Suas mãos descem por todo o meu corpo e o choque de temperaturas da minha pele quente com os seus lábios gelados me faz gemer, agarrando ainda mais os fios negros e macios. Fazia tempos que eu não era beijada daquela forma, que eu não sentia esse t***o tão forte. Quando seus dentes rasparam na pele sensível do meu pescoço, meus olhos reviraram nas órbitas.
Ele sabia o que estava fazendo. Não era um amador.
— Eu sei o quanto esperou por isso...— Se afasta e eu tenho o prazer de poder encarar o seu maxilar quadrado e desenhado, os ombros largos e alvos, descobertos, implorando por uma boa mordida. Ele tirou minhas mãos do seu pescoço e as prensou na parede, segurando o meu corpo com o dele, deixando-me sentir cada músculo daquele corpo maravilhoso, respondendo ao nosso momento. Delicadamente, ergueu minha perna e foi se agachando, até ficar de joelhos no chão. Minha perna foi encaixada no seu ombro e, assim que levantou minha saia até a cintura, eu entendi o que iria acontecer...
Jogo a cabeça para trás, rindo e sentindo a excitação encharcar cada parte da minha calcinha. — Ah, parece que você gostou da ideia... — Ri e seus dedos encontram um pont...
Ei, tá passando uma música legal.
É idêntica ao toque do meu celular!
Me remexo, sentindo a parede ficar muito confortável e rapidamente a realidade me arrebata.
Obviamente era um sonho!
E já é a quinta vez que sonho com isso desde da minha nova designação de trabalho. E eu nem posso acabar de sonhar! Sempre acordo na melhor parte.
E fico assim:
Suada, irritada, frustrada e estupidamente molhada.
Se não fosse por essa droga de celular tocando sem parar, eu mesma resolveria isso. Deve ser o estresse e a comum falta de sexo. Mas sinceramente, não posso mais sonhar com isso.
Vou acabar enlouquecendo.
Você não faz ideia de que é minha obsessão?
Sonhei com você quase todas as noites essa semana
Quantos segredos você consegue guardar?
Ha. Ha. Ha.
Até a música está de gracinha com a minha cara! E essa merda ainda está tocando?
Pego o celular, desejando jogá-lo pela janela, o número no visor era desconhecido por mim e olhe que tenho uma mania estúpida de decorar qualquer telefone que me ligue.
Porém, com esse meu trabalho, sou obrigada a atender. Protelo por alguns milésimos, olhando o Trovão com a apenas seu focinho gigante de fora do cobertor e imerso em um sono que me fez inveja.
Ah, que se dane.
Quanto mais rápido eu atender, mais rápido vou desligar.
— Alô?! — Digo, escutando a minha voz ainda estar meio rouca por causa da recente excitação e a óbvia sonolência. O outro lado da linha estava mudo, mas havia uma respiração até meio ofegante. — Quem diabos liga para uma às 1h:00 da manhã e não fala nada? — Grunhi, totalmente sem paciência. Eu poderia estar dormindo e sonhando com uma boa chupada se não fosse por causa desse mísero celular!
Já estava a um segundo de desligar quando uma voz grossa e sexy soou no fone.
— Oi, bebê... — p***a, p***a, porra....— Você se lembra do boquete que me prometeu?
Meu sangue congelou nas veias, se isso for possível e eu ter virado a Elsa do Frozen. Cada pelo do meu corpo se eriçou e partes que até eu desconhecia se contraíram. Foram onze anos que se passaram desde o colegial. A voz dele não é a mesma. Chega a ser imprópria de tão sensual. E eu não sei o porquê de ter prendido a respiração...
Mentira, eu sei.
Você sabe.
Nós sabemos.
Até ele sabe.
Deve ser por isso que está rindo.
Ah, que legal.
Pelo menos não deixou de ser babaca.
— O que foi? — O tom irônico me leva num expresso direto para o passado. — O gato comeu a sua língua, bebê? — Repete o apelido horrendo que eu simplesmente odeio. Sério. Eu realmente não gosto desse "bebê". E ele sabe. Esse i****a sabe disso.
Eu me levanto da cama, andando para frente do enorme espelho que cobria toda a minha parede. Se eu ainda fosse aquela garotinha imatura, não teria esse artefato aqui. Não o teria trazido de uma viagem ao Egito. Porque olhá-lo seria atestar o que ele disse uma vez: "Você não é gostosa para ninguém, é só uma ilusão do seu espelho".
Na verdade, isso foi uma das últimas coisas que ele me disse.
— Bebê? — Provoca e eu não aguento, rosno como uma fera enjaulada.
— Não me chame de bebê, seu i*****l!
— Ow, parece que realmente liguei para Emma Karson. — Ri como se isso fosse um tipo de piada. Será que ele está bêbado? Enlouqueceu?
Apesar que, pensando no lado positivo, essa ligação vai facilitar muito a minha vida.
Corro, abrindo a porta do quarto e entrando no meu "escritório". A quantidade enorme de computadores, aparelhos eletrônicos que iriam deixar qualquer amante da tecnologia, maluco.
Minha b***a encontra a enorme cadeira em frente a tela de 30 polegadas do meu computador principal, com agilidade e deixando o celular no alto-falante, digitei o login e a senha, entrando no meu sistema de coordenadas. Eu apenas precisava mantê-lo na linha durante alguns minutos e pimba! Menos trabalho para mim!
— Sim, você ligou para ela. — Resmungo, conectando o celular a um cabo. Minhas unhas começaram a tamborilar na mesa, o símbolo de carregamento apareceu na tela, me fazendo sorrir muito maldosa. — Gabriel Blake. — Experimento o nome dele, arrastando a pronúncia e enrouquecendo a voz de propósito. Ele pagaria por me fazer ter sonhos eróticos toda a noite. — Porque me dá a honra da sua ligação? — O sarcasmo desponta das minhas palavras e o escuto parar de respirar por alguns segundos.
Alguns segundos se passam e ele permanece em silêncio.
— Eu...— Começa, mas coça a garganta, parando a frase no meio do caminho. Aí tem coisa! Eu conheço a peça. E estou com a impressão de que vem algo grande por aí.
E estou falando nos dois sentidos.
— Antes que fale...— O interrompo, na esperança que ele não acabe desligando antes da hora certa. — Eu não cumpri a minha promessa porque você agiu como o belo i****a que sempre foi. E também pelas circunstâncias... Imagina, no dia do meu aniversário, eu ter que chupar o p*u de um babaca que gritou na minha cara o quão feia e eu gorda eu era? Ia ser muito legal, né? — Aqui o negócio é passar tudo na cara mesmo. O "fluxo" é ser rancorosa.
Se eu superei isso? Sim.
Se eu quero que ele saiba? Não.
Vai servir de álibi em um futuro próximo.
— Emma, eu...— Para novamente e eu reviro os olhos.
Pense em um homem frouxo.
— Se você disser "eu..." e parar de falar de novo, vou desligar na sua cara. — Minto, até porque ainda precisava de alguns minutos com ele na linha. — Vamos, fala logo.
Gabriel parece pensar um pouco antes de abrir a boca.
— Eu preciso da sua ajuda...
Jogo a cabeça para trás, numa gargalhada espontânea.
— Me conta uma novidade?
Ele rosna, irritado.
Olha gente, ele também fica bravinho.
Que lindo.
— Preciso achar o rubi da minha família, Karson. — O tom de voz é sério e eu engulo a seco. Sentindo o escritório abafar rapidamente. — Ele foi roubado há cinco anos e eu ainda não consegui achar. Eu lembro do quão você é inteligente e... Eu realmente preciso que me ajude.
Fito a tela, anunciando apenas mais alguns segundos.
— Porque eu deveria ajudar você e a sua b***a magra? — Caçoo, lembrando daquele menino magrelo e cheio de espinhas do colegial. O cabelo escorrido e preto caía nos olhos e a pele alva contrastava com a minha morena, quando ficávamos muito perto.
Mas afinal, ele não estava mais daquele jeito.
Talvez por isso tenha se tornado protagonistas dos meus sonhos "proibidos".
Foi a vez dele de rir.
— Ai, Emma. Só você para me fazer rir hoje. — Respira fundo. — Você vai me ajudar porque eu tenho uma promessa a cumprir para você. Não sei se lembra, minha bebê...
Ignoro o apelido, distraída demais, lembrando o que ele me prometeu.
FlashBack ON.
— Eu preciso t*****r com você. — Gabriel diz, olhando Emma de cima a baixo. Ela havia acabado de falar algumas coisas e até mostrar... Sim, ele tinha um pouco de t***o pela nerd salvadora da sua vida acadêmica. Talvez fossem os hormônios desenfreados da adolescência. Porque enxergar algo s****l nela, era impossível. E mesmo assim, não entendia essa necessidade louca. Era irritante.
Emma, por sua vez, nem ligou. Apenas empurrou o óculos e se ajeitou na cadeira, colocando a perna em cima da banca do Phillip, amigo do Gabriel. Que devia estar voando na escola. E se ele estivesse aqui, Gabriel não falaria nada desse tipo. Talvez nem comentasse que já viu algumas fotos dela e ela pôde assistir alguns videos dele... Essa parte da amizade dos dois era bem sigilosa. Só uma pessoa muito observadora notaria isso. Afinal, o garoto estava tentando namorar com uma garota mais nova e todos sabiam e falavam que ninguém nunca se interessaria por ela. Emma já havia aceitado isso. Seu peso se tornou um obstáculo para tudo. Enquanto suas amigas contavam as saídas, os beijos, as experiências... Emma nunca havia ido para uma festa sem ser de família, nem sequer encostado os lábios nos de outra pessoa.
Escutar Gabriel dizer isso era como se ele caçoasse dela.
— Você sabe que isso não é possível. — Fala, passando a mão no cabelo. A família dela, a sua criação. Tudo impossibilitava. Não é como se isso a frustasse muito, Emma já havia se acostumado com essa ideia. Foi criada enclausurada em casa. Nunca saiu sozinha para cantos longes ou viajou para outros lugares. E definitivamente, ela queria algo além disso. Não sentia uma necessidade absurda. Só queria acabar o Colegial, ir para a Faculdade e poder ajudar a família.
Ela observa o garoto se remexer desconfortável e teve vontade de revirar os olhos.
Ele estava e******o.
Porque isso já é esperado?
— Eu acho que tenho t***o por você. — Confessa, dando graças a Deus por não ruborizar. Ele não tinha vergonha de admitir nada para ela. Emma já ouviu todas as experiências dele. Desde a perda da virgindade à transas comuns. E tudo com comentários engraçadinhos e nada de constrangimento, ela ainda dava conselhos!
— Você está quase namorando. — Ela riu, mexendo na parte de baixo da banca e contando as cédulas de cem que havia pegado do bolso do garoto sem ele ao menos sentir. Emma balançou as cédulas, vendo Gabriel apalpar os bolsos e soltar uma risada sarcástica. — Você namora e é um bundão distraído. Nem percebeu isso! — Gargalha, devolvendo as notas.
— Você que tem patas leves. — Resmunga, guardando o dinheiro na carteira novamente. — E não importa se estou namorando ou não, anota aí: Você vai perder sua virgindade comigo, bebê.
A garota jogou a cabeça para trás, rindo muito. E tentando não ficar chateada por causa do apelido irritante que colocou só porque ela odiava.
— Estou falando sério, Emma. — Aponta, um pouco chateado por ela não acreditar. — Eu prometo, eu vou ser o primeiro a f***r essa bocetinha virgem. — O linguajar não constrangeu a garota, só a fez se mexer na cadeira, procurando um pouco de atrito. Gabriel percebeu isso e só sorriu. — E você não pode negar, seu t***o por mim está transparecendo agorinha.
— i****a. Não use seus termos "chulos" comigo. — O empurrou.
Mas também não negou.
FlashBack OFF.
— Estava relembrando? — A voz grossa e rouca dele me traz de volta para o tempo atual. A promessa dele estava atrasada, eu já tinha perdido a minha virgindade, tive experiências maravilhosas e alguns momentos inesquecíveis. Mas não com ele. Não com um i****a incurável.— Eu disse que eu iria f***r essa sua bocetinha virgem. E eu voltei para fazer isso, Emma.
Eu tive que rir.
— PEIN!!! — Imito um alarme e ele fica em silêncio. — Chegou atrasado, docinho. — Foi a minha vez de usar o apelido que ele odiava. — Não sou mais virgem. E faz um bom tempo, viu. — Debocho, escutando o quase "cri, cri, cri" dos pseudos-grilos. — Tá sendo difícil de aceitar?
Isso está ficando muito divertido.
Estou matando dois coelhos numa cajadada só.
Nossa, que analogia c***l.
Acho melhor dizer que:
Estou comendo duas fatias de pudim e pagando apenas por uma .
Olha aí, bem melhor!
— Emma...
Um "piiiiii" insano anuncia que o computador já achou o que eu queria.
— O que é isso? — O tom desconfiado me faz procurar rapidamente uma resposta.
E imediatamente, eu acho.
— Te garanto que não é um vibrador.
Ele se engasga do outro lado da linha. E eu reprimo a risada.
— Foi o microondas, seu curioso...
Ele suspira e abaixo o volume das caixas de som. As imagens do meu satélite abrem, exibindo a enorme mansão dos Blake's em tempo real. Alguns seguranças discutiam na frente de um caminhão. Tento descriptografar o código das câmeras do quarto principal, mas é impossível já que um software de segurança patenteado pelo Phillip bloqueia minha entrada.
— Você vai me ajudar?
Penso alguns segundos, montando uma rápida estratégia e sorrio.
— Sim...
— Ha! Eu sabia! — Diz, convencido.
O sorriso malicioso não cabe no meu rosto.
— Mas, vai ter algumas condições.
Ele ri e m*l sabe o que lhe aguarda.
— Qualquer coisa, você é cliente antiga, bebê. — Sussurra. Talvez se o ego dele não o deixasse cego, ele já teria enxergado o que está acontecendo aqui. — Vou te passar o endereço, olha é o... — Desligo na cara estúpida dele, rindo muito logo após.
Eu não precisava do endereço, já sabia onde ele estava.
Meus dedos voaram no teclado e eu consegui salvar a imagem do GPS.
Pego o meu mini-microfone parecido com os daquelas telemarketings.
Aperto a discagem automática, já prevendo os gritos que vou levar por telefonar a essa hora.
Olho para minha cama e Melina atende o telefone.
— Me diz que você está sangrando até morrer e que é uma emergência. — A voz sonolenta, porém afiada da minha chefe, me faz rir. — Porque se não for, eu mesma me encarrego de fazer isso acontecer, Emma. Nós temos que pôr um lim...
— Eu o achei. — Interrompo, sorrindo. — Gabriel Blake.
— Você... O quê? — Se surpreende e eu dou risada. — Não faz nem uma semana que eu te dei esse trabalho, sei que é um pouco pessoal, mas ninguém nunca conseguiu ach...
— Eu não sou "ninguém", Mel. — Me deito na cama, sentindo a felicidade me arrebatar por completo. Tudo bem, estava me sentindo uma vilã de novela mexicana. — Eu sou Emma Karson. — Digo, escutando-a rir. Óbvio que também ficaria feliz, acho que pensou que eu iria passar uns dois anos presa à esse trabalho.
— E ai? Vai me passar as coordenadas e...
— De jeito nenhum. — Me antecipo. — Como você disse, é pessoal. Quando for a hora, eu mesma lhe aviso, Melina. Preciso fazer algumas coisas antes. — Estou a alguns segundos de implorar.
— Emma, isso não é perigoso? Você sabe, ele...
Dou risada.
— Não tenho medo. Eu sou Emma Karson, Melina! — Bufo. — E por favor, desocupe o meu apartamento durante esse tempo. Não posso correr o risco que você apareça. Ok?
— Emma, ainda acho isso uma péssima ideia... — Começa, porém eu não escuto. Apenas me viro na cama, tirando o microfone e enfim, encontrando o meu tão almejado sono.