📖 Capítulo 37: Ecos da Ameaça
O salão mergulhou em um silêncio absoluto.
Damian segurava Elara nos braços enquanto vários membros das duas famílias se levantavam ao mesmo tempo.
— Chamem o médico da família! — ordenou o patriarca Voss.
Dois empregados saíram correndo pelos corredores.
As primas de Elara aproximaram-se rapidamente.
— Ela está respirando?
Damian apoiou dois dedos no pulso dela.
Os olhos vermelhos permaneceram atentos por alguns segundos.
— Sim.
Sua voz continuava firme, mas havia preocupação nela.
— O pulso está estável.
O patriarca Vorath caminhou até os dois.
— O que aconteceu?
Damian olhou para a palma da mão de Elara, onde o pequeno corte já começava a cicatrizar.
— Ela percebeu a presença da infiltrada antes de qualquer um de nós.
Ele fez uma breve pausa.
— E usou uma quantidade incomum de poder para revelar a magia de ocultação.
Os anciãos trocaram olhares.
Um deles murmurou:
— Então o desmaio pode ter sido resultado do esforço...
Antes que alguém respondesse, o patriarca Voss falou com firmeza:
— Não.
Todos voltaram os olhos para ele.
Sua expressão era séria.
— A Elara é uma das membros mais fortes da nossa família.
O salão permaneceu em absoluto silêncio.
O patriarca continuou:
— Ela poderia destruir o mundo inteiro... e continuar de pé.
Até alguns membros da família Vorath ficaram impressionados com a convicção em sua voz.
Ele olhou novamente para a neta desacordada.
— O motivo do desmaio é outro.
As palavras fizeram o ambiente ficar ainda mais pesado.
Se não era o esforço...
Então algo mais havia acontecido.
Enquanto conversavam, os guardas retornaram.
— Senhores...
O comandante fez uma reverência.
— A mulher foi levada para uma sala segura.
O patriarca Voss perguntou imediatamente:
— Ela falou alguma coisa?
— Ainda não.
— Encontraram algum símbolo, documento ou objeto com ela?
O guarda assentiu.
— Havia apenas um pequeno pingente escondido na roupa.
Ele colocou o objeto sobre a mesa.
Era um medalhão de metal escuro, sem brasão das famílias Voss ou Vorath.
O patriarca Vorath estreitou os olhos.
— Não reconheço esse símbolo.
Um dos estudiosos da família aproximou-se para examiná-lo.
— Também não pertence aos registros da nossa biblioteca.
Damian continuava concentrado em Elara.
Com cuidado, afastou uma mecha de cabelo do rosto dela.
Naquele instante, ela começou a mover levemente os dedos.
As primas prenderam a respiração.
— Elara?
Os olhos verdes abriram-se devagar.
Ela piscou algumas vezes, tentando recuperar o foco.
A primeira coisa que viu foi Damian olhando para ela.
— Você desmaiou — disse ele, em tom baixo.
Ela respirou fundo.
— Acho que... exagerei um pouco.
Uma das primas cruzou os braços.
— "Um pouco"? Você fez metade da mansão entrar em pânico!
Elara sorriu de leve, ainda cansada.
— Então peço desculpas pela confusão.
O patriarca Voss soltou um suspiro longo.
— Você nos dá trabalho desde que nasceu.
Ela respondeu com um pequeno sorriso.
— Eu sei.
O ambiente ficou um pouco mais leve.
Mesmo assim, ninguém esquecia o verdadeiro problema.
Havia uma infiltrada dentro da mansão.
E ninguém sabia quem a havia enviado.
Damian ajudou Elara a sentar-se com cuidado.
Ela olhou ao redor do salão e percebeu as expressões tensas das duas famílias.
Seu sorriso desapareceu.
— Isto não foi um acaso.
Todos voltaram a atenção para ela.
Elara encarou o medalhão sobre a mesa.
— Alguém queria descobrir o que seria discutido aqui.
O patriarca Vorath assentiu lentamente.
— E agora essa pessoa sabe que Voss e Vorath estão dispostos a cooperar.
O silêncio voltou a dominar o salão.
Pela primeira vez desde o início da reunião, as duas famílias compreenderam que aquele encontro não representava apenas uma possível união.
Também marcava o início de uma ameaça comum.