Catarine
O convite de Lystat me pegou de surpresa, afinal combinamos de conviver juntos, não exatamente no mesmo teto, seria uma forma de estar livre das perseguições de Carl e Margo, mas e depois que o prazo de um ano terminar eu teria que voltar para casa, aguentar as agressões e abusos por parte daqueles dois, ou eu viria morar com Lystat e guardaria o dinheiro que ele me dá para comprar uma casinha nem que for pequena, aí estaria livre para sempre de Carl e Margo.
— Catarine o que acha de darmos uma volta? Um passeio, assim você pode ver a menina Marissol.
— Boa ideia, Lystat quero saber como andam as condições do orfanato, com a estrutura muito prejudicada, às vezes tenho medo que ele caia na cabeça das crianças.
Quando falo isso, Lystat fica pálido, achei que fosse desmaiar.
— O que houve senhor Lystat? Ficou pálido?
— A ideia de uma construção antiga cair na cabeça das crianças, me assusta.
Resolvo intimá-lo em tom de brincadeira a reformar o orfanato, já que ele é um homem de muitas posses, reformar um orfanato, não irá fazer cócegas em seu bolso e as crianças estariam em segurança:
— Senhor Lystat eu estou convivendo com o senhor durante doze meses correto? Eu tenho uma proposta para te fazer.
— Claro, é só dizer Catarine se precisa de mais dinheiro, eu não penso duas vezes em lhe dar a quantia que precisa.
— O que acha de dez milhões, senhor Lystat?
— Tudo isso? Catarine!
— Não pensa em fugir de mim se eu lhe der, não é mesmo?!
Não me surpreende a desconfiança de Lystat, afinal qualquer uma que pegasse uma quantia dessa iria desaparecer no mapa, isso sem dúvidas nenhuma, mas eu não vou fazer isso, afinal, o dinheiro não será para mim será para a reforma do orfanato.
— Senhor Lystat não é para mim o dinheiro, é para a reforma do orfanato onde a Marissol mora, como você mesmo disse a estrutura pode se abalar e cair na cabeça das crianças a qualquer momento.
— Então o dinheiro não é para você querida?
— Não esses dez milhões será para reformar o orfanato e dar uma condição de vida melhor para as pobres crianças.
— De acordo Catarine, vamos dar uma volta, e enquanto você conversa com a pequena Marissol eu vou até o banco mais próximo, eu preciso retirar a quantia para entregar para a direção do orfanato, para darem início a reforma do local imediatamente.
Saímos para um passeio e encontramos com Marissol, vestida de menino retornando do cemitério.
Ela nos olha espantada.
— Senhor Lystat, Catarine, eu não sabia que vocês se conheciam.
— É uma história um pouco longa pequena um dia eu te conto.
Enquanto conversamos, Lystat saiu e nos deixou a vontade, provavelmente foi ao banco mais próximo tirar o dinheiro para entregar para os diretores do orfanato.
Um deles, Theo, eu conheço bem é meu amigo de infância, sempre tenta me cortejar, mas nunca lhe dei ousadia, embora ele sempre tente duas investidas se sucesso, já a mulher, não tive ainda a oportunidade de conhecer.
Lystat retorna em um piscar de olhos e caminhamos até o orfanato, Marissol entra pela saída secreta e nós damos um tempo para que ela entre e tocamos o grande sino para que um dos diretores venha nos atender.
Theo se aproxima do portão segurando uma lamparina.
— Catarine, não acha que é tarde para que você venha bater a porta do orfanato.
— Boa noite Theo, eu vim com o meu amigo Lystat, ele tem interesse em ajudar o orfanato com uma reforma.
Theo arregá-la os olhos, incrédulo, o que faz Lystat abrir a pasta que está em sua mão.
— Meu jovem aqui tem dez milhões, acredito que de para reformar o orfanato e, ainda, trocar o dormitório das crianças.
— Mas por que está doando essa grande quantia para o orfanato?
— Me apavora a ideia de que essa estrutura pode desabar em cima das crianças que aí residem.
Theo pega a pasta com a enorme quantia em dinheiro e agradece a Lystat.
Que resolve dar uma saída, dizendo que voltará em menos de meia hora.
Fiquei no portão do orfanato conversando com o Theo.
— Catarine andava sumida, fazia algumas semanas que eu não lhe via, e da onde surgiu esse seu amigo o Lystat ele é muito estranho, você não acha não?
— Como você sabe Theo, eu tenho que manter o padrão de vida daqueles dois abusadores, sendo os meus padrastos.
— Eu sei, mas também disse que você poderia vir trabalhar aqui no orfanato, assim não precisaria conviver com aqueles dois, pois aqui além de um salário você teria morada.
— E teria você me cortejando Theo, sabendo que não levará a lugar nenhum.
Theo sorri de canto, mas seus olhos mostram para mim a tristeza que ele está sentindo ao ver que não adiantará ele tentar me conquistar.
— Bom eu sempre fui da seguinte opinião, Catarine, que a gente não perde nada tentando.
E quanto a Lystat a história é longa, quem sabe um dia eu te conto.
— Ele é seu namorado, não é Catarine?
Sinto amargor nas palavras de Theo, não vou mentir para ele, afinal Lystat não é meu namorado e sim um amigo, mas como Theo é um rapaz teimoso eu apenas digo:
— Deixo a seu critério a resposta para essa pergunta, Theo.
Ele abaixa a cabeça e sei exatamente o que ele está pensando, que Lystat é meu namorado, mas é melhor assim, dessa forma ele não alimenta esperanças em ter um relacionamento comigo.
Lystat retorna de sua saída e dá as últimas instruções ao Theo quanto a reforma do local.
Theo escuta com atenção e dá a sua palavra que dará início as reformas assim que o dia raiar.
— Catarine, você ficará encarregada, durante o dia, visitar o orfanato para me deixar a par do andamento da reforma quando nos vemos a noite.
Penso ser estranho isso, afinal, Lystat pode fazer isso por conta própria.
Mas não questiono, afinal será um prazer passar toda manhã pelo orfanato.
Caminhamos até a minha casa, Lystat reforça o convite:
— Catarine vem morar comigo, ficará livre se seus algozes.
— Eu prometo que vou pensar com carinho Lystat.
— Está bem, mas pense com carinho.
Lystat me dá um beijo na bochecha e eu sinto meu coração bater mais rápido, pois ninguém foi tão carinhoso e empático comigo como ele está sendo.