O carro cortava a noite em alta velocidade, os faróis iluminando ruas desertas e becos estreitos. Cada curva era uma batalha contra a adrenalina, mas Kauan dirigia com a precisão de quem não podia perder nada — nem a vida, nem Isadora, nem a filha recém-nascida. — Kauan… você vai conseguir… — murmurou Isadora, ainda exausta do parto improvisado, mas segurando firme a menina em seus braços. — Só mais um pouco… Ele lançou-lhe um olhar intenso, misto de preocupação e desejo. — Estamos quase lá… — disse, a voz rouca, carregada de tensão — e depois disso, nada nem ninguém vai nos separar. O esconderijo seguro não ficava longe, mas cada minuto parecia uma eternidade. Os tiros ainda ecoavam em algumas ruas, mas Kauan e Isadora concentravam-se em manter a filha protegida. O corpo dela colado ao

