QUATRO: Ômegas Não São de Vidro

4157 Words
— Vai saber quando chegarmos lá. Como prometido, Lucas havia saído com seu irmão. Mas a verdade era que ele sabia que havia algo de muito errado com SiCheng, o ômega era inocente demais, algo que não estava fazendo bem para ele. SiCheng precisava conhecer mais coisas, ver o mundo e principalmente se desapegar de coisas que sua própria cabeça havia criado. O mundo era bem mais do que quatro paredes, um quintal e Yuta. — O papai não vai ficar zangado? — O papai nunca fica zangado com você. O ômega não parava quieto, e YukHei tinha certeza que a qualquer momento ele poderia muito bem cair do cavalo, SiCheng era muito inquieto, e ficava animado demais quando o assunto era sair de casa. Lucas não podia tirar a razão do pai sobre não querer que SiCheng saísse sozinho, e em alguns momentos poderia culpar a si mesmo, sendo que quase nunca tirava um tempo para sair com ele. Já deveria ter feito aquilo há muito tempo. Desceu do cavalo e tirou o mais novo de cima dele. Era impossível que SiCheng não reconhecesse a casa da família do líder assim que a visse. Era a maior do vilarejo. Não entendia o motivo de estarem entrando como se fossem íntimos da família, ele havia estado ali umas poucas vezes e sabia que seu omma era bastante amigo do ômega do líder, só não sabia que sua família tinha passe livre para entrar ali quando quisesse. Aparentemente Lucas conhecia bem a casa, andando livremente por ela e indo em certa direção. Pararam diante de uma porta. — Chittaphon. — ouviu quando seu irmão chamou alguém. Não demorou nada para que alguém aparecesse, um ômega que SiCheng já conhecia de vista, mas nunca foi de conversar ou se aproximar. — Quem é vivo sempre aparece. — o ômega comentou ao avistar Lucas parado na porta — Nossa! — Wow! — outro ômega colocara a cabeça para fora do quarto, tendo essa reação ao encontrar SiCheng ao lado do alfa. Era comum quando as pessoas olhavam para SiCheng mais de perto, notando que até os seus detalhes continham perfeição. Em cada pedacinho, SiCheng era incrivelmente bonito. — Olá Chittaphon, Taeyong. —  cumprimentou — Este é meu irmão, SiCheng, vocês já o conhecem, ele pode ficar um tempinho com vocês? Acho que meu irmão precisa ter boas conversas entre ômegas. Não precisava explicar que tipo de conversa ele precisava ter, vindo de Chittaphon, aquele assunto chegaria mais rápido o que o esperado. Não sabia se aquilo de fato faria bem para ele, mas de todas as formas, Chittaphon era o ômega mais cara de p*u que conhecia, e que poderia conversar sobre qualquer assunto sem se sentir constrangido. A verdade era que Lucas queria que SiCheng entendesse de uma vez que ômegas não são de vidro. — Ah, claro. — Eu vou dar uma volta. — agradecia aos céus por Chittaphon ser tão sociável, tornava as coisas tão mais fáceis — Te busco mais tarde, Cheng. Depois de deixar um rápido beijo na testa do irmão, Lucas foi embora, o deixando com o filho do líder, que de ômega inocente não tinha nada, o total oposto de quem SiCheng era. — Entra, vem! — em dois segundos já estava arrastando o visitante para dentro do quarto, deixando para ele um espaço em sua cama — Eu estava trançando os cabelos do Tae, depois eu posso trançar os seus? Eles são tão bonitos. Respondeu com um aceno de cabeça.  — Você fala? — foi Taeyong quem perguntou, não queria ser m*l-educado, mas nunca vira SiCheng falando com ninguém. Nem sabia como era a voz dele. — Falo. — estava um pouco envergonhado. — Por Odin, até a voz dele é linda. — Taeyong dissera com uma expressão surpresa. Por mais que ouvisse elogios de qualquer um que se aproximasse, SiCheng sempre se sentia envergonhado, principalmente quando esses elogios vinham de outras ômegas, que não o viam como um pretendente e sim como um igual. — Então... SiCheng, — quando Chittaphon usava aquele tom, Taeyong sabia que coisa boa não viria — Como é ser um ômega lúpus? Era uma pena que SiCheng jamais acompanharia a malícia dele. — Normal. — Você deve receber muitas capas nos cortejos de inverno. — Nunca participei, appa disse que ainda está cedo para que eu me case. Mesmo já tendo quase 30 anos, Chittaphon nunca havia participado dos cortejos, o motivo disso era o causador de seus pesadelos, todavia o ômega fazia o possível para lidar com aquilo sem entrar em pânico. A verdade era que o ômega queria ser como os outros, ser cortejado e receber muitas capas, as quais pudesse exibir por aí, para que todos soubessem que ele havia herdado a beleza de seu pai. Mas ele não podia. — Você deve receber muitos pedidos de casamento. — 26. — 26 o que? — Fui pedido em casamento por 26 famílias, tanto desta, quanto de alcateias vizinhas. — era o mais perto de uma aventura que SiCheng tinha para contar. Era notável o quanto os outros ficaram assustados com aquilo, já sabiam que ômegas lúpus sempre recebem inúmeras propostas de casamento, só não esperavam que fossem ser tantas. 26 era um número grande demais. Era até engraçado imaginar tantas famílias se estapeando para conseguirem unir suas linhagens com as de um lúpus. — E você gostou de algum deles? — Eu não me aproximava muito, não depois que um deles me levou pro quarto. — nesse momento, nenhum deles ali sequer piscava, os dois encaravam SiCheng esperando por mais daquela história — Appa disse que eu não podia deixar que eles me levassem pro quarto, porque fariam coisas ruins comigo. — E você queria? — Queria o que? — Fazer com ele. — Fazer o que? Foi somente nesse momento que uma luz pareceu ter acendido na cabeça de ambos. O tom inocente e quase infantil que SiCheng usava para falar, a forma como olhava, tudo nele exalava inocência e pureza. Nesse momento a forma como Lucas havia falado se repetiu em sua cabeça. SiCheng estava ali porque precisava estar, precisava conversar e conhecer ômegas. — SiCheng, você sabe o que é acasalar? — o Kim perguntou sem fazer nenhum rodeio. — Sei. — Você sabe que era isso que o alfa queria fazer com você, não sabe? O mais novo meneou a cabeça para o lado, ele não sabia, quando foi levado para o quarto não se passou em sua cabeça que era isso que o rapaz queria, e pela forma que olhou, Chittaphon entendeu. — Você nunca foi de conversar sobre isso, não é? — recebeu um aceno de conversa como resposta — Você acha que já conheceu alguém de quem possa gostar? Sabe, alguém por quem seu coração bate mais rápido e que você deseja muito estar perto, alguém que você quer que esteja na sua vida. SiCheng pareceu pensar, quando seu irmão lhe perguntou se ele gostava do Yuta, sua resposta foi como um óbvio, depois de ver tantos alfas sendo rejeitados por seu pai, acreditava que o motivo era que ele já tinha alguém para casar, e por estar sempre por perto, esse alguém fosse Yuta. Mas se ele não precisava casar com Yuta, não precisava gostar dele daquela forma. — Eu não sei.       [... Doçura de Beta ...]       Lucas sentou-se ao relento, o sol estava fraco naquele fim de tarde. O alfa pensava no inverno que logo chegaria, ele ainda era jovem, todavia se sentia só. Morar sozinho em alguns momentos aparentava ser algo bom, mas quando os dias se passavam e tudo o que se via eram quatro paredes de uma casa vazia, tudo se tornava apenas isso, solidão. Sentia falta de estar em casa, de estar com seus irmãos. Talvez só precisasse se acostumar. Viu Jungwoo de longe, o beta carregava algumas coisas que pareciam estar pesadas, pois as trazia com dificuldade. Ainda ficou o olhando por alguns segundos, analisava a cena. Jungwoo claramente precisava de ajuda, mas Lucas sabia que ele não a queria. Sempre se fez de forte. Porém depois de um tempo optou por ignorar esse fato, ele não conseguiria carregar aquilo sozinho por mais tempo. Se aproximou. — Posso te ajudar, se quiser. — se ofereceu. Jungwoo não olhou para ele. — Não precisa, eu posso carregar até em casa. O beta passou por ele, mas a voz cansada entregou o quanto estava exausto por carregar aquilo. Lucas ainda ficou parado por uns três segundos, talvez estivesse pensando em uma maneira de convencer o Oh. Andou até ele, ficando em sua frente. — Eu só estou sendo gentil, está pesado, me deixe te ajudar. Jungwoo ainda soprou o ar, inquieto. Passou as coisas que carregava para os braços do lúpus, mesmo que não quisesse aparentar nenhum tipo de fraqueza, estava muito pesado e seus braços pareciam querer cair de seu corpo a qualquer momento. Em silêncio começou a andar ao lado de Lucas, que também não dizia nada. Por mais que quisesse ter uma conversa amigável com Jungwoo, o alfa sabia que nem adiantava, o beta sempre fugiria de qualquer assunto, de qualquer aproximação. E para ser ainda mais sincero, o Wu entendia o motivo dele se sentir assim, conhecia os traumas de Jungwoo, os motivos para ele ter tanto receio quanto a alfas. Mas era injusto ter receio com ele, isso qualquer um poderia ver. Chegaram à cabana onde o beta vivia com seus pais, o mesmo ainda deixou que Lucas entrasse para deixar as coisas em um lugar qualquer da sala. O alfa deixou tudo ali, caminhando até a porta para ir embora, todavia parou assim que pôs seus pés para o lado de fora. — Podemos conversar? — pediu, não olhava para ele. Jungwoo não queria, mas ao seu ver, seria falta de educação simplesmente mandar Lucas embora depois de tê-lo ajudado. Saiu de dentro de casa, fechando a portinha de baixo. Seguiu Lucas até o lado da casa, onde não havia ninguém. Aquela velha sensação sempre vinha, aquele arrepio e nervosismo quando ficava sozinho com o Wu, era como estar preso entre quatro paredes e nenhuma porta, mesmo que estivessem ao ar livre. Estava recostado à parede, quando Lucas se aproximou. Havia feito uma péssima escolha ao ficar perto da parede, não tinha para onde se afastar. — Você ficou com ele. — o alfa disse, enquanto segurava entre os dedos a pedra verde que permanecia pendurada no pescoço do Oh — Isso me deixa muito feliz. — Esqueci de tirar. — respondeu, nervoso e sentindo o ar fugir dos pulmões, Lucas estava muito perto de novo, perto o suficiente para sentir bem o seu cheiro, e notar o quão alto ele era. Em questão de altura, estar ao lado de Lucas era como se sentir um ômega, ele era bem maior do que os outros alfas, chegava a ser assustador em alguns momentos. Se não fosse o seu sorriso tão doce. — Não o tire, por favor. Era transparente o quanto Jungwoo estava nervoso, se tocasse em suas mãos veria o quanto estavam suadas. Lucas o deixava afoito, por mais que preferisse morrer do que ter que admitir isso. Mas ele sabia, os olhos do beta tremiam, sua respiração estava pesada, e para completar o Wu se aproximava cada vez mais, o provocando. Olhou para sua boca, aquele beta tinha os lábios mais rosados e bonitos que já havia visto, e saber que um dia já os tocou deixava seu corpo quente, ansioso. — É melhor eu entrar. — o disse, parecia mais com um sussurro — Agradeço por ter me ajudado, mas eu preciso mesmo entrar. Ao ver aqueles lábios se mexendo, Lucas sentia ainda mais vontade de o beijar, se dependesse apenas de si já teria o feito, mas respeitava Jungwoo. Precisava ir mais devagar com o beta, ele era como um animal selvagem e afoito. Ele tem mais medo de você do que você dele. Um passo errado e talvez o perdesse de vez. Ergueu os olhos, olhou fundo nos dele, eram olhos tão bonitos. Alisou seu rosto e sorriu pequeno, finalmente se afastando do beta, que pareceu soltar a respiração finalmente. — Se quer me agradecer, não tire o colar. Dito isto, Lucas foi embora.     [... Doçura de Beta ...]       — E desde então o Taeyong morre de amores pelo meu irmão. A conversa entre os ômegas estava fluindo muito bem, SiCheng se sentia confortável na presença daqueles dois ômegas, que pareciam bastante diferentes entre eles. Chittaphon era mais solto, falava o tempo todo e parecia não ter vergonha de nada, enquanto Taeyong era mais calado e ficava envergonhado em alguns momentos. Principalmente naquele momento. — Eu já disse que ele pode encontrar em alfa melhor, mas insiste em gostar de alguém tão merda quanto o Jaehyun. — Não fale assim do seu irmão... — o Park viera a reclamar — Ele não é tão r**m assim. — essa última parte havia saído em um tom baixo. Chittaphon poderia passar um dia inteiro listando os defeitos que havia catalogado de seu irmão, mas acreditava ser uma perda de tempo tentar explicar mais uma vez o quanto Jaehyun “não era tudo isso” que as pessoas enxergavam. Para ser sincero, Jaehyun era como um iceberg, onde todos viam apenas a ponta. — Francamente, Tae! — Pelo menos não sou eu que tenho um caso com um alfa que nunca poderá ser meu marido. — rebateu, sabia que aquela era a ferida de Chittaphon, por mais que ele não admitisse. — E quem disse que eu o quero como meu marido? — Francamente, Chitta! — De quem estão falando? — finalmente SiCheng perguntou o que tanto queria saber, o lúpus estava começando a ficar confuso no meio de toda aquela discussão dos dois amigos. Mas Chittaphon estava emburrado, aparentemente aquele assunto o deixava mexido, o evitava na maior parte das vezes. Todavia, que m*l haveria? Afinal, Chittaphon não amava Young Ho. Ou amava? — Chittaphon tem um caso com Zhang Young Ho, o conhece, não conhece? — Taeyong entregou o amigo, fora sua vingança por ele ter iniciado o assunto “paixão por Jaehyun” — Isso é um segredo. Era óbvio que Chittaphon não queria que esse assunto se espalhasse por aí, mas no meio da conversa ambos se sentiam tão confortáveis uns com os outros, que a confiança havia se tornado mútua. SiCheng lhes contara muitas coisas sobre si mesmo, e agora eles também dividiam assuntos íntimos. Como seus pais haviam feito no passado, era como se o ciclo se repetisse. — O conheço muito bem, ele é irmão do Yuta. Yuta, parecia que suas conversas teimavam em chegar nesse nome. Talvez com o tempo SiCheng fosse capaz de entender melhor, ele sabia que sentia algo por Yuta, só não conseguia destrinchar até chegar em uma resposta fixa, que pudesse dar a si mesmo. — Uma vez ele nos pegou, mas é bom em guardar segredos. — lembrava dessa história com um riso, era um episódio constrangedor demais para ficar recordando — Ele é bem bonito, já vi você com ele algumas vezes, pra falar a verdade todas as vezes que eu te vi você estava com ele, até achei que tivessem alguma coisa. Sempre com Yuta porque Yuta era o único que tirava tempo para leva-lo a alguns lugares, sempre com Yuta porque Yuta lhe dava atenção, sempre com Yuta porque Yuta o escutava. Sempre com Yuta porque Yuta gostava de tê-lo por perto, assim como ele gostava de ter Yuta perto dele. — Não posso sair sozinho, então Yuta sempre vai comigo... pra cuidar de mim. — Ele é como o seu guarda particular? — Taeyong perguntou risonho. — Eu gosto da companhia dele, e ele também gosta da minha. Chittaphon estava pronto para soltar mais uma das dele quando alguém bateu na porta e logo em seguida pôs a cabeça para dentro. Era Lucas. — Temos que ir, Cheng, já é noite. Não haviam dado conta do tempo que havia passado, provavelmente Zitao já estaria preocupado com o filho, por mais que Lucas houvesse dito que demorariam um pouco para voltar. SiCheng sempre tinha que estar em casa antes de anoitecer, era regra. — Foi bom conversar com vocês. — o lúpus o disse, se erguendo da cama para acompanhar o irmão. — Venha outras vezes. — Eu virei. — desta vez ele nem pensou para responder, queria voltar, queria conversar mais com ômegas, ficara fascinado em passar um tempo com pessoas de pensamentos e criações diferentes. Acompanhou Lucas até o lado de fora da casa, sendo colocado no lombo do cavalo para finalmente seguirem para casa. Se fosse uma escolha só sua, ficaria mais tempo com os novos amigos, lhe diria mais coisas e também perguntaria mais sobre eles. Conhecer um ômega que não tem medo de quebrar regras importas pela própria sociedade era fascinante. No começo havia apenas o silêncio, Lucas parecia estar pensando em algo e completamente perdido naquele pensamento. SiCheng com um sorriso ainda no rosto, animado demais por ter ouvido histórias tão interessantes. Ele queria viver aventuras também, finalmente se dera conta da monotonia de sua vida. — Como foi a conversa? — Lucas finalmente abrira a boca. Estava curioso, mas não queria dar essa impressão para SiCheng, ou acabaria arruinando seus planos de socializar seu irmão com outros ômegas. — Muito boa, quero voltar mais vezes. — SiCheng estava convicto, animado demais. — Te trago sempre que quiser. — ficara muito feliz em ouvir isso, pois era óbvio que Yifan não o deixaria sair sozinho assim que quisesse — Sobre o que conversaram? — Coisas de ômega. — riu-se. — E o que seriam essas coisas de ômega? Ele queria saber, seja lá o que Chittaphon houvesse colocado na cabeça de seu irmão, ele era responsável e precisava descobrir o que a cabeça de SiCheng passara a maquinar. Dependendo da quantidade, tudo era veneno. Mas o ômega pareceu se envergonhar, ficou calado por alguns segundos, até mesmo apertava as próprias coxas. — Se eu disser vai acabar ficando chateado comigo. — estava incerto, a última coisa que queria era causar algum problema com sua relação com seu irmão mais velho. — Eu nunca me chatearia com você. — isso era verdade, Lucas era incapaz de ter qualquer sentimento negativo quanto à seus irmãos — Pode me dizer, seja o que for, eu não julgo. Não julgar, era disso que SiCheng precisava. Se fosse pra ser sincero com alguém, que fosse com seu irmão, a pessoa no mundo em quem mais poderia confiar. — Ômegas podem acasalar antes de se casarem, YukHei? A pergunta veio como uma pancada em sua cabeça, o deixando desnorteado por alguns segundos, não esperava ouvir uma pergunta assim vinda de seu inocente irmão em momento nenhum de sua vida. O que diabos aqueles ômegas haviam conversado? Precisava ser sincero com ele, por mais que seu lado irmão mais velho desejasse o manter intocável, ele sabia que SiCheng merecia viver sua vida como bem quisesse, independente do que Yifan queria, independente da forma que fora criado. Yifan criou SiCheng com muito amor, mas ao mesmo tempo o criou como se fosse de cristal e que a qualquer momento e qualquer toque fosse faze-lo quebrar. E ele não era assim. — Ômegas podem fazer o que eles quiserem. — essa foi a sua resposta. SiCheng pareceu gostar, se remexera no cavalo como quem havia ficado mais animado. — Você quer? — perguntou, por mais que no fundo tivesse medo da resposta de seu irmão. — O que acontece se eu quiser? — Se o papai não ficar sabendo, ninguém morre.       [... Doçura de Beta ...]       Já era tarde, quase madrugada quando Chittaphon ouviu um barulho vindo da janela, o mesmo barulho que costumava ouvir, e que instantaneamente colocava um sorriso no seu rosto. Erguera-se da cama, indo na ponta dos dedos até a mesma e a abrindo com cuidado, e como o esperado ele estava lá. Ele sempre vinha quando retornava de suas viagens. — Sentiu saudade? — o alfa perguntara assim que seus rostos ficaram pareados um ao outro, podia sentir a respiração do mesmo batendo contra a sua boca. — Nenhum pouco. — respondeu provocativo, roçando seus lábios no do outro, antes de finalmente unirem suas bocas. O primeiro beijo depois do retorno era sempre o mais saboroso, por mais perigoso que ele era, com Young Ho ainda do lado de fora, e Chittaphon do lado de dentro. Em sua boca sempre ficava o gosto da bebida, ele dizia que precisava de uma boa dose de coragem líquida para poder pular as cercas da casa do líder e ir mexer com um de seus preciosos bens. — Eu vim te sequestrar. — sussurrou, as bocas ainda muito próximas. — Estou rendido e em pânico. Pegara impulso para pular a janela do quarto, a deixando encostada assim que passou por ela. Saíram na ponta dos pés, pulando as cercas contendo a risada, Chittaphon achava aquilo muito divertido, ser levado assim debaixo dos narizes de seus pais. Aquilo era um crime, e se Jongin descobrisse, Young Ho estaria condenado. Colocou o ômega no lombo de seu cavalo, o levando debaixo de seu capuz para longe daquela casa, passando pelas ruas mais escuras, até encontrar uma pequena a******a que havia no muro em volta da cidade, que ficava coberto por algumas plantas, ele mesmo havia feito aquele buraco há alguns anos. Aquela era a aventura de Chittaphon, a aventura que não queria perder, aquilo que tirava seu sono e o fazia ficar ansioso. Ele não amava Young Ho, ele amava a aventura que Young Ho era, apenas isso. Ou pelo menos foi isso que sempre acreditou e sempre quis acreditar, e ninguém poderia provar o contrário, afinal, ele era a única testemunha que seu coração tinha, e essa testemunha não iria condena-lo. Não podia. Caminharam para dentro da floresta aos risos, era divertido fugir para o meio do nada, onde não havia nenhuma testemunha a mais, apenas eles e seu crime, que os condenaria logo em breve, tudo sempre fora uma questão de tempo, era como estar sentado em um barco furado, vendo a água entrar sem fazer nada para impedir, como se fosse algo que sequer adiantasse. Ou que Chittaphon simplesmente gostasse da água. — Trouxe um presente pra você. — o alfa lhe disse assim que pararam próximos a uma arvores alta, o lua estava bastante clara naquela noite, podia ver bem o rosto do ômega — Fecha os olhos. E prontamente ele os fechou, logo recebendo no pescoço o colar que o alfa havia comprado para ele na viagem que fizera. Young Ho adorava comprar presentes para Chittaphon, e adorava mais ainda quando ouvia as desculpas que o ômega dava aos pais sobre de onde os presentes vinham. Era uma melhor que a outra. — É muito bonito. — disse assim que esticou para ver — Você adora me comprar com presentes. — Jamais faria isso, você pensa coisas muito erradas de mim. — respondeu cínico, fazendo-se de inocente, o ômega sempre achava aquilo engraçado — Mas eu bem que mereço uma recompensa por ser tão atencioso e sempre me lembrar de você nas minhas viagens. — De mim e de mais quantos? Os braços do alfa rodearam a cintura do menor, a apertando de leve e fazendo seus corpos roçarem um no outro propositalmente. O Kim segurara em seu rosto, descendo seus dedos pela face em um carinho, a forma como Chittaphon o olhava sempre entregava tudo o que ele pensava, o ômega sempre fora transparente quando o assunto era carne. — Você sabe que é o mais especial. — se abaixara para dizer isso no ouvido do ômega — Vamos pra cabana. Haviam umas poucas cabanas espalhadas pela floresta, a maioria servia como locais para se passar um cio, ninguém sabia quem as construiu e nem quando, mas todos usavam vez ou outra, para cio ou para desonrar o doce de alguém, o que era o caso. Haviam encontrado uma delas, e desde então usavam para as suas madrugadas criminosas, onde Young Ho o jogava naquela cama velha, o fazia ver estrelas e dizer coisas sem nexo nenhuma. Young Ho era a aventura de Chittaphon, e dessa aventura ele não queria desgrudar nunca. Era uma pena que estivesse com seus dias contados, ele sentiria falta daquela respiração quente no ouvido, daquele gemido e da forma como seu cabelo era puxado. Ele não era como Young Ho, ninguém era como Young Ho. Ele não se encaixaria como Young Ho se encaixava, mas talvez, ele pudesse ama-lo como Young Ho não o amava, Young Ho amava sexo, amava ter alguém para esquentar sua cama, era isso que ele amava. Pelo menos foi o que sempre acreditaram, ou sempre fingiram acreditar, ambos sempre foram muito bons em mentir.  
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