Sozinha

413 Words
📖 Capítulo 138: Sozinha A contração seguinte foi muito mais intensa. Elara perdeu o equilíbrio por um instante e apoiou-se na parede do armazém. Sua respiração ficou irregular. As pétalas carmesim giravam ao seu redor enquanto as rosas formavam uma barreira natural, impedindo qualquer aproximação. Ela fechou os olhos, tentando controlar a dor. Quando voltou a abri-los, encarou Damian e os demais. Sua voz saiu trêmula, interrompida pela respiração acelerada. — Eu... não vou confiar... Ela respirou fundo novamente. — ...nas pessoas que destruíram a minha vida... Outra contração a fez se curvar levemente. Ela apertou o tecido do vestido com força. — ...e que... mataram o pai do meu bebê. As palavras atingiram Damian como uma lâmina. Ele permaneceu imóvel. Sabia que aquelas ideias haviam sido colocadas na mente dela. Mesmo assim, ouvi-las da própria Elara era doloroso. Ela respirou com dificuldade e continuou: — Eu... vou dar à luz... ao meu bebê... Sua voz saiu firme apesar do sofrimento. — Sozinha. A prima começou a chorar. — Elara, por favor... — Você não precisa passar por isso sozinha! A tia enxugava as lágrimas sem conseguir dizer uma palavra. O tio deu um passo à frente, mas Damian estendeu o braço, impedindo-o. — Não. O homem o olhou, confuso. Damian manteve os olhos em Elara. — Ela está assustada. — Se alguém avançar agora, ela vai acreditar que estamos confirmando tudo o que contaram para ela. O médico falou em tom calmo, alto o suficiente para que Elara ouvisse: — Senhorita Elara... — Ninguém vai forçá-la a confiar em nós. — Mas, se em algum momento precisar de ajuda, eu estou aqui. Elara não respondeu. Mais uma contração veio. Ela respirou profundamente, tentando manter a calma. As rosas reagiram imediatamente. Os espinhos cresceram ainda mais, formando uma muralha ao seu redor. O vento espalhou pétalas vermelhas por todo o estacionamento. Todos permaneceram onde estavam. Nenhum guarda sacou uma arma. Nenhum m****o da família Voss deu mais um passo. Nem mesmo Damian. Ele apenas falou, com a voz serena: — Eu vou ficar aqui. Elara ergueu lentamente o olhar. Damian continuou: — Você pode não acreditar em mim. — Mas eu não vou abandonar você. Ela não respondeu. Apenas fechou os olhos por um instante, concentrando-se em controlar a respiração enquanto as contrações se tornavam cada vez mais frequentes. Ao redor, o silêncio substituiu qualquer desejo de confronto. Naquele momento, toda a atenção estava voltada para Elara e para a chegada do bebê.
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