capítulo 10

481 Words
Capítulo 10 Júlia Em-becil. Foi a primeira palavra que pensei sobre Blake Montana. Se ele achava que só porque era bonito podia tratar as pessoas com arrogância, estava muito enganado. Comigo não funcionaria. Sentei-me à mesa e peguei um copo de suco. Minha tia percebeu o clima e suspirou. Clarisse: Júlia, me desculpe pelo meu filho. Ele é um pouco genioso. Genioso? Quer dizer babaca. Segurei a risada. Júlia: Tudo bem, tia. Ela tentou mudar de assunto. Clarisse: Tenho pizza. Quer comer? Meus olhos brilharam. Júlia: Quero. Na mesa havia uma pizza enorme de calabresa. Só de olhar já deu água na boca. Peguei um pedaço e dei a primeira mordida. Júlia: Nossa... que delícia! Quando percebi, já tinha comido três fatias. Mas meu estômago começou a reclamar. Júlia: Acho que exagerei. Levantei, levei meu prato até a pia e lavei tudo que usei. Depois coloquei o garfo e a faca no escorredor. Quando voltei para a mesa, minha tia sorriu. Clarisse: Júlia, querida, precisamos conversar sobre seus estudos. Sentei novamente. Clarisse: Você está no terceiro ano, certo? Assenti. Júlia: Sim. Clarisse: Então tenho uma ótima notícia. Aqui na cidade fica um dos melhores colégios do país, o Santa Clara. Fiquei atenta. Clarisse: Ele tem dois campos. O primeiro vai do ensino infantil até o nono ano. O segundo começa no primeiro ano do ensino médio e já prepara os alunos para a faculdade. Inclusive, meu filho estuda lá. Ele está no segundo ano de Direito. Só de imaginar estudar no mesmo lugar que Blake, já fiquei um pouco desconfortável. E ainda por cima todos os amigos dele devem ser iguais a ele. Não gostei muito da ideia. Júlia: Mas, tia... esse colégio é particular, não é? Ela sorriu. Clarisse: Sim, querida. Baixei o olhar. Júlia: Mas eu não tenho como pagar. Clarisse riu de leve. Clarisse: Júlia, eu vou pagar para você. Olhei surpresa. Júlia: Mas, tia... Ela segurou minhas mãos. Clarisse: Eu não falei que seria responsável pelos seus estudos? Fiquei em silêncio. Júlia: Sim... mas eu não tenho como devolver isso. Ela apertou minhas mãos com carinho. Clarisse: Você não precisa devolver nada. Eu quero que você estude, se forme, tenha um bom emprego e uma vida maravilhosa. É só isso que eu desejo. Senti meus olhos se encherem de lágrimas. Algumas escorreram pelo meu rosto. Clarisse sorriu e secou uma delas. Clarisse: Não chora. Uma garota tão linda vai acabar criando rugas. Acabei rindo com a brincadeira dela. Júlia: A senhora não existe, tia. Ela riu. Clarisse: Amanhã vou ao colégio resolver tudo. Depois vamos comprar seus materiais e uniforme. Ela fez uma pausa e sorriu. Clarisse: E aproveitamos para fazer umas compras e passar no SPA. Quero você se sentindo maravilhosa nessa nova fase. Balancei a cabeça, sorrindo. Júlia: Então tá bom. Pela primeira vez em muito tempo, senti que talvez eu não estivesse completamente sozinha.
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