Tenho a impressão que alguém observou toda a ação de Catarine para aumentar o meu tempo de vida na terra, não tenho ideia de quem seja mais isso está me deixando extremamente irritado.
— O que foi amor?
— Já faz algum tempo que eu sinto que estamos sendo observados Catarine e eu não tenho ideia de quem seja o t**o que resolveu, monitorar a vida de um ser amaldiçoado como eu.
— Lystat meu amor, pode ser uma tola afinal.
— Como assim, meu amor?
— Você disse que Jade te transformou em vampiro por não ter seus sentimentos, correspondidos por ela, o que te garante que quem nos observa é ela?
Realmente não se passou pela minha cabeça que Jade fosse capaz de me seguir, mas vindo de uma mulher com o orgulho ferido, não posso duvidar de mais nada.
— Pode até ser que seja ela Catarine, mas com qual motivo, minha linda?
— Talvez ela queria ver você definhar gradualmente Lystat.
Maldita Jade, e o que me deixa com mais raiva é que Catarine tem razão, essa mulher realmente pode estar monitorando todos os meus passos, mas quando ela pretende se revelar? E o que ela quer afinal?
Decido deixar de pensar em Jade e focar na mulher que está a meu lado.
— Não se preocupe, Lystat vamos encontrar uma saída.
— Como eu disse, eu não posso quebrar a maldição, segundo o livro de minha mãe, só a bruxa ou o bruxo que a lançou é que pode quebrá-la.
— Vamos, sim, minha linda encontrar uma saída para esse pequeno problema meu.
Mas se só a Jade pode quebrar a maldição, isso ela não fará, eu conheço muito bem a bruxa que um dia foi uma grande amiga.
— Lystat como estão indo às coisas no orfanato, visto que toda a noite você vai fiscalizar as obras.
Que cabeça a minha, com tanta coisa sendo executada ao mesmo tempo, e os estudos de Catarine, no ato de alquimia e feitiços, eu acabei esquecendo de contar que o orfanato está quase pronto.
— Está quase pronto, já não oferece mais risco para as crianças e para as pessoas que ali trabalham.
— Só falta pintar e eu pedi que o Theo comprasse uma tinta clara de preferência, ali é um orfanato, não uma prisão, a cor tem que ser alegre por que lá abriga crianças e não prisioneiros.
Catarine não esconde a felicidade, afinal lá está a menina que se veste de menino para ir visitar o túmulo de seus entes queridos.
— Tenho saudade de Marissol, Lystat.
— Podemos ir vê-la se quiser a noite está longe de acabar.
— Espere um pouco, vou arrumar os cabelos, esteve ventado muito e acho que eles estão bagunçados.
Um pouco devo admitir, mas como seus cabelos são tão dourados quanto o ouro, eu vejo os fios que escapam do penteado como os raios de sol.
Rapidamente Catarine se arruma e saímos, a noite está fresca em Candem tom, e para os casais está uma noite linda para passear e namorar um pouco.
Andamos de mãos dadas e esperamos a pequena mínima no mesmo lugar em que a vi pela primeira vez.
Aguardamos algumas horas, não sei ao certo quanto tempo e a avistamos.
Ela de longe nos reconhece e corre feliz para nós.
Seus cabelos escapam da boina.

— Pequena criança, quanta saudade eu tive de você.
— Eu também Catarine de você e do Lystat.
— Sabe, as coisas no orfanato melhoraram muito depois da reforma e o Theo disse que depois que for pintado o orfanato vai ficar ainda mais bonito.
— Que bom pequena criança, fiquei feliz agora.
— Catarine por que não foi mais nos visitar, as crianças sentem a sua falta.
Essa pergunta da pequena Marissol, e fez lembrar do que Theo fez a Catarine e isso para mim é imperdoável, e eu não sei ainda o porquê eu não cravei as minhas presas no pescoço daquele homem.
— Pequena Catarine trabalha demais no comércio do Jorge do frango, mas assim que encontrarmos um tempo, podemos ir visitar a você e a todas as crianças.
Marissol sorri e me abraça, agora arrumei para minha cabeça, pois sozinha no período da manhã eu não deixo Catarine ir, tenho medo que o Theo invista contra ela novamente.
— Não se preocupe, eu e Lystat vamos combinar como vamos fazer para ir visitar as crianças, por enquanto pequena não diga nada a seus amigos, eu posso não encontrar tempo no trabalho, e se eu não aparecer pode causar tristeza as outras crianças.
— Está bem, Catarine, eu não direi nada para os meus amigos.
As duas se abraçam e eu e Catarine acompanhamos a pequena até o orfanato para que ela não vá sozinha.
— Aqui estamos, pequena, melhor você entrar.
A menina nos abraça e entra por sua passagem secreta que com a reforma não foi mexida, sabendo que essa menina sai para visitar o túmulo de seus pais, eu tive o cuidado de não deixar ninguém mexer nessa passagem usando um feitiço de ocultação.
— E agora Lystat como vamos resolver a visita às crianças?
— Durante o dia você não vai me deixar ir, por receio do Theo me agredir, e a noite...
— A única saída minha linda é visitarmos as crianças a noite, assim eu estarei próximo de você e o Theo não irá investir contra você.
Catarine me olha espantada com a solução que rapidamente arranjei.
— Se é assim vou encomendar com O Jorge o mais gostoso frango que ele consegue fazer, não podemos chegar no orfanato sem algo para agradar às crianças.
— De acordo minha linda e eu vou para a nossa terra natal colher frutas, as frutas de lá são mais saborosas.
Catarine me beija os lábios e acaricia o meu rosto.
— Então estamos combinados, Lystat.
— Falta só nós marcarmos a data da visita.
— Isso você pode deixar comigo, amanhã a noite quando vier visitar o orfanato eu marco com o Theo.
Voltamos para casa de mãos dadas, eu senti que alguém nos observava, olhei na direção que vinha a impressão e vi uma pessoa correndo, reconheci o cheiro de Jade.