Capítulo 5 - Laços perigosos

1595 Words
O sol começava a se pôr sobre Villa Serena, lançando tons alaranjados sobre a imponente mansão Moretti. Clara observava o horizonte da varanda de seu quarto, tentando assimilar tudo o que havia acontecido nas últimas 24 horas. Rafael sabia mais do que admitia, e sua proposta de aliança ainda pairava no ar como uma ameaça silenciosa. Ela sabia que precisava manter a situação sob controle, mas como? A presença de Isabella era como uma bomba-relógio prestes a explodir. Clara precisava de um plano – e rápido. No salão principal A família Moretti estava reunida para o jantar, um evento formal que Helena insistia em manter como tradição. Clara entrou no salão com a postura confiante que havia treinado tanto. Os olhares dos presentes se voltaram para ela, incluindo o de Rafael, que estava sentado ao lado de Helena, como se fosse parte da família. “Boa noite,” Clara disse, sentando-se ao lado de Dante. Helena observava tudo com seus olhos afiados, mas foi Rafael quem quebrou o silêncio. “Isabella, espero que tenha tido um dia interessante.” Clara sorriu, mas seus olhos lançavam um aviso silencioso. “Sempre é interessante quando você está por perto, Rafael.” O jantar seguiu com conversas leves, mas Clara sentia a tensão no ar. Ela sabia que precisava tirar Rafael de cena antes que ele complicasse ainda mais as coisas. Encontro no jardim Depois do jantar, Clara saiu para o jardim, onde a noite trazia uma brisa fresca e um silêncio reconfortante. Ela não estava surpresa quando Rafael a seguiu, suas mãos nos bolsos, o rosto envolto em sombras. “Você parece inquieta,” ele comentou, parando ao lado dela. “E você parece determinado a me provocar,” Clara respondeu, olhando para ele de soslaio. “Não posso evitar,” ele disse com um sorriso. “Você é um mistério, Isabella. Ou devo dizer Clara?” Ela sentiu o coração disparar, mas manteve a compostura. “Acho que você está confundindo as coisas.” “Talvez,” ele disse, inclinando-se para mais perto. “Mas eu sou bom em ver além das máscaras.” Clara sabia que não podia continuar com aquele jogo indefinidamente. “O que você quer, Rafael?” Ele ficou em silêncio por um momento, como se ponderasse a resposta. “Quero saber quem você realmente é. E por que está aqui.” Ela deu um passo à frente, encurtando a distância entre eles. “E se eu dissesse que estou aqui para proteger algo? Algo que você nunca entenderia.” Rafael levantou uma sobrancelha, intrigado. “Então me faça entender. Você sabe que posso ser útil.” Clara avaliou suas opções. Rafael podia ser perigoso, mas talvez fosse o único que poderia ajudá-la a manter seu disfarce. “Se eu confiar em você, preciso de garantias. Não posso arriscar.” “Você não está em posição de exigir garantias,” ele disse, mas seu tom não era ameaçador. Era quase… protetor. “Então estamos em um impasse,” Clara concluiu, cruzando os braços. Rafael deu um passo para trás, suas feições suavizando. “Talvez não. Pense na minha proposta. Juntos, podemos conseguir o que queremos.” Clara observou enquanto ele se afastava, deixando-a sozinha no jardim. Sua mente estava em turbilhão. Confiar em Rafael podia ser sua única chance de evitar que tudo desmoronasse, mas a que custo? Uma carta inesperada Na manhã seguinte, Clara encontrou uma carta embaixo de sua porta. O papel era elegante, e o selo indicava que vinha de alguém importante. Ao abri-la, seu coração parou: era de Isabella. “Querida impostora, Se acha que pode manter minha vida nas suas mãos, está enganada. Estou de volta e pretendo recuperar o que é meu. Prepare-se, pois o tempo do seu reinado está acabando. – Isabella.” Clara apertou o papel com força, sentindo a ameaça explícita nas palavras de Isabella. O confronto estava mais próximo do que ela imaginava. Preparativos para o confronto Clara sabia que precisava agir rapidamente. Sua primeira ação foi ir até o escritório de Dante, onde sabia que ele estaria revisando documentos. Ao entrar, ele levantou o olhar, surpreso com sua visita. “Isabella, algo errado?” “Precisamos conversar, pai,” Clara começou, fechando a porta atrás de si. “Sobre a segurança da família.” Dante franziu a testa. “O que você quer dizer?” “Estou preocupada com as ameaças externas. Precisamos estar preparados para qualquer coisa. Não quero que nossa família seja pega de surpresa.” Ele assentiu, a seriedade em seu olhar evidente. “Concordo. Providenciarei medidas de segurança adicionais.” Clara suspirou aliviada, mas sabia que isso era apenas o começo. O verdadeiro desafio seria enfrentar Isabella – e, talvez, Rafael – sem perder tudo o que havia conquistado. O cenário estava armado. Clara precisava jogar suas cartas com cuidado, pois uma jogada errada poderia custar-lhe tudo.Clara deixou o escritório de Dante com uma sensação de inquietação. A carta de Isabella pesava em sua mente, e cada passo que dava parecia guiá-la para um confronto inevitável. As palavras ameaçadoras da verdadeira herdeira ecoavam em seus pensamentos. Clara precisava manter a compostura, mas a pressão estava se intensificando. No quarto de Clara De volta ao seu quarto, Clara trancou a porta e se jogou na poltrona perto da janela. A lua cheia iluminava o ambiente com uma luz pálida e fria. Ela segurava a carta de Isabella em uma mão, enquanto seus dedos tamborilavam nervosamente no braço da poltrona. “Por que agora?” pensou. Isabella poderia ter ficado longe, mas algo a trouxe de volta. E Clara sabia que não era apenas pela família. Havia mais, um segredo que ainda não havia sido revelado. Ela puxou uma pequena caixa debaixo da cama – um esconderijo de segredos. Dentro, estavam algumas das lembranças que havia recolhido desde que assumiu o lugar de Isabella: fotografias, cartas antigas, documentos. Clara os espalhou pela cama, procurando por qualquer pista que pudesse dar-lhe vantagem sobre Isabella. Uma foto em particular chamou sua atenção – uma imagem antiga de Isabella com um homem que Clara não reconhecia. Ele tinha um olhar intenso e estava claramente próximo de Isabella. Quem era ele? E por que Isabella nunca havia mencionado essa pessoa? Na biblioteca da mansão Na manhã seguinte, Clara decidiu investigar mais sobre o homem da foto. A biblioteca da mansão Moretti era extensa, cheia de arquivos e livros que datavam de gerações anteriores. Se havia algo sobre ele, estaria lá. Enquanto passava pelas estantes, ouviu passos se aproximando. Rafael entrou, observando-a com aquele mesmo olhar curioso. “Pesquisando algo específico?” ele perguntou, encostando-se na porta. Clara levantou o olhar, sem esconder a irritação. “Algo que talvez me ajude a resolver alguns problemas.” Rafael se aproximou, pegando um dos livros da estante. “Você sabe, Clara, que segredos têm uma forma interessante de se revelar na hora mais inoportuna.” Ela fechou o livro que estava lendo e o encarou. “Você fala como se soubesse algo que eu não sei.” Ele deu de ombros, um sorriso discreto nos lábios. “Talvez eu saiba. Ou talvez eu só goste de ver você tentando descobrir.” Clara revirou os olhos. “Se está aqui para me distrair, não está funcionando.” Rafael se aproximou mais, seu tom mudando para algo mais sério. “Estou aqui para ajudar. Se você confiar em mim, podemos lidar com Isabella juntos.” Por um momento, Clara considerou suas palavras. Talvez ele fosse a única pessoa em quem pudesse confiar, mesmo que temporariamente. “Se eu te contar tudo, promete não usar isso contra mim?” “Prometo,” ele disse, estendendo a mão. Clara hesitou antes de aceitar o aperto de mão, um pacto silencioso entre os dois. Sabia que precisava de toda a ajuda possível, e Rafael era uma ferramenta poderosa – mas perigosa. O Retorno de Isabella Enquanto Clara e Rafael começavam a traçar seu plano, Isabella estava em um hotel luxuoso no centro de Villa Serena, preparando sua próxima jogada. Ela observava a cidade através da janela, suas mãos apertadas em punhos ao lado do corpo. “Ela acha que pode tomar minha vida, mas está enganada,” pensou. Isabella não era apenas uma herdeira mimada; ela havia aprendido com o tempo e o sofrimento. Estava mais forte e mais determinada do que nunca. Isabella pegou o telefone e discou um número. “Está na hora. Quero que todos saibam que estou de volta,” disse, sua voz fria e decisiva. “E desta vez, não haverá lugar para impostores.” Uma reunião tensa De volta à mansão Moretti, Helena convocou uma reunião familiar. Clara, ainda ocupando o lugar de Isabella, sentiu a tensão no ar assim que entrou no salão. Dante estava ao lado de Helena, ambos com expressões preocupadas. “Recebemos informações de que Isabella está em Villa Serena,” Helena anunciou, seus olhos fixos em Clara. Clara manteve o rosto impassível. “Tem certeza?” “Absoluta,” Dante respondeu. “Precisamos decidir como lidar com isso.” Helena se aproximou de Clara, colocando a mão sobre a dela. “Se ela realmente voltou, precisamos proteger nossa família. Você estará segura aqui.” Clara assentiu, mas sabia que isso era apenas o começo. A guerra por identidade e poder estava apenas começando, e ela precisaria de todas as suas habilidades para sair vitoriosa. Clara e Rafael precisavam agir rapidamente. O retorno de Isabella não era apenas uma ameaça; era uma promessa de que tudo poderia desmoronar a qualquer momento.
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