Ecos da Ameaça

626 Words
📖 Capítulo 37: Ecos da Ameaça O salão mergulhou em um silêncio absoluto. Damian segurava Elara nos braços enquanto vários membros das duas famílias se levantavam ao mesmo tempo. — Chamem o médico da família! — ordenou o patriarca Voss. Dois empregados saíram correndo pelos corredores. As primas de Elara aproximaram-se rapidamente. — Ela está respirando? Damian apoiou dois dedos no pulso dela. Os olhos vermelhos permaneceram atentos por alguns segundos. — Sim. Sua voz continuava firme, mas havia preocupação nela. — O pulso está estável. O patriarca Vorath caminhou até os dois. — O que aconteceu? Damian olhou para a palma da mão de Elara, onde o pequeno corte já começava a cicatrizar. — Ela percebeu a presença da infiltrada antes de qualquer um de nós. Ele fez uma breve pausa. — E usou uma quantidade incomum de poder para revelar a magia de ocultação. Os anciãos trocaram olhares. Um deles murmurou: — Então o desmaio pode ter sido resultado do esforço... Antes que alguém respondesse, o patriarca Voss falou com firmeza: — Não. Todos voltaram os olhos para ele. Sua expressão era séria. — A Elara é uma das membros mais fortes da nossa família. O salão permaneceu em absoluto silêncio. O patriarca continuou: — Ela poderia destruir o mundo inteiro... e continuar de pé. Até alguns membros da família Vorath ficaram impressionados com a convicção em sua voz. Ele olhou novamente para a neta desacordada. — O motivo do desmaio é outro. As palavras fizeram o ambiente ficar ainda mais pesado. Se não era o esforço... Então algo mais havia acontecido. Enquanto conversavam, os guardas retornaram. — Senhores... O comandante fez uma reverência. — A mulher foi levada para uma sala segura. O patriarca Voss perguntou imediatamente: — Ela falou alguma coisa? — Ainda não. — Encontraram algum símbolo, documento ou objeto com ela? O guarda assentiu. — Havia apenas um pequeno pingente escondido na roupa. Ele colocou o objeto sobre a mesa. Era um medalhão de metal escuro, sem brasão das famílias Voss ou Vorath. O patriarca Vorath estreitou os olhos. — Não reconheço esse símbolo. Um dos estudiosos da família aproximou-se para examiná-lo. — Também não pertence aos registros da nossa biblioteca. Damian continuava concentrado em Elara. Com cuidado, afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. Naquele instante, ela começou a mover levemente os dedos. As primas prenderam a respiração. — Elara? Os olhos verdes abriram-se devagar. Ela piscou algumas vezes, tentando recuperar o foco. A primeira coisa que viu foi Damian olhando para ela. — Você desmaiou — disse ele, em tom baixo. Ela respirou fundo. — Acho que... exagerei um pouco. Uma das primas cruzou os braços. — "Um pouco"? Você fez metade da mansão entrar em pânico! Elara sorriu de leve, ainda cansada. — Então peço desculpas pela confusão. O patriarca Voss soltou um suspiro longo. — Você nos dá trabalho desde que nasceu. Ela respondeu com um pequeno sorriso. — Eu sei. O ambiente ficou um pouco mais leve. Mesmo assim, ninguém esquecia o verdadeiro problema. Havia uma infiltrada dentro da mansão. E ninguém sabia quem a havia enviado. Damian ajudou Elara a sentar-se com cuidado. Ela olhou ao redor do salão e percebeu as expressões tensas das duas famílias. Seu sorriso desapareceu. — Isto não foi um acaso. Todos voltaram a atenção para ela. Elara encarou o medalhão sobre a mesa. — Alguém queria descobrir o que seria discutido aqui. O patriarca Vorath assentiu lentamente. — E agora essa pessoa sabe que Voss e Vorath estão dispostos a cooperar. O silêncio voltou a dominar o salão. Pela primeira vez desde o início da reunião, as duas famílias compreenderam que aquele encontro não representava apenas uma possível união. Também marcava o início de uma ameaça comum.
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