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3189 Words
Alex Paro na casa do meu pai e percebo que faz tempo que não venho visitálo. Eu me sinto m*l com isso, embora saiba que Kendra esteve aqui. Tenho passado muito tempo com Mia e acabei negligenciando meus deveres de filho. Kendra marcou com a família na casa do papai hoje à noite. Nosso irmão Caleb chegou na cidade ontem, então vamos nos reunir enquanto ele está aqui. Eu sei que vai fazer meu pai feliz ter todos seus filhos e sua neta sob o mesmo teto. Há uma parte de mim – possivelmente uma parte maior do que eu quero admitir – que odeia o fato de que não verei Mia hoje à noite. Mas, vai ser bom passar algum tempo com a minha família. Kendra desvia o olhar dos legumes que está cortando quando eu entro pela porta. — Ei, Alex. — Oi. — aceno para ela e pego a pilha de correspondências. Nenhuma nova conta, e essa é uma mudança bem-vinda. — Como ele está? Ela encolhe os ombros. — O mesmo de sempre. Eu vou para a sala de estar para encontrar meu pai. — Olá, pai. — Alex — ele diz, sobre seu jornal. Acho que deve ler as matérias inteiras, de frente para trás, pelo menos doze vezes por dia. Ele está sempre lendo quando eu venho. — Como você está se sentindo hoje? — pergunto. Ele abaixa o jornal. — Hoje não é um dia r**m. — É bom ouvir isso. Eu volto para a cozinha para ver se Kendra precisa de ajuda. A porta se abre e meu irmão Caleb entra. Somos muito parecidos, ele é da minha altura, com os mesmos olhos e cabelos castanhos e uma constituição musculosa. Sua filha de quatro anos, Charlotte, segura sua mão e enterra o rosto na perna dele quando sorrio para ela. — Está tudo bem, anjinho — diz ele para ela. — Aí está você — eu digo e vou abraçá-lo, com cuidado para não esmagar Charlotte. Ele me abraça de volta, me dando um tapinha nas costas. — É bom te ver. — Sim, você também — diz Caleb. Kendra limpa as mãos em uma toalha e lhe dá um abraço. — Faz quanto tempo mesmo? Um ano? — Eu pergunto. — Charlotte está muito maior. Caleb a cutuca para entrar mais na cozinha, mas ela ainda não olha para nós. — Sim, ela cresceu. Desculpe, ela age timidamente em torno das pessoas no começo. Daqui a pouco ela se acostuma com vocês. — Verdade... ela m*l nos conhece — diz Kendra. Caleb levanta as sobrancelhas. — Eu não estou tentando fazer você se sentir culpado. É apenas a verdade. Você vive em Houston. — Sobre isso... — Caleb olha para Charlotte e afasta o cabelo do rosto. — Temos algumas novidades. Nós não estamos na cidade apenas para uma visita. Eu vim para uma entrevista de emprego. — Caleb, isso é ótimo — diz Kendra. — Sim, as coisas parecem estar indo bem — diz ele. — Tem sido difícil passar pela residência com Charlotte e acho que é hora de nos aproximarmos da família. — Com certeza — diz Kendra. — Não deveria estar fazendo isso sozinho. Caleb pega algumas bolachas de um armário e deixa Charlotte com um lanche na mesa da cozinha. Seu cabelo castanho está amarrado em um r**o de cavalo e ela está usando um vestido listrado, rosa e roxo. — Vestido bonito — diz Kendra. Charlotte dá um pequeno sorriso para Kendra, mas não responde. Caleb a toca suavemente na cabeça. — Anjinho, diz obrigada para tia? — Obrigada — sussurra Charlotte. — Estamos trabalhando nisso — diz Caleb. — Está tudo bem — diz Kendra. — Vocês já foram ver a mamãe? Caleb franze o cenho, e não o culpo. Nenhum de nós gosta de ver nossa mãe. Nossos pais se separaram quando éramos crianças. Ao contrário de muitas das famílias divorciadas que conhecíamos, quem ficou com a guarda foi o nosso pai. Nós a víamos cada vez menos com o passar dos anos. Ela é uma vice-presidente de alguma grande empresa e sempre esteve mais interessada na carreira do que em seus filhos. Agora que somos todos adultos, nós três tendemos a evitá-la. — Não — diz Caleb. — Eu devo almoçar com ela amanhã. — Estou surpresa por ela ter uma hora para você — diz Kendra. — E em um dia de semana, não menos. — Sim, bem, eu tenho que ir ao centro para vê-la, e ela já me avisou que só tem uma hora — diz Caleb. — Embora poderia ter sido ser pior. Ela poderia ter convidado a mim e a Charlotte para ficarmos em sua casa enquanto estivéssemos na cidade, e depois nos sentiríamos culpados quando eu dissesse que ficaríamos aqui. Oh, espere, ela fez isso. — Claro que sim — diz Kendra com um revirar de olhos. Nós três terminamos de preparar o jantar e arrumar a mesa. Papai está de bom humor, o que é ótimo de se ver. Temos uma refeição agradável, conversando enquanto comemos a lasanha e a salada de Kendra. Charlotte parece ficar mais confortável com o passar do tempo, e até encanta seu avô com um grande sorriso quando ele fala com ela. Depois do jantar, meu pai se retira para a sala de estar com um copo de uísque, mantendo a sua rotina noturna. Kendra e eu limpamos, depois fomos ficar com papai enquanto Caleb colocava Charlotte para dormir. Quando Caleb volta, papai declara que está cansado, então nós três nos sentamos à mesa da cozinha. Caleb nos traz uma cerveja. — Então, o que mais está acontecendo com vocês dois? — pergunta Caleb. — Alex tem uma namorada — diz Kendra. Lanço um olhar a Kendra. Caleb ri, depois levanta uma sobrancelha para mim. — Ela está brincando, certo? Kendra interrompe antes que eu possa responder. — Não estou brincando, mas ele não me diz nada e estou muito irritada com isso. — Por que você acha que ela está brincando? — pergunto. — Eu não sei, só não achei que você estivesse interessado em se envolver com alguém novamente — diz Caleb. — Mas se está realmente usando a palavra namorada... — Sim, eu definitivamente estou usando a palavra. Mia e eu não discutimos isso, mas o que mais ela seria? Saímos juntos, dormimos juntos. Nos vemos sempre que possível; inclusive estou ficando um pouco louco por não vê-la hoje à noite. E não importa quais outras complicações podem acontecer, estou realmente na dela. E se tudo isso não faz dela minha namorada, o que mais faria? Pensando a respeito, realmente gosto do jeito que soa. Como se ela fosse minha. — Isso é ótimo, cara — diz Caleb e toma um gole de sua cerveja. — Por que ela não veio esta noite? — Não, não é… eu não… quero dizer. — Deus, parece que incorporei a Mia agora. Mas, conhecer a família é um passo muito grande, e por mais que eu goste dela como minha namorada, não sei se estamos prontos para isso. — Nós apenas começamos a nos ver. É um pouco cedo para jogá-la aos lobos. — Lobos? Eu dificilmente sou um lobo — diz Kendra. Eu levanto minhas sobrancelhas para ela. — Você é, definitivamente, um lobo — diz Caleb, piscando para Kendra. — Ok, então fale sobre ela. — Sim, conte tudo — diz Kendra. Eu olho para Kendra novamente. Ela é tão intrometida. — O nome dela é Mia. Ela é... — Eu paro, porque não sei o que dizer. Ela é linda? Hilária? Uma p***a de uma deusa do sexo? — Ela é ótima. — Ótima? — Kendra pergunta. — Isso é tudo o que você vai nos dar? — Sim, é uma resposta meio i****a — diz Caleb. — Tudo bem, ela é a coordenadora financeira do hospital do papai — digo. — Mas não foi assim que nos conhecemos. Eu esbarrei nela em uma livraria e a convidei para sair. Ela é tranquila e divertida. Gosta de ler e tem um gato i****a. O que mais você quer saber? — Ela é sexy? — Caleb pergunta, levantando uma sobrancelha. — Deus, Caleb, você é esse tipo de cara — diz Kendra. — O quê? — Caleb toma outro gole de sua cerveja. — Estou apenas imaginando como ela é. O que há de errado com isso? — Ela é... — Eu paro mais uma vez. Natural. Hipnotizante. Adorável. Sexy além das palavras. — Ela é muito bonita. Cabelo comprido e grosso. Lindos olhos azuis. E o resto dela é... sim. Caleb acena com um sorriso torto. Ele sabe o que quero dizer. — Ela é hilária — continuo. — Vocês iriam amá-la. Ela diz as coisas mais engraçadas. Não tem muito filtro, então acaba falando o que vem à mente. Depois fica toda fofa e envergonhada, como se não quisesse ter dito em voz alta. É realmente adorável. — Hum — diz Kendra. — O quê? — Você realmente gosta dela — diz ela. — Você espera que eu tenha uma namorada que eu não goste? — pergunto. — Não, não é isso que eu quero dizer — diz ela. — Eu só acho que nunca vi você falar sobre uma mulher assim antes. Você está realmente na dela. Kendra está certa – eu estou realmente na dela – mas eu gostaria que minha irmã não ficasse me analisando tanto assim. É como se ela pudesse ver algo que não estou pronto para outras pessoas verem. Apenas sorrio para ela, deixando óbvio que estou cansado de falar sobre isso. Quero mudar de assunto, mas hesito em perguntar a Caleb se ele está saindo com alguém. Sua esposa morreu logo depois que Charlotte nasceu, então é um assunto delicado. A vida amorosa de Kendra, no entanto, é assunto válido. — E você, Kendra? Saindo com alguém? — Os homens são os piores — diz ela. — Não. Caleb sorri. — Talvez você devesse tentar uma mulher. Kendra ri. — Você não tem ideia de como isso é tentador às vezes. Eu conheci um cara on-line recentemente e saímos algumas vezes. Mas foi tudo propaganda enganosa. — Propaganda enganosa? — pergunta Caleb. — O que isso significa? — Seu perfil no site de namoro era tudo mentira — diz Kendra. — Demorei alguns encontros para descobrir tudo, mas em vez de ser um cara normal com um emprego estável, ele é basicamente um homem-criança que vive no porão da mãe, jogando videogames o dia todo. Ele alega que está tentando encontrar sua paixão. Caleb ri. — Que tipo de i****a pensaria que poderia mentir desse jeito e se safar com isso? Mexo-me na minha cadeira e tusso, de repente desconfortável. — E você, já está pronto para recomeçar? — Kendra pergunta, sua voz suave. — Está tudo bem, não precisamos pisar em ovos — diz ele. — Eu não sei. Ser pai solteiro e fazer faculdade de medicina não me deixa muito tempo para uma vida social. Eu saí com algumas mulheres, mas é difícil. Eu tenho que ter cuidado com quem trago para a vida de Charlotte. — Isso faz sentido — diz Kendra. — Sem pressão. Nossa conversa se move para outras coisas. Caleb fala sobre a logística de se mudar para o outro lado do país. Nós o informamos sobre o que está acontecendo com o papai. Ele está surpreso com as despesas e diz que se sente m*l por não contribuir. Mas Caleb está sentado sob uma montanha de empréstimos estudantis da faculdade de medicina. Uma vez que terminar sua residência, ele está confiante de que ganhará o suficiente para se manter e ajudar com o nosso pai. Eu garanto a ele que tenho o controle sobre isso. Felizmente, Kendra não diz nada para fazê-lo suspeitar que meu trabalho como consultor é diferente do que eu disse que é. Ele é educado o suficiente para não perguntar como eu tenho todo esse dinheiro. Uma pequena voz vem do corredor. — Papai? — Ei, anjinha — diz Caleb. — Você deveria estar na cama. — Ele se levanta para pegar sua filha. Kendra se inclina e abaixa a voz. — Você disse que Mia gosta de ler. Ela não lê livros de uma certa autora de romance da qual ambos ouvimos falar? Merda. Eu não quero explicar isso para Kendra. — Uh, sim, ela pode ter lido. — Pode? — Kendra pergunta. — Você não sabe com certeza? — Tudo bem, sim — digo. — Ela lê os livros de Lexi. — p**a merda — diz Kendra. — Isso é... meio estranho. — Não me diga. — E você não contou a ela sobre...? — Ela pergunta. — Não — respondo. — Claro que não. Isso não é algo que você deixa escapar no primeiro encontro. — Ok, mas você passou do primeiro encontro — diz ela. — Você vai contar a ela? — Eu não sei — digo. — Não é como se estivéssemos namorando há meses e ela ainda não sabe o que eu faço para viver. Kendra parece cética. — Cuidado aí, Alex. Eu entendo por que você não quer dizer à mulher com quem está namorando que você escreve romances, mas você está andando em uma linha tênue. — Não é tão r**m assim — eu digo. Percebo que estou convenientemente deixando de fora a parte sobre o alter ego de Mia ser amiga do meu alter ego. Porém, como explicar isso para minha irmã? — Se continuarmos namorando por mais tempo, vou contar a ela. Não acho que seja grande coisa. — Hum — diz Kendra. — Eu acho. Olha, só... não lide com isso da maneira que os homens fazem, ok? Eu odiaria ver você estragar tudo. — Você nem sequer a conheceu ainda. Como sabe que não vai odiá-la e esperar que eu estrague tudo? — Essa é realmente uma pergunta justa — diz Kendra. — Depois de Janine, tenho muita pouca confiança em sua capacidade de escolher uma mulher. — Obrigado, i****a. Kendra sorri. — Mas tenho a sensação de que ela não é nada como Janine. Você nunca apareceu com os olhos brilhando por alguém antes. Tenho novamente a sensação de que Kendra está vendo algo em mim que não quero que veja. — Não se preocupe. É por isso que não queria te dizer que eu estava namorando. Você analisa demais as coisas. — Prometo que não... — diz ela. — Só estou cuidando de você. — Então, obrigado, eu acho. Ela me dá um tapinha no braço e se levanta da mesa. Kendra entra na cozinha e pego meu celular. Tem uma notificação de mensagem. Eu rolo a tela; mensagem da LV. Quase não abro. Se não ler as mensagens dela, consigo não me meter em problemas, certo? Só que não posso simplesmente ignorá-la. LV: Sinto muito incomodar você, sei que está muito ocupada. Mas a coisa mais legal do mundo aconteceu recentemente e eu não tive a chance de falar sobre isso. Eu: Você não está me incomodando. Está tudo bem? LV: Eu marquei uma entrevista com o Antonio Zane para o blog! Você acredita nisso? Eu: O modelo? Uau. LV: Eu sei. Estou tão animada. Eu ia enviar-lhe algumas perguntas e ele poderia apenas escrever suas respostas e enviá-las de volta. Mas ele me convidou para ver uma de suas sessões de fotos! Vai ser uma viagem de três horas, mas VALE A PENA. Eu não consigo nem pensar nisso agora. Minha testa franze enquanto leio sua mensagem. Estou familiarizado com Antonio Zane, sua reputação o precede, ele está em algumas capas de livros da Lexi. Ele é basicamente o que você esperaria de um modelo. Fisicamente perfeito, apaixonado por si mesmo, acostumado com as mulheres tirando a calcinha para ele. É daqueles que queima as meninas como um incêndio em um campo seco. Eu não gosto da ideia de Mia passar um tempo com ele. Mas com o que estou realmente preocupado aqui? Que ele vai t*****r com ela no final da entrevista? Quando eu penso dessa maneira, parece muito e******o que esteja rangendo meus dentes, fervendo de ciúmes. Mia não é assim, mesmo que ele seja. Mas mesmo assim. Ela vai passar um dia suspirando com o Sr. Abdômen Sexy, e o pensamento disso me deixa furioso além da conta, o que provavelmente não é saudável. Deus, tenho que responder a LV. Que p***a eu digo? Eu: Definitivamente excitante. Embora, você sabe, já trabalhei com ele. Ele é conhecido por ser difícil. Uma verdadeira diva. Pode ser mais fácil obter boas respostas se você enviar suas perguntas. LV: Sim, talvez. Mas você realmente espera que eu recuse a chance de encarar Antonio Zane em carne e osso? c****e. Pelo amor de Deus, Mia. Você diria isso para mim pessoalmente? Obviamente não; você acha que está falando com uma amiga. Está me deixando louco como as coisas ficam estranhas toda vez que eu falo com ela on-line. Nossas conversas nunca pareciam nem um pouco estranhas ou desconfortáveis antes. Agora, toda vez que vejo o nome dela eu me encolho, imaginando que novidade ela vai dizer para Lexi que eu provavelmente não deveria saber. Eu pensava que foi r**m quando ela me contou da calcinha especial. Agora ela quer que eu fale com ela sobre um modelo? Um cara por quem ela vai dirigir por três horas para entrevistar? E eu sei como essa entrevista vai ser. Eu conheço os fãs que leem o blog dela. Muitos deles são fãs de Lexi, e eu adoro aquelas mulheres de uma forma que você não acreditaria, mas algumas são malucas. Mulheres vorazes, cheias de t***o e loucas por homens que gritarão incentivos virtuais para ela fazer todo tipo de coisa para e com Antonio Zane enquanto ela estiver lá. Eu só posso imaginar as mensagens que ela vai receber. Eles vão dizer a ela para ser aquela a passar óleo nele para suas fotos, ou ajustar a p***a da sua Calvin Klein – e eu não quero dizer o jeans. Eu: Apenas não fique desapontada se ele for um i****a. LV: Está tudo bem, Lexi. Posso lidar com isso. Ela provavelmente está certa, mas eu ainda odeio isso. E droga, não posso deixar transparecer que eu sei. Ela está saindo da cidade para entrevistar esse modelo masculino i****a, e eu sei sobre isso, e não posso dizer uma palavra. Eu nunca fui assim, territorial, sobre uma mulher antes. Nenhuma vez na minha vida. E não me importo que esse relacionamento seja novo. Mia despertou algo primitivo dentro de mim, um desejo feroz de reivindicá-la. De possuir cada centímetro dessa mulher. Para deixar o meu cheiro nela, e qualquer i****a que chegar perto não ousará sequer olhar em sua direção. Se ela falar ou não sobre a entrevista, não importa. Há apenas uma coisa que um homem pode fazer quando se depara com uma situação como essa. Eu tenho que ter certeza de que essa mulher saiba bem e satisfatoriamente que ela é completamente minha.
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