DOIS: A Falsa Inocência dos Ômegas

1685 Words
— Onde você estava? Jaehyun passou reto por seu tio JongDae, sua paciência não estava muito boa para discutir com ele naquela hora da manhã. Mas era perca de tempo simplesmente ignorar, o loiro continuava a andar atrás dele, com aquela expressão de quem não deixaria passar tudo de novo. — Já é um homem feito e continua sendo um irresponsável. — seu tio era quem mais batia naquela mesma tecla, ao qual todos já estavam cansados de bater, como se não passasse de um desperdício de tempo — Deveria ter chegado mais cedo, os pedidos estão atrasados, todos estão fazendo o possível para cobrir isso, enquanto você só perde tempo com as suas noitadas. — JongDae continuava a falava, enquanto empilhava algumas coisas dentro de um caixote de madeira — Leve essas coisas para o porto, e vá logo antes que partam! Sem dizer nenhuma palavra, o alfa mais novo catou o caixote pesado em mãos, passando reto pelas outras pessoas que estavam por ali, ignorando a presença deles. Ele já sabia o que se passava em suas cabeças, não se importava com isso, estava muito mais preocupado em curar a sua dor de cabeça. Poderia ter usado a carroça, mas estava com pressa e precisava caminhar um pouco, optando por ir andando até o porto, que não ficava muito longe dali. Não demorou muito para avistar de longe o barco de Yifan, a quem sua família confiava suas mercadorias á muito tempo. Wu Yifan era um alfa lúpus muito respeitado pelos demais comerciantes, não apenas por ser um lúpus, mas também pela sua índole e boa fama, além de sempre ajudar estrangeiros, os empregando em algum de seus barcos. Jaehyun já conhecia toda a família Wu, principalmente por seu pai ser primo de Zitao, ômega de Yifan, e dessa forma suas famílias possuírem laços de sangue. E também havia um detalhe em especial: Wu SiCheng, o filho ômega de Yifan, que mesmo estando sempre ali as vistas de todos, era tão bem guardado e protegido que nenhum alfa podia chegar perto. O que incluía Jaehyun. — Você já sabe o destino dessa. — foi o que disse, com seu típico sorriso no rosto, assim que colocou o caixote sobre alguns outros que estavam sendo empilhados próximos ao barco principal. — Veja se não é o filho do nosso líder. — YukHei se abaixou em uma reverencia exagerada e em meio a um riso baixo, como costumava fazer sempre que se encontrava com Jaehyun — Não se preocupe, a mercadoria da família real é sempre nossa maior prioridade! O mais novo revirara os olhos, YukHei nunca se cansava daquilo. — Não foi ao meu aniversário, houve algum problema? — Seu pai não curte muito a minha presença na sua casa. — respondeu simplesmente, procurando com os olhos o motivo que fazia Yifan querer tê-lo longe, e o avistando sentado no alto dois caixotes, com um sorriso simples e os cabelos soltos pelos ombros — Logo eu, que sou tão inofensivo. YukHei procurou o que o outro tanto olhava, percebendo ser seu irmão SiCheng, que era inocente demais para notar a forma lascívia que Jaehyun olhava para ele sempre que estava sob as vistas. Ele não era o único que o olhava assim. — Claro, um cordeiro inofensivo. — interrompeu os olhares de Jaehyun, batendo em seu ombro com uma força exagerada, o obrigando a mudar a vista para o seu rosto — Volte pro seu trabalho, príncipe, e não fique olhando assim pro SiCheng, ou vai acabar perdendo os olhos. Um simples empurrão de YukHei era o suficiente para desequilibrar Jaehyun, o fazendo sair de sua frente, enquanto o lúpus fazia seu caminho até onde seu irmão estava sentado. Yifan permitia que SiCheng ficasse por ali por perto, mas sempre estando sobre a vigia de alguém, e não podendo passar muito tempo. YukHei sempre vigiava seu irmão, e isso em todos os lugares, deixar SiCheng sozinho era um perigo para o próprio ômega, como já havia acontecido em outras vezes que o mesmo havia saído sozinho para caminhar, e acabara sendo atacado por alfas jovens que sequer sabiam se controlar. Se aproximou dos caixotes em que o menor estava, logo passando as mãos ao redor de sua cintura para o tirar de lá. — Hora de ir pra casa, Cheng. — foi o que disse, enquanto tirava o mais novo e o colocava no chão. — Mas eu queria ver vocês partirem. — protestou, com aquele mesmo bico que ele sempre fazia, mas eles já estavam acostumados com os truques do ômega — Eu sempre tenho que ficar em casa enquanto vocês viajam por toda parte, isso não é justo! O mais alto passou a mão entre os fios loiros do irmão, entendia o lado de SiCheng, todavia não podendo fazer nada para mudar, deixar que o ômega saísse para todos os lugares que quisesse ir seria perigoso demais, principalmente quando o assunto era entrar no barco, coisa que SiCheng sempre quis e Yifan nunca deixou. — Sem chorar dessa vez, Cheng, já sabe como o Appa fica. Sem ter nenhum tipo de escapatória, o ômega acabou seguindo YukHei, sequer podia ir para casa sozinho, sequer podia ficar ali com os outros ômegas vendo suas famílias partirem ou chegarem, ele sempre tinha que ser levado para casa por alguém antes. E isso aos olhos de SiCheng era muito injusto. Ainda estava com os olhos baixos quando o mais alto parou de andar, ambos já haviam se afastado um pouco mais das outras pessoas, e estavam próximos onde se guardavam os cavalos, e não demorou muito até SiCheng se dar conta do motivo do mais velho ter parado. — Yuta te levará pra casa, obedeça ao Omma enquanto estamos fora, e não saia sem ele. — disse, enquanto se abaixava para beijar o alto da cabeça do loiro e lhe dar um abraço rápido — Vou sentir sua falta. — Eu sei de quem é que você vai sentir mais falta. — o mais novo brincou, antes do irmão dar as costas e voltar para o barco. Ficou parado ao lado do cavalo, enquanto via o rapaz ajeitar a cela, e por fim apenas abriu os braços e deixou o que o alfa o colocasse sentado sobre o cavalo, pois era baixo demais para conseguir subir sozinho. O alfa foi caminhando ao lado enquanto conduzia o animal até mais para longe dos outros, até por fim para-lo para que pudesse subir também, ficando atrás do ômega loiro. SiCheng era tão pequeno perto de Yuta, que sequer dava para vê-lo por certo ângulo. — Isso não é justo, Yuta. — o menor murmurou após alguns segundos em silêncio, um silêncio que ele próprio julgava ser muito chato. — O que não é justo? — Vocês estarem sempre viajando, eu queria ir também. — sua voz sempre ficava mais fofa quando estava com raiva de alguma coisa, o que era bem nítido para quem o conhecia — Mas sempre tenho que ficar em casa com o Omma, e ele nem me deixa sair sozinho, nem para dar uma voltinha. — Sabe que não pode sair sozinho, não seja teimoso. — Mas os outros ômegas saem sozinhos! — respondeu quase gritando, detestava ser chamado de teimoso, por mais que fosse muito. — Com você é diferente.   — Diferente como? O alfa sempre acabava se enrolando quando deixava SiCheng continuar com aquele assunto, eles já haviam tido aquela mesma conversa diversas vezes, mas parecia perca de tempo tentar fazer aquela explicação entrar na cabeça do ômega, que continuava querendo a mesma coisa. — Você é mais desejado que os outros. O menor franziu o cenho, ele nunca havia recebido uma resposta assim, sempre lhe diziam “seu cheiro é mais chamativo” ou “Você é bonito demais”, ou até mesmo um “Você chama atenção demais por ser lúpus”, mas em momento algum falaram sobre desejo. SiCheng ainda era inocente demais para entender certas coisas, especialmente por ninguém nunca querer conversar sobre isso com ele. Na cabeça de seu omma, Zitao, ainda era cedo demais, por mais que o ômega já tivesse 23 anos, se aproximando da melhor idade para se casar. — Eles querem acasalar comigo, Yuta? A pergunta de SiCheng fez o alfa sentir algo quente em seu estômago, a forma inocente como o mesmo perguntava as coisas sempre acabava deixando a cabeça de muitos confusa, e no fim das contas ninguém sabia se o menor fazia aquilo por não se dar conta das consequências, ou porque gostava de ver a forma como as pessoas reagiam. E o alfa não conseguia mais ser discreto quanto aquilo. — Eles querem, SiCheng. O ômega ficou em silêncio pelo restante do caminho, parecia pensar em alguma coisa muito importante para ele, até que o cavalo parasse próximo à casa de sua família. Yuta desceu primeiro, o ajudando a descer logo depois, mas antes que pudesse subir no animal e voltar para o porto, teve sua mão segurada pela pequena mão de SiCheng. — Você também quer? Foi a primeira vez que viu o alfa sem reação nenhum, seus olhos o encararam por alguns segundos, antes de desviar seu foco para qualquer outra coisa que não fosse o ômega parado à sua frente. — Entre, vou ficar vendo daqui. O ômega ainda fez menção de se aproximar do mais alto, mas acabou desistindo e foi correndo para sua casa, ainda parando na porta depois, para ver se o mesmo ainda estava lá o olhando, acenou para ele e logo em seguida entrou na casa, e sabia muito bem que Yuta conseguia enxergar o brilho em seus olhos, e estava focado nele o suficiente para ouvi-lo dizer um simples “sentirei sua falta, Yuta”, e por fim, fechar a porta. SiCheng estava começando a fazê-lo perder a razão, justo ele, que sempre fora tão bem equilibrado, assim como seu pai Yixing. Zhang Yuta estava começando a desejar Wu SiCheng, o ômega lúpus que prometeu que protegeria, mas ele estava começando a fazer parte desse perigo.    
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