Capítulo 10
Júlia
Em-becil.
Foi a primeira palavra que pensei sobre Blake Montana.
Se ele achava que só porque era bonito podia tratar as pessoas com arrogância, estava muito enganado.
Comigo não funcionaria.
Sentei-me à mesa e peguei um copo de suco.
Minha tia percebeu o clima e suspirou.
Clarisse: Júlia, me desculpe pelo meu filho. Ele é um pouco genioso.
Genioso?
Quer dizer babaca.
Segurei a risada.
Júlia: Tudo bem, tia.
Ela tentou mudar de assunto.
Clarisse: Tenho pizza. Quer comer?
Meus olhos brilharam.
Júlia: Quero.
Na mesa havia uma pizza enorme de calabresa.
Só de olhar já deu água na boca.
Peguei um pedaço e dei a primeira mordida.
Júlia: Nossa... que delícia!
Quando percebi, já tinha comido três fatias.
Mas meu estômago começou a reclamar.
Júlia: Acho que exagerei.
Levantei, levei meu prato até a pia e lavei tudo que usei.
Depois coloquei o garfo e a faca no escorredor.
Quando voltei para a mesa, minha tia sorriu.
Clarisse: Júlia, querida, precisamos conversar sobre seus estudos.
Sentei novamente.
Clarisse: Você está no terceiro ano, certo?
Assenti.
Júlia: Sim.
Clarisse: Então tenho uma ótima notícia. Aqui na cidade fica um dos melhores colégios do país, o Santa Clara.
Fiquei atenta.
Clarisse: Ele tem dois campos. O primeiro vai do ensino infantil até o nono ano. O segundo começa no primeiro ano do ensino médio e já prepara os alunos para a faculdade. Inclusive, meu filho estuda lá. Ele está no segundo ano de Direito.
Só de imaginar estudar no mesmo lugar que Blake, já fiquei um pouco desconfortável.
E ainda por cima todos os amigos dele devem ser iguais a ele.
Não gostei muito da ideia.
Júlia: Mas, tia... esse colégio é particular, não é?
Ela sorriu.
Clarisse: Sim, querida.
Baixei o olhar.
Júlia: Mas eu não tenho como pagar.
Clarisse riu de leve.
Clarisse: Júlia, eu vou pagar para você.
Olhei surpresa.
Júlia: Mas, tia...
Ela segurou minhas mãos.
Clarisse: Eu não falei que seria responsável pelos seus estudos?
Fiquei em silêncio.
Júlia: Sim... mas eu não tenho como devolver isso.
Ela apertou minhas mãos com carinho.
Clarisse: Você não precisa devolver nada. Eu quero que você estude, se forme, tenha um bom emprego e uma vida maravilhosa. É só isso que eu desejo.
Senti meus olhos se encherem de lágrimas.
Algumas escorreram pelo meu rosto.
Clarisse sorriu e secou uma delas.
Clarisse: Não chora. Uma garota tão linda vai acabar criando rugas.
Acabei rindo com a brincadeira dela.
Júlia: A senhora não existe, tia.
Ela riu.
Clarisse: Amanhã vou ao colégio resolver tudo. Depois vamos comprar seus materiais e uniforme.
Ela fez uma pausa e sorriu.
Clarisse: E aproveitamos para fazer umas compras e passar no SPA. Quero você se sentindo maravilhosa nessa nova fase.
Balancei a cabeça, sorrindo.
Júlia: Então tá bom.
Pela primeira vez em muito tempo, senti que talvez eu não estivesse completamente sozinha.