
— Sim.
Monogamia não era minha especialidade. Antes da Yoku, eu tinha relações exclusivas com mulheres que faziam minhas fantasias se tornarem realidade, mas na maior parte do tempo simplesmente estava só.
Nunca coloquei meu coração nisso, e tudo tinha uma data de validade. Decepção inundou seus olhos.
— É sério?
— Não.
Ela era apenas uma escrava. Eu não lhe devia nada, poderia ficar com quem quisesse. Jasmim se aproximou de mim, colocando a mão no meu ombro. Permiti que o contato continuasse porque eu não queria me comportar como um monstro. Não queria rejeitá-la duas vezes, friamente.
— Eu sinto sua falta, amo. Quero ser castigada.
Eu amava essa palavra. Mas ao ouvi-la, só pensava em Nara. Ela nunca me falou isso, e tinha a sensação de que nunca iria. Mas só de pensar nisso, ficava e******o como uma pedra.
Eu queria conquistá-la completamente, a oponente mais poderosa que já encontrei.
Meus pensamentos continuaram a girar como um redemoinho, e o rosto de Jasmim desapareceu. Foi quando seus lábios encostaram nos meus. Delicado como uma flor, mas cheia de um desejo inegável. Ela colocou o braço em volta do meu pescoço e me beijou mais intensamente.
Era difícil acreditar que já tivesse beijado aquela mulher antes. Meu corpo não se acendeu como pólvora, nem meu batimento cardíaco se alterou.
Nenhum pensamento obsceno veio à minha mente com a minha sala de jogos como palco. Nada absolutamente aconteceu, eu não sentia nada.
Ela não se parecia com Nara, absolutamente em nada. Virei minha boca, claramente a renegando.
— Jasmim, o nosso relacionamento acabou.
Eu não a rejeitei suavemente porque precisava que entendesse que ela nunca mais iria voltar para a minha sala de jogos.
— Mas... ninguém me faz sentir como você. Ninguém sabe como me machucar como você faz.
Ela cedeu às suas verdadeiras emoções e colocou as cartas na mesa. O desespero encheu seu rosto.
— Sinto muito.
Não havia mais nada que eu pudesse dizer.
— Se você não está sério com essa mulher, por que não podemos ficar juntos?
Seu desespero era muito pouco atraente. Nara era orgulhosa demais para admitir sua fraqueza. Era algo que eu amava nela.
— Porque eu não quero você.
Eu era um homem c***l, e não me senti m*l lembrando-a daquilo. Não sentia lealdade por Nara, mas não podia negar meus desejos. Meu pênis estava desesperado pela mulher que morava na minha mansão... e só por ela.
~~CAPÍTULO 28~~
NARA
Eu os assistia da minha janela aberta. Os dias tinham passado e eu o evitei com o maior cuidado. Nossa última conversa no carro não acabou bem. Eu não gostara das respostas dele e nem das palavras que saíram da minha boca também.
Mas sentia sua falta.
Agora, eu o observava cuidadosamente da janela do meu quarto, observando seus ombros poderosos encherem seu terno com masculinidade.
Ele andava com as mãos nos bolsos, tornando-se dono da casa e tudo mais. Uma mulher caminhava ao lado dele. Ela estava usando um lindo vestido e um chapéu. Não foi fácil distinguir o rosto dela, mas sabia que era linda. Talvez trabalhasse com ele. Ou talvez tenha sido alguém que cuidou dele. Eu não tinha certeza.
Ela parou e colocou a mão no braço dele. Uma tempestade de ciúmes me invadiu, mas eu a deixei morrer rapidamente. Era e******o sentir qualquer apego por ele, especialmente em face de tal contato inocente.
E o ciúme não se encaixava no meu vocabulário. Eu estava transando com um homem tão frio que não era capaz de sentir calor nem se estivesse ao lado dele. No instante em que seu gelo começou a derreter, se fechou para mim. Ele havia se convencido de que essa sensação nem havia ocorrido.
Ele pode não ser o melhor homem do mundo, mas também não era o pior. Havia tentado me convencer que era mau, mas ainda não o vira cometer um ato verdadeiramente assustador. Ele me chicoteava e esbofeteava, mas isso era consensual.
Ele nunca fez nada contra a minha vontade. Então de onde veio esse ódio por si mesmo? Continuei a observá-lo, dominando aquela mulher com sua altura, com cabelos escuros perfeitamente penteados e apenas uma sombra de barba em sua mandíbula. Eu sentia falta dos lábios dele por todo o meu corpo.
Estava insatisfeita há dias e me incomodava que ele não viesse me procurar. Era possível que minha mente não se sentisse ligada a ele, mas meu corpo certamente se sentia.
Eu o queria entre as minhas pernas. Queria que seu chicote marcasse minha pele, que sua palma batesse em mim quando me fodesse por trás. Queria que seus dedos torcessem meus m*****s com tanta força que me fizessem gritar. Sentia falta dele mais do que queria admitir.
Mas era orgulhosa demais para dar o primeiro passo. Tudo o que eu tinha que fazer era usar meus dedos para me dar prazer até que ele cedesse. Conhecendo seu apetite s****l, ele desistiria muito em breve.
Meus olhos a viram se mover e beijá-lo na boca. Foi um beijo doce e cheio de desespero. Ela colocou a mão em seu braço, tocando-o como se não fosse a primeira vez que fez isso.
Uma onda de raiva me invadiu. Uma raiva como nunca senti explodiu dentro de mim. E vi tudo vermelho. Meu sangue estava fervendo e eu só pensava em matá-la.
O ciúme rodou dentro de mim e queimou todos os meus nervos. Eu tinha acabado de me convencer de que não sentia nada por aquele homem.
Que ele era apenas meu captor, alguém de que eu gostava. Mas do nada, meu corpo se acendeu.
Eu estava com ciúmes: mais ciúmes do que senti em toda a minha vida. Lhe confessei que era sua. Ele fizera amor comigo na minha cama e eu lhe dera o que ele queria.
A conexão entre nós estava me queimando viva e me fazendo sentir que realmente havia um lugar para mim, com ele.
Eu sentia esse lugar como minha casa. Isso me fez me sentir vulnerável e aterrorizada.
Mas eu tinha ido aonde ele me levara e permitira que isso acontecesse.
Permiti que ele me conquistasse. E ele estava vendo outras mulheres.
Eu estava furiosa... para dizer o mínimo.
Horas depois, minha raiva continuava. O passar do tempo não entorpeceu o ódio que sentia. Eu queria esbofeteá-lo até deixá-lo com a pele vermelha. Queria chutar seu saco e vê-lo se encolher na minha frente.
Minha raiva até me assustou.
Algumas horas depois do jantar, bateram na minha porta. Olhei para a maçaneta, sentindo a intensidade da minha raiva aumentar como o calor em uma sala fria.
Se fosse ele, eu não seria capaz de morder minha língua. Insultos voariam da minha boca mais rápida que flechas. Ele bateu de novo quando não respondi.
Se ele fosse esperto, iria embora rapidamente. Ele abriu a porta e me viu sentada no sofá. Usava calças de moletom e uma camiseta, as roupas que ele sempre usava antes de ir dormir.
A julgar pela escuridão de seus olhos, ele me queria. Ele cedeu ao seu desejo e finalmente deu o primeiro passo. Seu hálito cheirava a uísque.
Ele precisava beber para reunir coragem para me encarar.
Covarde.
Ele se aproximou do sofá lentamente e se ajoelhou aos meus pés. Separou meus joelhos e introduziu seu torso entre eles.
Suas mãos deslizaram para as minhas coxas, apertando-as suavemente antes de me olhar nos olhos.
—Tenho saudades de você.
Ele pressionou sua testa contra a minha e olhou para os meus lábios.
— Sério?
Não fui capaz de manter a zombaria longe da minha voz. Ele olhou para mim quando percebeu minha ferocidade.
— Você trepa com uma p**a qualquer e depois sente a minha falta?
Perguntei em descrença.
—Você é um i****a.
Dei-lhe um forte impulso no peito, derrubando no carpete. Ele caiu porque não estava esperando pelo meu ataque. Depois sentou-se rapidamente, sem reagir, ou mesmo dando a impressão de ter se machucado.
— Saia do meu quarto.
Eu me aproximei como um furacão da porta e a abri.
— A menos que você queira um belo chute nas bolas. E eu sei o quanto você gosta delas.
Não senti uma pitada de medo em enfrentar esse homem. Por fim, ele se levantou, com os braços esticados ao lado do corpo.
— Eu não fodi nenhuma v***a.
— Não minta para mim.
Era ainda mais insultuoso do que o que ele fez com aquela p**a.
— Faça o que quiser, mas não me venha com essa merda.
— Mas o que diabos há de errado com você?
Ele fechou a porta para que nossas vozes não alcançasse o resto da casa. Ele me agarrou pelo pescoço e me jogou contra a parede, segurando-me de uma maneira que eu não podia me mover.
— Por que você não me conta?
Tentei acertá-lo com o joelho, mas ele bloqueou o golpe. Ele me deu um tapa na cara, me pegando de surpresa.
— Fale!
Eu me recuperei do golpe, me odiando por estar excitada.
— Eu vi você do lado de fora com sua namorada.
Seus olhos se deslocaram até a janela antes de voltar para mim. Seu olhar inexpressivo animou-se um momento depois com a compressão.
— Sim. Você foi pego. Talvez da próxima vez você deveria usar um hotel.
— Cale a boca.
Ele me bateu de volta contra a parede.
— Não.
Eu o chutei na canela. Ele jogou todo o seu corpo contra mim, para que eu não pudesse me mexer.
— Eu te disse que era sua.
O ódio abandonou minha voz por um instante, substituído pela pena. Senti-me estúpida por ter pensado em algum momento que eu era a única mulher que havia em sua vida.
Senti-me estúpida porque me importava.
Seus olhos se estreitaram.
— Você é minha. Mas eu nunca disse que era seu.
Ele apertou minha garganta, quase me impedindo de respirar.
—Vamos deixar isso claro agora mesmo. Eu faço o que quero, quando quero. Não te devo nada. Minha escrava.
Escrava.
O meu coração partiu-se em mil pedaços ao ouvir essa palavra. O meu cativeiro tinha começado na forma de escravidão, mas lentamente tinha mudado, até se tornar algo completamente diferente.
Durante todo este tempo, pensei que ele não significava nada para mim, mas agora tinha a verdade diante dos olhos. Ele me deu um último aperto antes de me soltar, observando-me deslizar até o chão com o peito sacudido por uma forte tosse.
Seus olhos eram de gelo, congelando como o Círculo Ártico. Fui a primeira a desviar o olhar, com a derrota apoderando-se de meu corpo.
Não só ele tinha ganho a batalha, como venceu a guerra. Não me restavam vontades de lutar dentro. Minha mente poderia ter permanecido fixa no prêmio, mas meu coração tinha outros planos.