Capítulo 1

1160 Words
LOGAN REID Eu estava farto. E não era só a minha empresa, que estava se afundando cada vez mais, ou a minha vida financeira em pedaços. Não, o que realmente estava me irritando era Victoria. A mulher com quem eu estava morando, mas que, ultimamente, parecia ser mais um peso do que qualquer outra coisa. Eu sabia que ela era linda. Alta, com pernas que pareciam feitas para desfilarem por qualquer tapete vermelho. Eu adorava o corpo dela, ainda adorava. Mas algo nela estava me deixando louco. Era como se ela fosse uma criança com dinheiro. Nada parecia suficiente. Tudo o que ela queria eram mais roupas, mais viagens, mais jantares caros. Eu tinha tentado ignorar, tentado me convencer de que isso era uma fase, mas a verdade estava na minha cara: minha vida estava em ruínas, e ela não ajudava em nada. Cada vez que eu olhava para ela, uma mistura de frustração e impotência me tomava. Eu sabia que estava falhando como companheiro, mas a verdade era que, antes de mais nada, eu estava tentando me segurar em uma tempestade, e ela parecia ser mais um vento forte jogando tudo para o alto. Minha empresa? Já não era mais minha. Eu sabia disso desde o momento em que a falência se aproximou, sorrateira, como um monstro que se esconde nas sombras, esperando o momento certo para atacar. Oito anos no mercado e tudo indo para o fundo do poço. Eu me perguntava como tinha chegado até aqui. Cinco anos depois de meu divórcio com Audrey, e eu ainda não havia me recuperado. Pelo contrário, parecia que minha vida estava retrocedendo em vez de seguir em frente. Eu tinha 33 anos, e deveria estar vivendo minha melhor fase, mas tudo parecia dar errado. Desde o momento em que Audrey se foi, não havia mais nada certo para mim. Audrey. Maldição, até o nome dela me trazia uma dor que eu tentava enterrar de qualquer maneira. A mulher que eu traí, a mulher que, quando me dei conta, já não estava mais ao meu lado. Eu a vi indo embora e não fiz nada para impedir. Ela pediu o divórcio, e eu simplesmente assinei. Na época, achava que estava no controle, que seria o fim de uma história tortuosa. Mas, agora, cinco anos depois, parecia que tudo estava desmoronando sem ela. Como se, ao se afastar, ela tivesse levado algo essencial da minha vida. Como se, no fundo, minha decadência estivesse atrelada à partida dela. Eu nunca a queria de volta. Ou melhor, eu dizia isso para mim mesmo todos os dias. Mas, agora, olhando para a bagunça que minha vida se tornara, era difícil não pensar em como as coisas poderiam ter sido diferentes, como tudo poderia ter tomado um rumo completamente distinto. A verdade era simples: desde que ela se foi, parecia que tudo em minha vida só piorava. A campainha tocou. Eu abri a porta para Jack, e ele sorriu ao entrar, olhando para os lados, como se estivesse verificando se Victoria estava por perto. Eu disse a ele para entrar, já sabendo que, seja lá onde ela estivesse, era melhor assim. Ele tinha um envelope gordo nas mãos, e o modo como o segurava me deu uma sensação de que aquilo tinha algum peso importante. Eu estava quase enlouquecendo. Segurei o copo de uísque com força, tentando ignorar a pressão crescente dentro de mim. — O que te traz aqui, Jack? — perguntei, tentando esconder a ansiedade na minha voz. Ele riu, com aquela expressão de quem sabia que poderia tirar um sorriso até de um homem desesperado. — Não vai me oferecer uma bebida antes? — disse, dando um olhar debochado. A verdade é que ele já sabia o que eu estava passando. Eu já estava tão afundado nas minhas frustrações que não sabia mais para onde ir, mas beber me ajudava a suportar. Nos sentamos na sala, e eu servi um pouco do uísque, uma das últimas garrafas caras que ainda tinha. Jack jogou o envelope na mesa de centro, como se fosse qualquer outra coisa. — Falei com o advogado da família — ele começou, a seriedade tomando conta de seu tom. — Seu tio morreu há cinco dias, cara. Eu dei de ombros. O velho me odiava, eu sabia disso. Ele nunca me perdoou pelo que fiz com Audrey, e eu também não esperava que ele tivesse algum carinho por mim. Não tinha nada que sentir pena por aquele homem. — E daí, Jack? O velho me odiava, não tenho nada a ver com isso. — É, mas o advogado dele foi te procurar hoje para relatar isso. Eu disse que te entregaria os papéis, e ele concordou — Jack continuou, ainda com aquele sorriso maroto, como se estivesse esperando minha reação. Eu olhei para ele, sem entender bem o que estava acontecendo. — Há um testamento? — perguntei, sentindo o peso da dúvida me sufocando. Peguei o envelope com pressa, agora completamente curioso. — Já até entrou em contato com o seu advogado — Jack disse, rindo, mas com um toque de ironia. — Mas como você não paga o coitado há meses, ele fez as coisas por suas costas. Seu advogado foi até a Audrey hoje, falou com ela sobre o testamento e... — Jack fez uma pausa, com um sorriso ligeiramente torto. — A leitura vai ser na empresa dele. Se vocês dois aceitarem, ambos serão os donos. Eu li as palavras no papel com atenção, minha mente tentando entender o que aquilo significava. E então, uma frase me fez parar: "Para ter acesso à herança, você terá que se casar com ela de novo. E ter um filho." Eu engoli em seco, tomando o resto do uísque em um gole rápido. — Ter um filho? Tá maluco, isso não pode ser real. Jack riu novamente, agora com o copo nas mãos, e eu podia ver que ele se divertia com a minha reação. — Se eu fosse você, casaria, Logan. Não tem como fugir disso. Não é como se você nunca tivesse transado com ela antes. Olhei para ele com fúria após seu comentário. E então, minha cabeça começou a rodar com algo que me recordei. Emily não ia deixar tudo isso passar para as minhas mãos sem querer lutar. — E minha irmã? Você sabe que depois da Audrey, ela era a favorita do velho. — Ela conversou com ele e abriu mão da empresa, ficou com imóveis e investimentos dele e, claro, 25% da herança. — Jack disse. Eu passei a mão pelos cabelos, sentindo o peso das palavras de Jack. Minha cabeça estava um turbilhão. Mas, por mais que eu tentasse escapar, a única coisa que me restava era ir até lá e ver o que esse testamento realmente significava. Mesmo que isso significasse enfrentar Audrey novamente. Mesmo que, no fundo, eu soubesse que eu ainda estava preso a algo que nem eu mesmo entendia.
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