📖 Capítulo 45: Não Me Deixe
A reunião finalmente havia chegado ao fim.
Os membros da família Vorath começaram a se despedir dos Voss, enquanto os empregados abriam as enormes portas da mansão.
Os carros negros já aguardavam do lado de fora.
O patriarca Vorath caminhou em direção à saída.
Seu braço direito o acompanhava, seguido pelos demais membros da família.
Damian, porém, permaneceu alguns instantes parado.
Seu olhar nunca deixou Elara.
Ela também o observava.
Quando percebeu que ele realmente iria embora, seu coração apertou de um jeito que nunca havia sentido.
Sem pensar duas vezes, caminhou rapidamente até ele.
Antes que Damian pudesse dizer qualquer coisa, ela segurou sua mão.
Depois, abraçou seu braço com força.
— Não me deixe aqui...
Todos voltaram a olhar para os dois.
Elara levantou os olhos verdes para ele.
Havia um raro brilho de insegurança em seu olhar.
— Eu quero ir com você.
Damian sorriu de forma suave.
Levantou a mão livre e acariciou seus cabelos.
— Elara...
Ela fez um pequeno bico.
— Você vai abandonar a sua futura noiva aqui?
Várias primas arregalaram os olhos.
— Ela chamou a si mesma de futura noiva...
Damian arqueou levemente uma sobrancelha.
Um sorriso divertido surgiu em seus lábios.
— Então... já não me vê apenas como um pretendente?
Elara desviou o olhar por um instante.
As pontas das orelhas ficaram levemente avermelhadas.
— Não...
Ela respirou fundo.
— Não te vejo mais assim.
Voltou a encará-lo.
— Então... me leva com você.
Damian passou delicadamente os dedos por seu rosto.
— Elara...
Ela apertou ainda mais o braço dele.
— Por favor.
Ele respondeu com paciência:
— Aqui é a tua casa.
Ela balançou a cabeça rapidamente.
— Eu sei.
— Então fica.
— Mas eu quero ir com você.
Alguns membros das duas famílias trocaram sorrisros discretos.
Ninguém imaginava ver a imprevisível Elara insistindo para acompanhar alguém.
Damian aproximou o rosto do dela.
— Tenho assuntos importantes para resolver com a minha família.
— Eu espero.
— Pode demorar dias.
— Eu espero do mesmo jeito.
Ele soltou uma pequena risada.
— Você é muito teimosa.
Ela respondeu imediatamente:
— Aprendi com o meu avô.
Até o patriarca Voss sorriu ao ouvir aquilo.
Damian tentou dar um passo em direção à porta.
Elara não soltou seu braço.
Tentou novamente.
Ela continuava agarrada.
— Elara...
— Não.
— Preciso ir.
— Não.
— Eu volto.
— Também não.
O braço direito de Damian tossiu discretamente.
— Senhor... os carros já estão prontos.
Damian fechou os olhos por um instante.
— Eu sei.
Olhou novamente para Elara.
Ela continuava abraçada ao braço dele.
Como uma criança que se recusava a deixar alguém importante partir.
Ele suspirou, sem perder o sorriso.
— Perdoa-me por isso.
Antes que ela entendesse o que ele queria dizer, Damian fez um discreto movimento com a mão.
Uma pequena onda de magia envolveu o braço dele.
Não era uma magia ofensiva.
Apenas desfez, com delicadeza, a força com que Elara o segurava.
Os dedos dela se abriram involuntariamente.
— Ei...
Quando percebeu, Damian já havia se afastado alguns passos.
Ela estendeu a mão na direção dele.
— Damian!
Ele parou ao lado do carro.
Virou-se uma última vez.
Sorriu para ela.
— Eu prometi que voltaria.
E eu nunca quebro uma promessa feita a você.
Entrou no carro.
A porta foi fechada.
Os veículos começaram a deixar lentamente a mansão.
Elara permaneceu parada nos degraus da entrada, observando a caravana desaparecer ao longe.
Só quando o último carro sumiu no horizonte é que ela baixou a cabeça.
Em voz baixa, quase como um sussurro, murmurou:
— Então... volta logo...
E, pela primeira vez em muitos séculos, a enorme mansão Voss pareceu grande e silenciosa demais sem a presença de Damian.