O amanhecer trouxe um silêncio estranho, quase sufocante. Isadora abriu os olhos devagar e, por um momento, esqueceu do mundo lá fora. O braço forte de Kauan a envolvia, mantendo-a junto dele, e o calor do corpo dele a fazia querer ficar ali para sempre, longe de tudo.
Mas o toque do celular na mesa de cabeceira quebrou o encanto. Kauan se mexeu, pegou o aparelho e, ao ler a mensagem, o semblante endureceu. Ele respirou fundo, os músculos do braço tensionando, e então deslizou os dedos pelos cabelos, como se tentasse conter a tempestade dentro de si.
— O que foi? — perguntou Isadora, a voz ainda rouca de sono, mas cheia de preocupação.
Ele demorou a responder. Por um instante, parecia estar pesando cada palavra.
— Eles sabem sobre você — disse, finalmente, com a voz grave. — Agora, não tem mais volta.
O coração dela disparou, o medo subindo pela garganta como um nó.
— “Eles” quem, Kauan?
— Rivais. Gente que daria qualquer coisa para me atingir. E agora… você é meu ponto fraco.
Isadora sentiu um arrepio percorrer a pele, mas, em vez de recuar, segurou o rosto dele com as duas mãos.
— Eu não vou fugir. Não vou te deixar enfrentar isso sozinho.
O olhar dele brilhou com algo entre orgulho e desejo. Sem dizer nada, ele a puxou para um beijo intenso, um encontro de lábios que carregava promessas silenciosas. A tensão se dissolveu por um instante, substituída pelo fogo que os consumia sempre que se tocavam.
O beijo se aprofundou, lento e ao mesmo tempo urgente. Os dedos de Kauan passearam pela nuca dela, descendo pelos ombros, e Isadora sentiu os pelos da pele se arrepiarem. O corpo dele estava quente, firme, pulsando de adrenalina, e ela sabia que o perigo que os cercava só tornava cada segundo ainda mais intenso.
— Eu preciso sentir você — ele murmurou, a voz rouca, carregada de desejo.
Isadora não disse nada. Apenas correspondeu, deixando que as mãos dele explorassem cada curva, cada detalhe, como se quisessem memorizar cada pedaço dela antes que o mundo os separasse.
Os beijos desceram para o pescoço, provocando suspiros entrecortados, e o calor entre os dois se tornou impossível de conter. O quarto parecia pequeno demais para comportar o desejo que os incendiava.
Kauan a deitou na cama devagar, os olhos presos nos dela, e havia ali uma intensidade quase selvagem, como se aquela fosse a última noite que teriam juntos. Cada toque era carregado de significado, cada carícia um lembrete de que o tempo poderia ser curto demais.
O ritmo dos dois se tornou uma dança perfeita, uma fusão de corpos e sentimentos. Os suspiros se misturavam, o prazer crescendo como uma chama incontrolável, até que tudo ao redor desapareceu, restando apenas eles dois, perdidos um no outro.
Quando, por fim, o silêncio voltou a preencher o quarto, Isadora se aninhou no peito dele, ouvindo o som firme do coração de Kauan. Era como um lembrete silencioso de que ele ainda estava ali, inteiro, mas também vulnerável.
— Kauan… e se algo acontecer com você? — ela sussurrou, os dedos desenhando círculos no peito dele.
Ele segurou a mão dela e a beijou com suavidade.
— Não vai acontecer. Eu prometo que vou te proteger. — Fez uma pausa, os olhos fixos nela. — Mas você precisa confiar em mim, Isa. E, acima de tudo, precisa estar preparada.
— Preparada para quê? — ela perguntou, hesitante.
— Para lutar. — A resposta veio como um sussurro, mas carregava o peso do mundo.
Nesse instante, o celular dele voltou a tocar, quebrando o momento. Kauan atendeu, ouviu em silêncio e, quando desligou, os olhos estavam diferentes: mais duros, mais sombrios.
— Eles marcaram território. Atacaram um dos meus homens. Isso significa que vão atrás de mim.
Isadora engoliu em seco. O perigo, antes distante, agora batia à porta.
Ele se levantou, vestindo a camisa com movimentos rápidos, enquanto pegava a arma sobre a cômoda. Ela o observava, dividida entre medo e fascínio.
— Fica aqui. Não saia, não atenda a porta, não fale com ninguém. Eu vou resolver isso.
— Kauan, espera… — ela segurou o braço dele, os olhos brilhando com preocupação. — Eu não quero te perder.
Ele a puxou para perto, colando a testa na dela.
— Você não vai. Mas, se algo acontecer… — ele hesitou por um segundo — …corra. Não olhe para trás.
Isadora sentiu o peso das palavras, mas, antes que pudesse responder, Kauan a beijou com força, como se aquele beijo fosse um escudo contra tudo que os ameaçava.
Quando a porta se fechou atrás dele, o silêncio pareceu ensurdecedor. Ela sentou-se na beira da cama, abraçando os joelhos, sentindo o coração bater descompassado.
Mas, no fundo, sabia que aquele era apenas o começo. O amor que compartilhavam os colocava no centro de uma guerra. E, por mais que o desejo os unisse, o perigo os cercava como uma sombra constante.
Isadora olhou para a porta fechada e, pela primeira vez, entendeu: estar com Kauan significava muito mais do que paixão. Significava viver entre o amor e a guerra — e não havia volta.O apartamento parecia mais frio sem Kauan ali. Isadora caminhava de um lado para o outro, os dedos trêmulos, tentando afastar os pensamentos ruins que insistiam em invadir sua mente.
Ela olhou para a porta, como se pudesse trazê-lo de volta apenas com o desejo. Cada segundo sem ele parecia uma eternidade.
De repente, o barulho do interfone ecoou pelo ambiente, fazendo seu corpo inteiro estremecer. O coração acelerou, e o instinto gritou para não atender. Mas a curiosidade, somada ao medo, venceu.
— Alô? — sua voz saiu baixa, quase um sussurro.
— Dona Isadora? — disse uma voz masculina do outro lado. — O Kauan pediu pra você abrir.
Havia algo errado. Ela conhecia o tom de voz dos homens dele, e aquele era diferente. Um estranho. Um impostor.
— Não conheço nenhum Kauan — respondeu firme, tentando disfarçar o pânico. — Acho que ligaram no apartamento errado.
Ela desligou sem ouvir resposta e correu para trancar as janelas, certificando-se de que tudo estava fechado. Seu peito subia e descia rápido, como se tivesse acabado de correr uma maratona.
Foi então que o celular vibrou. Era uma mensagem de Kauan:“Não abra a porta. Não fale com ninguém. Eu tô indo.”
As mãos dela tremiam tanto que m*l conseguia segurar o aparelho. Mas, de alguma forma, a mensagem também a acalmava: ele sabia que algo estava acontecendo e estava vindo até ela.
Isadora respirou fundo, tentando se recompor, mas o corpo inteiro estava tomado pela adrenalina. O desejo de tê-lo de volta era tão intenso quanto o medo de perdê-lo.
Quinze minutos depois, a maçaneta girou suavemente e Kauan entrou. O olhar dele estava sombrio, os cabelos levemente bagunçados e a respiração pesada.
— Tá tudo bem? — ele perguntou, caminhando até ela.
— Não — respondeu com sinceridade, os olhos marejados. — Tentaram me enganar, Kauan. Ligaram dizendo que você pediu pra abrir a porta.
O maxilar dele se contraiu, os músculos do pescoço ficando tensos.
— Eu sabia… — murmurou. — Eles estão testando nossas fraquezas.
Ele a puxou para os braços com força, como se quisesse protegê-la do próprio mundo. Isadora se afundou no peito dele, respirando fundo, sentindo o perfume marcante que misturava perigo e desejo.
— Não vai mais acontecer nada com você, Isa. — A voz dele saiu baixa, mas carregada de autoridade. — Eu não vou deixar.
Ela ergueu os olhos para ele e viu o reflexo da mesma angústia que sentia. Um silêncio carregado se instalou, e então, sem pensar, Isadora o beijou.
O beijo foi diferente dessa vez. Não era apenas desejo — era necessidade. Como se os dois precisassem um do outro para continuar respirando.
As mãos dele deslizaram por suas costas, puxando-a para mais perto, até que não houvesse espaço entre eles. Isadora sentiu o corpo inteiro vibrar, e o calor que os envolvia fez o resto do mundo desaparecer.
— Kauan… — ela suspirou entre beijos, a voz rouca de desejo.
Ele a pegou pela cintura e a levantou, apoiando-a contra a parede. Os corpos colados, os movimentos lentos e carregados de tensão, como se o perigo lá fora só tornasse tudo mais urgente.
— Você é minha, Isa — sussurrou contra os lábios dela, a voz grave e dominadora. — Só minha.
— Sempre fui… — ela respondeu, quase sem voz.
O quarto parecia pequeno demais para conter a intensidade entre eles. O erotismo pulsava em cada toque, cada respiração, cada gemido que escapava dos lábios de Isadora.
O tempo se dissolveu enquanto se entregavam um ao outro, como se quisessem gravar na pele a lembrança de cada instante, caso o amanhã fosse incerto demais.
Quando os dois finalmente se deitaram, exaustos, Kauan passou os dedos pelo rosto dela, traçando o contorno de seus lábios.
— A partir de agora, Isa… você vai estar no meu mundo. E isso significa que não há volta.
Ela segurou a mão dele e sorriu, mesmo com o coração acelerado.
— Eu não quero voltar. Se for com você… eu enfrento qualquer guerra.
Kauan fechou os olhos por um instante, como se aquelas palavras o atravessassem. Então, a abraçou com força, envolvendo-a inteira, como se quisesse protegê-la do universo.
Mas, no fundo, os dois sabiam: aquilo era só o começo. A guerra estava cada vez mais próxima.