Capítulo 4 . Gabriel Blake .

2069 Words
O ato de acordar, para mim, sempre foi muito calmo. Nunca tive problemas de ficar chateado ou querer voltar correndo para cama. Meu bom-humor não é afetado, porque procuro ter uma boa noite de sono, regada de mulheres e óbvio, bebidas. Só que isso não aconteceu hoje. Quando os primeiros raios de sol bateram e invadiram a minha janela, eu acordei com uma das piores ressacas do ano. Minha cabeça doía como se tivessem martelado. E é bem provável que dormi com o peso do corpo todo no braço e com o pescoço virado para o lado oposto. Resumindo, estava há uns segundos de chamar o caminhão de lixo para me jogar lá dentro. Porque eu não estou prestando para nada. No máximo, só consegui pedir para um dos seguranças chamar a Martha e estou aqui, sentando na cama, no escuro — porque qualquer sinal de luz vai fazer minha cabeça estourar —, esperando a minha babá/governanta. Que deve estar demorando de propósito. Ao contrário das outras pessoas, eu não esqueço das coisas quando bebo. Eu lembro que fiz a besteira de ligar para a minha "amiga" do colegial, Emma Karson. E ainda lembro que ela desligou na minha cara, m*l deixando eu falar o endereço da minha casa. Já que troco de mansão três vezes por ano, para evitar ser pego. Nesse ramo, não podemos ficar acomodados. Nem se apegar a único um lugar, apesar que essa mansão é a minha preferida e a única que tenho o cuidado de não deixar ninguém descobrir. Karson foi i****a ao desligar na minha cara, pelo que eu sei, ela ainda não desenvolveu habilidades de clarividência ou adivinhação. Emma pode saber no quê a minha família trabalha, mas ela só veio até a minha antiga casa. Nessa minha nova mansão, ela nunca chegou perto. Porque como estão vendo, nós perdemos totalmente o contato. Por causa de uma besteira, na minha visão. Apenas falei a verdade. O fato é que vou espera-la telefonar para pedir o endereço. Espero que até lá, eu esteja melhor dessa droga de ressaca. O chiado da porta enorme do meu quarto se abrindo faz minha cabeça latejar de forma insana. Até me curvo com a dor forte. — Seu escritório está com umas duas garrafas de Jack Daniels vazias. E pela a sua cara, você foi pego pelo monstrinho da ressaca. — Martha fala, recolhendo os meus sapatos de couro, o paletó, a calça... Na verdade, a maioria das minhas roupas já que eu só estou com a boxer e a gravata, essa só porque eu não consegui tirar. Estava bêbado demais para desamarrar um nó. — Pensei que isso só acontecesse uma vez por mês. Quando completava... Ah. Bingo. Ela lembrou que dia foi ontem. — De qualquer forma, eu sei que você tem muito dinheiro, filho... Só não sei se ele pode te comprar um fígado novo. Porque essa vai ser a realidade, se continuar bebendo dessa forma. Remexo meus ombros, desconfortável com a conversa. — Eu ficaria muito mais confortável se olhasse para mim enquanto eu falo, assim sinto que está fazendo de tudo para que eu vá embora, Luca. — Usar o meu nome do meio era covardia, desde que me entendo por gente ela só me chama assim quando quer falar algo muito sério. Levanto o olhar, encontrando a minha babá. Têm horas que Martha é mais minha mãe que a própria, ela cuidou de mim, me aguentou entupido de hormônios e querendo viajar o mundo todo... E agora está segurando essa barra que é me ver assim, me culpando por um erro que, talvez, não tenha sido minha culpa. — Melhor assim, agora posso ver esses olhinhos castanhos... Sei que eu sou uma velha feia e pelancuda...— Dramatiza, trazendo um copo com água e duas aspirinas. E conseguindo arrancar um sorriso meio dolorido meu. — Nada em comparação as garotas que desfilam aqui e naquele seu salão de festas...— Faz um careta. Martha nunca gostas das mulheres que trago, diz que elas são muito solícitas ao meu charme que, se eu pedir para elas irem a pé de Washington D.C. até ao Japão, elas vão sorrindo. Tomo os remédios, vendo-a exibir um sorriso fechado. Minha babá não é velha como diz. Martha está mais para uma tia muito bem conservada, seu corpo ainda tem curvas modestas — graças aos treinamentos que eu e o meu pai a obrigamos a fazer, caso viesse a acontecer algo conosco e ela precisasse se defender — seus cabelos negros e longos batem na cintura e ela insiste em trançá-los, seus olhos verdes são gentis e acolhedores... Martha é o meu anjo. — Obrigado. — Agradeço, um pouco envergonhado. Ela ri. — Acho que vi um pouquinho de vermelho nessas bochechas... — Tenta me apertar e eu me esquivo, rindo. A cabeça dá breve uma latejada e eu paro, com uma careta. Parecendo entender, Martha passa a mão no uniforme e espera eu deitar. Com cuidado, ela sobe os lençóis, me cobrindo e me fazendo sentir como se tivesse oito anos novamente. Seus lábios descansam na minha testa com carinho e eu sorrio, fechando os olhos. Eu menti quando disse que nunca havia amado ninguém. Eu a amo. — Se alguém pedir para falar com o Eros... — Ele está numa reunião importante... — Durma bem, filho. — Diz, fechando a porta e eu me viro, tentando encontrar o meu sono de novo. Na esperança que o meu único fio de esperança, não me puxe de volta para o fundo poço. *** — Acorda, Belo Adormecido... — Alguém me sacode, me fazendo resmungar e virar o rosto. — Ou eu devo dar um beijo para que o belo príncipe desperte do seu sofredor sono? ... Abro os olhos a força, dando de cara com um biquinho horrendo e com uma barba por fazer. Se fosse de uma mulher, estava bom. Eu deixava me dar quantos beijos "despertadores" quiser. Mas era o bico do... Phillip! — Credo! — Pulo da cama, indo para perto da janela. — Sai daqui, cara! Enlouqueceu? — O i*****l se curva, sentando no chão, rindo até doer o pâncreas. Já eu, fecho a cara, recolhendo os lençóis e os dobrando. Vocês devem estar pensando "meu Deus, ele sabe arrumar uma cama!". Sim, eu sei, não sou um completo inútil. E também porque já passou da hora que a Martha arruma os quartos. — Que horas são, hiena? — Você tinha que ver a sua cara! — Ri mais um pouco e eu cruzo os braços, erguendo apenas uma sobrancelha. — Só assim para te acordar, era a última alternativa antes da água gelada. E acho que o seu coleguinha aí não ia gostar dessa... — Aponta e eu só noto agora que estou de p*u duro. É f**a. — p***a. Phillip ri. — Parece que alguém não pegou num par de p****s ontem a noite... Reviro os olhos. — A minha bebedeira e sessão de culpa não deixaram. — Exibo um sorriso amarelo. — E eu fiz uma coisa que estou me arrependendo eternamente...— Confesso, vendo o rosto dele se iluminar. Lá vem merda... Phillip é extremamente inteligente. Sério. Mas, às vezes, acho que ele caçoa de mim, agindo como um garotinho maluco. — Fodeu a Megan Fox? Eu disse que ia vir merda por aí. Quem é que em sã consciência pensa que eu, um mero mortal, iria me arrepender de f***r uma deusa daquelas? Tinha que vir da mente com defeitinho do Phillip. — Não, né. — Bufo e espero ele se servir de uma dose do whisky doze anos do meu pai, antes de passar na sua frente, pegar uma toalha, entrar no banheiro e antes de fechar a porta, anunciar. — Liguei para Emma Karson, a do colégio. O som da bebida sendo cuspida me faz gargalhar da minha própria desgraça e fechar a porta do banheiro. Passo uns bons minutos, assoviando e deixando a água quente relaxar os meus músculos. Acho que dormi umas cinco horas. Estou me sentindo renovado e pronto para outra. Mas, com o que Martha falou colado no meu consciente. Não posso ficar bebendo dessa forma, vou acabar morto antes de ter a chance de encontrar aquele rubi. Coloco uma calça dentro do banheiro mesmo, já prevendo que o meu queridíssimo amigo vai estar do lado de fora, me aguardando para eu esclarecer a merda que fiz. Abro a porta, enxugando o cabelo e cantarolando quando avisto Phillip sentado na minha poltrona com uma cara de quem não está entendendo nada. — Primeiramente...— Fala e eu passo um pente, tentando arrumar os meus fios lisos. Melo a mão com um pouco de gel e os deixo no acabamento perfeito. — É aquela garota que te fez ser aprovado durante todo o ensino médio? Afirmo, enquanto procuro um terno no closet. — É sim, a gorda. Ele pigarreia. — A menina que você xingou na noite do baile e que ela REALMENTE estava bonita? — Insiste novamente com isso. Já cansei de dizer que ele foi o único que achou isso, nenhum dos caras do baile viram essa "beleza". Nem eu. — Karson? A nerd meio metida que andava com as mais gostosas? Reviro os olhos pela segunda vez no dia. A companhia dele me faz revirar os olhos constantemente. Não dá nem pra contar. — É essa mesmo, Phillip. — Não consigo não parecer entediado. — Joga esse paletó ai. Saio, abotoando a camisa social azul-escura e já calçado. Pego a peça n***a que ele joga, vestindo-a e dando uma olhada no espelho. — Cara... Porque ligou para ela? — Eu estava bêbado e pedi que ela me ajud... O meu telefone pessoal começa a tocar, franzo o cenho. Os únicos que tem esse meu número são os meus pais, Martha e o Phillip. Olho o visor, ele anuncia "número desconhecido". Ergo uma mão para o Phil, pedindo que espere um pouco. Ele dá de ombros. Atendo o aparelho. — Alô? — Quando podemos nos encontrar? — A voz rouca que eu ainda não me acostumei soa. Emma Karson. Como ela conseguiu esse número? — Como descobriu esse número? Eu te liguei do outro celular! — Arregalo os olhos, lembrando muito bem que liguei do celular reservado apenas para as mulheres. Ela bufa e tenho a completa certeza de quê está revirando os olhos do outro lado da linha. — Eu não quero e não vou ficar no celular das vadias, Blake. — Fala como se fosse óbvio. E os meus olhos se arregalam mais ainda. Cristo, essa mulher me conhece demais! — Isso é um negócio sério e eu preciso marcar uma reunião para que possamos resolver nossas coisas. É a minha vez de bufar. — Você só vai me ajudar. — Não sei se lembra, mas impus condições para que eu pudesse aceitar isso. Porque estou tendo péssimas vibrações dessas "condições" dela? Será que vai me mandar dançar a Macarena de sunguinha? — Eu sei, mas... — Não adianta dizer "mas", é pegar ou largar. — A voz rouca é resoluta e direta. Solto o ar, protelando um pouco e olhando para a cara de b***a do Phillip, que parece mais pálido que eu. — O.k. Eu aceito. — Fecho os olhos, sentindo que eu acabei de vender a minha alma ao d***o. — Está livre hoje? Acho que eu tenho tempo agora, vou te passar o endereç... — Desça e mande o seu gigante me deixar passar, eu já estou aqui. — E desliga. Olho para o aparelho diversas vezes e por último, encaro o Phillip. — O que foi? Sacudo a cabeça, tentando organizar meus pensamentos. — Tinha me esquecido do quão f**a ela é. — Sim, eu estou abismado. Mas, ainda tenho uma carta na manga. Ela disse algo sobre eu e a minha "b***a magrela" ontem, certo? — Mas... Fito o reflexo no espelho. A idade e a academia me fizeram bem. Muito bem, na verdade. Mas Emma não sabe. — Aquele carinha magro que é meio parecido comigo e que coordena as idas dos caminhões está aí? — Sim, porque? — Phillip pergunta, franzindo o cenho. — Gabriel, você... Sorrio largo. — Diga que o Eros está chamando e que tenho um trabalho muito bom para ele.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD