— Pode parecer estranho, mas eu gosto da sua companhia Lystat.
Isso me surpreendeu, pois depois da perseguição de ontem, não achei que ela fosse gostar da minha companhia, afinal eu a persegui, e gostei da caça do vampiro, a vítima se bem ela não é uma vítima, ela é a minha salvadora, a que vai acabar com a maldição que me assola.
Tenho medo de não ela não me amar e essa maldição não ser quebrada.
Mas o amor tem que ser algo recíproco, será que só ela me amar vai me bastar, para quebrar a maldição.
Será que não estou sendo egoísta demais ao exigir que uma mulher me ame?
São perguntas que me invadem a mente e eu procuro não pensar nisso.
Outra questão que é importante é como vou viver esse ano sem o sangue.
O sangue que provei foi o meu próprio, por um tempo estou saciado, mas e depois o que vou fazer?
— Lystat...
— Catarine...
— Me perdoe por estar em silêncio, mas é que estou aproveitando o perfume de sua companhia.
Claro que se ela soubesse quem eu sou de verdade, ela poderia, sentir medo ou até mesmo instigar a cidade inteira a me perseguir e eu seria morto antes do tempo determinado pela bruxa.
Vampiros são seres noturnos, o que farei se essa jovem querer me ver durante o dia?
— Catarine, o passeio com você está maravilhoso, quer ir em algum lugar específico?
— Bem, eu sempre tive o sonho desde muito menina de ir ao teatro, tem uma peça que está em cartaz e eu estou com muita vontade de assistir.
— Então vamos, Catarine, eu sei que vou me divertir com você.
Como sou recém-chegado a cidade, a jovem me leva ao teatro e a peça que está em cartaz se chama Sangue e ouro.
— Do que se trata essa peça Catarine?
— Oh é de um sacerdote transmutado em vampiro Lystat.
A resposta me pega na alma, pois eu fui amaldiçoado a ser um por curto espaço de tempo.
— Senhor Lystat está tudo bem?
— Sim, está meu bem, vem eu vou comprar os ingressos.
Caminhamos até a bilheteria para comprar os ingressos.
Não vou mentir, o título me incomoda, mas quero fazer essa bondade para a Catarine, mesmo eu tendo que pagar para ela se apaixonar e vir a me amar, senti que deveria dar a ela mais esse presente.
Ao entrarmos escolhemos lugares na terceira fila, sentamos lado a lado, e esperamos a peça começar.
Assistimos à apresentação teatral, é particularmente a minha história é parecida com a minha, excluindo que Magnus foi atacado por um vampiro, e ainda presidia a missa.
Ao terminar a apresentação todos nos levantamos para bater palmas, não vou negar os olhinhos de Catarine brilhavam, como os olhos de uma pequena bruxa que ganha uma varinha nova.
Ao sairmos do teatro, ela deita a cabeça em meu ombro e abraça o meu braço.
— Lystat obrigada, foi lindo.
— Você acredita nesses seres sobrenaturais?
— Eu sei, Lystat que nesse mundo há coisas que não compreendemos.
Impressionante a resposta da jovem, ela tentou ponderar as palavras, mas sei que o que ela quiz dizer é que ela acredita, sim, em algo, místico e sobrenatural.
Essa jovem está gostando de mim, e gostar já é um caminho para ela vir a me amar.
Eu vou fazer por onde, também serei compassivo e compreensivo.
A noite para mim está longe terminar são apenas dez da noite e eu está ainda longe do amanhecer.
O amanhecer que se chegar a mim eu posso virar apenas pó.
Bíblico, pois dizem que você nasceu do pó e retornará ao pó.
— Lystat tenho que voltar, embora eu queira estar em tão agradável companhia.
Essas palavras dela me tocam fundo, não vou negar que eu quero ficar um tempo com ela, para que ela veja que eu sou uma pessoa fácil de se apaixonar.
Mas também não posso colocar a Catarine em problemas.
— Vamos então, eu te levo para casa.
— Estou, gostando de ver o quanto você é cuidadoso, Lystat.
— Com as pessoas que eu tenho apresso e gosto.
Estranho dizer isso, pois a conheci ontem, mas se ela vai quebrar a minha maldição no futuro eu tenho que gostar da presença dela.
A deixo em casa e ela se despede de mim, desta vez não escutei ninguém discutir com ela.
Que bom! Pois hoje eu ia estar disposto a comprar uma briga que não é minha.
Caminho pelas ruas da cidade e pensamentos me dão medo, mas procuro dispersá-los e não pensar que tenho apenas doze meses, prefiro pensar que tenho doze meses pela frente.
Chego em casa e entro, ainda falta muito para o novo dia.
Me desespero, pois a minha fome de sangue aumenta, e não quero atacar nenhum inocente.
O que vou fazer? Me vejo em uma situação difícil, mas preciso do sangue para sobreviver por esse tempo que a bruxa me deu.
Sem pensar, r***o o meu pulso e bebo do meu próprio sangue de vampiro, não me sasseia, eu preciso de mais, muito mas.
Sem ter escolha saio noite afora, quem sabe acalmo os meus instintos sem, atacar alguém.
Desbravo a cidade e minha sede só aumenta, não resisto, e resolvo atacar.
Mas vou matar e sugar o sangue de malfeitores, bandidos, o quais são a escória da humanidade, posso estar a ser arrogante e mesquinho nas minhas palavras, mas para mim os malvados têm que morrer, estou decidido a livrar as ruas de Cande Tom desses lixos.
Preciso manter-me forte, para passar por esses doze meses e acredito que me alimentar, de alguém não será necessariamente um problema. Eu preciso de sangue por hoje, nos outros dias eu vejo como eu agirei.
Acho a minha vítima e salto sobre ela, nem dou tempo de reação, cravo a minhas presas em seu pescoço e sugo até a última gota do seu sangue.
A princípio eu não queria fazer isso, mas fiz, agora sou oficialmente um vampiro, um ser noturno.