📖 Capítulo 138: Sozinha
A contração seguinte foi muito mais intensa.
Elara perdeu o equilíbrio por um instante e apoiou-se na parede do armazém.
Sua respiração ficou irregular.
As pétalas carmesim giravam ao seu redor enquanto as rosas formavam uma barreira natural, impedindo qualquer aproximação.
Ela fechou os olhos, tentando controlar a dor.
Quando voltou a abri-los, encarou Damian e os demais.
Sua voz saiu trêmula, interrompida pela respiração acelerada.
— Eu... não vou confiar...
Ela respirou fundo novamente.
— ...nas pessoas que destruíram a minha vida...
Outra contração a fez se curvar levemente.
Ela apertou o tecido do vestido com força.
— ...e que... mataram o pai do meu bebê.
As palavras atingiram Damian como uma lâmina.
Ele permaneceu imóvel.
Sabia que aquelas ideias haviam sido colocadas na mente dela.
Mesmo assim, ouvi-las da própria Elara era doloroso.
Ela respirou com dificuldade e continuou:
— Eu... vou dar à luz... ao meu bebê...
Sua voz saiu firme apesar do sofrimento.
— Sozinha.
A prima começou a chorar.
— Elara, por favor...
— Você não precisa passar por isso sozinha!
A tia enxugava as lágrimas sem conseguir dizer uma palavra.
O tio deu um passo à frente, mas Damian estendeu o braço, impedindo-o.
— Não.
O homem o olhou, confuso.
Damian manteve os olhos em Elara.
— Ela está assustada.
— Se alguém avançar agora, ela vai acreditar que estamos confirmando tudo o que contaram para ela.
O médico falou em tom calmo, alto o suficiente para que Elara ouvisse:
— Senhorita Elara...
— Ninguém vai forçá-la a confiar em nós.
— Mas, se em algum momento precisar de ajuda, eu estou aqui.
Elara não respondeu.
Mais uma contração veio.
Ela respirou profundamente, tentando manter a calma.
As rosas reagiram imediatamente.
Os espinhos cresceram ainda mais, formando uma muralha ao seu redor.
O vento espalhou pétalas vermelhas por todo o estacionamento.
Todos permaneceram onde estavam.
Nenhum guarda sacou uma arma.
Nenhum m****o da família Voss deu mais um passo.
Nem mesmo Damian.
Ele apenas falou, com a voz serena:
— Eu vou ficar aqui.
Elara ergueu lentamente o olhar.
Damian continuou:
— Você pode não acreditar em mim.
— Mas eu não vou abandonar você.
Ela não respondeu.
Apenas fechou os olhos por um instante, concentrando-se em controlar a respiração enquanto as contrações se tornavam cada vez mais frequentes.
Ao redor, o silêncio substituiu qualquer desejo de confronto.
Naquele momento, toda a atenção estava voltada para Elara e para a chegada do bebê.