Capítulo 11
Júlia
Eu me senti feliz.
Depois de tudo que tinha acontecido, encontrar alguém como minha tia era uma bênção.
Eu não iria decepcioná-la.
Clarisse: Agora faça o que quiser, querida. A casa é sua também. Preciso sair um pouco.
Júlia: Tá bom, tia.
Subi para o meu quarto.
Ainda era tudo muito novo para mim.
Eu nunca tinha entrado em uma casa tão luxuosa. Tudo parecia tão perfeito que eu até tinha medo de tocar nas coisas.
Decidi ficar mais um pouco no meu quarto.
Entrei, me joguei na cama e fiquei imaginando como poderia deixar aquele espaço com a minha cara.
Depois levantei e fui ao banheiro.
Quando saí, levei um susto.
Blake estava parado na porta.
Pela expressão dele, claramente não estava feliz.
Mas eu não ia demonstrar medo.
Passei por ele e fui até minha penteadeira, fingindo que ele nem estava ali.
Júlia: É costume seu entrar no quarto dos outros sem bater?
Minha voz saiu cheia de ironia.
Ele fechou a porta atrás dele.
Blake: Você parece não entender as coisas.
Continuei mexendo nas minhas coisas.
Júlia: O que eu não entendi?
Ele se aproximou alguns passos.
Blake: Essa casa tem regras.
Finalmente olhei para ele.
Júlia: Engraçado. Eu não sabia que você era o dono dela.
O olhar dele ficou mais frio.
Blake: Eu cresci aqui. Essa é minha casa.
Respirei fundo.
Júlia: E eu não pedi para vir morar aqui. Sua mãe me convidou.
Aquilo pareceu irritá-lo ainda mais.
Blake: Você é uma desconhecida dentro da minha família.
Aquelas palavras machucaram mais do que eu queria admitir.
Mas transformei a dor em raiva.
Júlia: E você é só um garoto mimado que não aceita dividir a atenção da própria mãe.
Por um instante, achei que ele fosse responder.
Mas ele apenas sorriu de um jeito convencido.
Blake: Então a caipira acha que sabe jogar?
Cruzei os braços.
Júlia: Talvez você não esteja acostumado com alguém que não abaixa a cabeça.
O sorriso dele desapareceu.
Ele respirou fundo e falou com frieza.
Blake: Então escuta bem.
Ele levantou alguns dedos.
Blake: Regra número um: nunca entre no meu quarto.
Parei em silêncio.
Blake: Regra número dois: não se meta na minha vida. Nem aqui, nem no colégio.
Ele fez uma pausa.
Blake: Regra número três: tudo que acontece nessa casa fica nessa casa. Não quero fofoca sobre mim para ninguém.
Ele falou aquilo como se sua reputação fosse um troféu.
Blake: Você vai descobrir que sou muito conhecido no colégio.
Revirei os olhos.
Arrogante.
Ele esperava que aquilo me impressionasse.
Não impressionou.
Júlia: Combinado.
Ele pareceu surpreso.
Continuei:
Júlia: E as mesmas regras valem para você.
Blake ficou me encarando.
Talvez ele esperasse medo.
Mas não encontraria isso em mim.
Blake: Não se preocupe. Eu também não tenho interesse na sua vida.
Falou com desprezo.
Então abriu a porta e saiu.
Só depois que fiquei sozinha percebi que estava prendendo a respiração.
Respirei fundo uma vez.
Depois outra.
Meu coração ainda estava acelerado de raiva.
Quem aquele garoto arrogante pensava que era?
Eu tinha acabado de chegar naquela casa.
Mas uma coisa eu sabia:
Eu não seria mais uma pessoa que Blake Montana conseguiria controlar.