📖 Capítulo 52: Uma Saudade Inesperada
O quarto voltou ao silêncio.
Os recipientes de cristal permaneciam sobre a mesa, praticamente intocados.
A serva observava a cena sem compreender.
Nunca, em todos os anos em que servira Elara, a vira rejeitar sangue daquela forma.
— Senhora... devo buscar outro tipo?
Elara balançou a cabeça.
— Não adianta.
Ela apoiou o rosto na mão.
— Acho que nenhum vai mudar de sabor.
A serva ficou pensativa.
— Quer que eu chame o médico?
— Não.
A resposta veio imediata.
— Se ele vier, vai querer fazer mais exames.
Ela suspirou.
— Já tive exames suficientes por hoje.
A serva fez uma reverência.
— Como desejar.
Quando a porta se fechou, Elara ficou sozinha.
Olhou novamente para o recipiente.
Tentou convencer a si mesma a beber.
Levou-o até os lábios.
Um único gole.
No instante seguinte, fez uma careta e o afastou outra vez.
— Não...
Ela respirou fundo.
— Continua horrível.
Encostou-se na cabeceira da cama e fechou os olhos.
Sem perceber, outra lembrança tomou conta de seus pensamentos.
Os olhos vermelhos de Damian.
O sorriso discreto.
A voz calma.
E, principalmente, o gosto do sangue dele.
Ela abriu os olhos de repente.
— Que droga...
Passou a mão pelos cabelos.
— Por que estou pensando nisso outra vez?
Tentou mudar de assunto.
Pegou um livro.
Não conseguiu se concentrar.
Olhou pela janela.
Também não adiantou.
Caminhou pelo quarto.
Ainda assim, a lembrança insistia em voltar.
Ela soltou uma pequena risada de si mesma.
— Você realmente conseguiu bagunçar a minha vida, Damian...
Pela primeira vez em muitos séculos, Elara percebeu que sentia falta da companhia de alguém.
Não apenas do vínculo que haviam criado.
Mas das conversas, da presença dele e da tranquilidade inesperada que sentia quando estava ao seu lado.
Ela caminhou até a varanda.
A noite estava limpa, iluminada pela lua.
Levantou o olhar para o céu.
— Espero que você esteja bem...
Sorriu discretamente.
— E espero que cumpra a sua promessa de voltar logo.
Naquele mesmo instante, muito distante dali, na propriedade dos Vorath, Damian estava de pé diante da janela do seu escritório.
Segurava uma xícara de chá, mas sua atenção estava completamente voltada para a lua.
Um leve sorriso surgiu em seus lábios.
— Está pensando em mim, Elara?
Ele fechou os olhos por um instante.
Por alguma razão, também sentia que ela precisava dele.
E essa estranha sensação fazia o tempo parecer passar muito mais devagar do que o normal.