DEZ: Aos Deuses Rogo Por Ti

2150 Words
Quando aquelas mãos tocaram as suas, Chittaphon sentiu um calafrio na espinha, era como um mau presságio. O alfa se portava de maneira séria, não o vira dar um único sorriso desde que chegara, não só o rapaz, mas ele próprio não havia sorrido em um único instante. Se encolhia contra a própria barriga, Taeyong também não havia saído de perto, os dois trabalhavam na tentativa de esconder o cheiro da gravidez do Kim, que seria facilmente notada por seus pais. — Veja, Kyungsoo, um casal perfeito. — a ômega mãe de Kunhang parecia encantada com a cena, ela aparentemente era a pessoa mais feliz com aquele casamento. Kyungsoo conseguia ver que a felicidade de seu filho era fingida. — Partiremos ao amanhecer, a alcateia está ansiosa pelo casamento de Kunhang, e meu marido quer que ele se torne o líder o mais breve possível e um filho é a melhor maneira de ganhar ainda mais a confiança de todos. Ainda havia esse detalhe e******o, Chittaphon sentia medo de tornar-se uma mera parideira para o seu marido, isto é, se aquele casamento realmente vingasse, certamente que assim que Kunhang descobrisse sua gravidez o rejeitaria, poderia até mesmo o agredir até matar a criança ou o próprio Chittaphon. Tinha medo, muito medo e seu único plano era fazer com que o alfa acreditasse que aquele filho era dele. Era vago, mas seu único plano e precisava colocar todas a sua sorte nele. Taeyong lhe implorara para que contasse a verdade, mas o Kim parecia irredutível quando a sua decisão de seguir em frente com aquilo, era loucura, ambos sabiam. O medo não podia ser evitado, era tão presente que quase conseguiam sentir o cheiro. Kunhang era dono de uma beleza simples, mas composta por traços duros, ao contrário do rosto quase de anjo que Young Ho tinha, precisava pedir muito aos deuses para que a criança que carregava fosse ômega e possuísse apenas seus traços, pois se um alfa nascesse, a probabilidade de vir com os traços marcantes da família Zhang era ainda maior. Estava em apuros, aquela criança poderia ser a cópia exata de Young Ho, assim como Young Ho era de Yixing. — É melhor que todos descansem, já está tarde e vocês partirão muito cedo. — Kyungsoo dizia enquanto com um sorriso um tanto nervoso tirava Chittaphon de perto do alfa. Assim como foi dito, todos seguiram para os quartos onde passariam aquela noite, tanto os da casa quanto os que haviam vindo com o Wong. Taeyong foi junto para o quarto de Chittaphon, seria a última noite que passaria perto de seu tão amado amigo. Os dois ômegas pareciam estar em completo caos, principalmente Chittaphon, que mais se parecia com quem iria chorar a qualquer momento. — Ele tocou apenas em meus dedos e eu senti como se meu mundo fosse acabar ali. — o ômega Kim desabafara, estava apavorado — Estou com medo, Tae, muito medo. O ruivo sentou-se na cama, estava com quanto medo quanto o outro, além de sentir-se um pouco inútil. Ele poderia acabar com tudo aquilo, poderia contar tudo para Jongin e fazer aquele sofrimento todo acabar, mas fora fraco no momento em que o Kim lhe pedira para fazer uma jura de que não falaria nada para ninguém. Juras assim não podiam ser quebradas, era trariam ainda mais problemas, atrairiam a fúria dos deuses. — Ainda há- — Eu não vou contar! — o interrompeu antes que continuasse, o Park sempre dizia a mesma coisa — Tenho mais medo do meu pai obrigar Young Ho a casar comigo, será o mesmo casamento infeliz, ele não me ama, me abandonou, essa é a maior prova disso e eu não suportaria viver ao lado de alguém que foi capaz de virar as costas pra mim em um momento desses. Em partes Taeyong conseguia ver que o maior motivo de Chittaphon era a mágoa, ele amava Young Ho e fora abandonado por ele, a ideia de tê-lo por obrigação conseguia ser ainda mais assustadora. Chittaphon merecia amor e não migalhas, ele ainda contava com a chance de os deuses serem bonzinhos com ele e trazerem amor ao coração de Kunhang. Era sua única chance. — Era nessas horas que eu queria ser um alfa, sabia? — Chittaphon deitou a cabeça no colo do amigo, que passou acariciar seus cabelos — Se eu fosse um alfa poderia me casar com você, Chitta, eu te levaria para bem longe e você não teria que se casar com nenhum estranho. — Obrigado, Tae. — Pelo que? — Por estar comigo em um momento desses, eu vou sentir muito a sua falta. A saudade certamente seria uma das que mais judiariam de ambos, a ideia de que no dia seguinte teria que dar um último adeus para Taeyong era muito triste. Voltaria para visitar a alcateia apenas poucas vezes ao ano, seu marido seria o novo líder da alcateia dele, ele não poderia se dar ao luxo de estar sempre saindo dela, provavelmente só poderiam visitar a alcateia de Chittaphon uma ou duas vezes ao ano. Ouviu-se um batido leve na porta e em seguida alguém entrando, era Kyungsoo. — Filho, podemos conversar? O Kim mais novo ergueu-se do colo do amigo, a expressão tristonha não pôde mais ser oculta. Kyungsoo se sentou em uma das pontas da cama, recebendo logo em seguida seu filho em seu colo, Chittaphon não tinha mais nenhuma força para esconder a sua vontade de chorar. — Omma, não quero ficar longe do senhor. — isso não deixava de ser verdade, por mais que o mesmo houvesse dito aquilo na tentativa de disfarçar o motivo real de suas lágrimas. O pavor. — Existem mais motivos para as suas lágrimas, não existem? — foi direto ao perguntar, enquanto alisava o rosto do mais novo — Filho, estou preocupado com você, tem se recusado a conversar comigo, está escondendo alguma coisa de mim, eu sei disso. — Omma. — usou de uma manha enorme naquele momento, era sua melhor maneira de disfarçar — E se Kunhang me tratar m*l? — Eu tenho ouvido coisas muito boas à respeito daquele rapaz, se esse é o seu medo eu sugiro que não se preocupe, ele tem uma boa fama. Boa fama, do que isso valeria para ele? Young Ho também era dono de uma boa fama e mesmo assim ignorou todos os seus recados, o deixou como se não tivesse significado nada para ele. Era inútil usar isso como forma de perder o medo, mas também era inútil continuar com aquela conversa, não era como se Kyungsoo pudesse resolver tudo naquela altura dos acontecimentos. Não dava mais para voltar atrás. — Estou com sono, omma, nos despedimos ao amanhecer, tudo bem? O mais velho assentiu, por fim deixando os dois ômegas mais novos sozinhos no quarto. Chittaphon se esparramou pela cama, fechando seus olhos. Não tinha mais nada a ser feito, apenas aceitar seu destino e rogar aos deuses por proteção. Taeyong acariciou seus cabelos até que o Kim dormisse, pelo menos a uma noite de sono em paz ele tinha direito, pois não saberia mais quando o sossego estaria em sua vida de novo. — Que os deuses o protejam, meu amigo. — o mais sussurrou para ele quando Chittaphon finalmente dormiu. Mas o Park não dormiu. Catou a vela que estava acesa no canto do quarto e saiu pelos corredores. Seu destino? O quarto de Jaehyun, o único que poderia fazer alguma coisa para amenizar o medo do ambos. Sabia que convencer o alfa seria um assunto complicado, mas não poderia desistir de ajudar o amigo. Pelo menos aquilo ele teria que fazer, era por seu irmão. Não bateu na porta, as batidas poderiam acordar mais alguém além dele e ser pego na porta do quarto de um alfa tarde da noite não pegaria bem para ele. Entrou, encontrando Jaehyun dormindo descoberto pelo calor, com a luz da vela ele podia ver o quanto as costas nuas do mais alto estavam suadas. Prendeu a respiração por um momento, havia se esquecido de como se sentia quando estava perto dele. — Jaehyun. — chamou seu nome em um sussurro — Jaehyun, acorde. Ele não demorou a acordar, virando-se para o ômega, sua expressão era de susto e por um segundo Taeyong jurou ter visto um pequeno sorriso em seus lábios. — Taeyong? — Preciso de ajuda e você é o único que pode ajudar. — a voz do ômega parecia um pouco desesperada, seus olhos também. O alfa se sentou na cama, tendo Taeyong ainda em sua frente, de pé. — O que houve? Taeyong logo notou que Jaehyun estava estranho, o alfa estava sendo compreensível, em outro momento ele teria o ignorado ou o mandado ir embora. Era estranho, o ômega já havia ido sob o aviso de que teria que implorar por ajuda, mas o Kim estava apenas sentado em sua cama sem reclamar de nada, esperando para ouvi-lo. — Ah... — até perdera a fala pela surpresa — Estou com medo de que o noivo de Chittaphon o machuque, sabe, ele pode estar apenas fingindo ser bom, eu queria te pedir para segui-los, sem que eles soubessem e passar alguns dias vendo como é a vida deles juntos... só para garantir de que ele vai ficar bem. Por alguns segundos o alfa ficou em silêncio, provavelmente estava pensando, Taeyong tinha medo de que ele não aceitasse com facilidade, Jaehyun era uma pessoa difícil de se lidar. — Taeyong, você está exagerando. — ele disse — Chittaphon vai ficar bem com o marido dele, não há nenhum perigo. O ômega deixou a vela sobre uma mesinha, arriscando se sentar na cama ao lado do alfa, esperou por qualquer reação negativa de Jaehyun, que não veio. — Por favor, eu estou com medo. — Vou pensar. — Pense com calma, é da segurança do seu irmão que estamos falando. O ômega não quis insistir mais, acabaria fazendo Jaehyun perder a paciência. Ergueu-se para sair do quarto, pegou a vela e foi até a porta, vendo que Jaehyun ainda o olhava. Ele estava muito estranho, mas por hora não reclamaria, aquilo parecia bom. Mas o que mais o deixava sem resposta naquele momento, era aquela felicidade confusa que sentia só de estar perto dele. Era diferente da paixão. O ômega retornou ao quarto de Chittaphon, não saindo de lá até o amanhecer. Ainda era muito cedo quando todos levantaram, prontos para seguirem caminho de volta. Chittaphon estava ainda mais nervoso e a ponto de dar um escândalo enquanto suas coisas eram colocadas nas carruagens. Seu coração estava quase saindo pela boca, o desespero era presente em seus olhos. Abraçou todos antes de subir na carruagem que dividiria com seu noivo, demorando muito para solta-los, era como se agarrasse últimas esperanças de que pudesse ficar mais um dia, que fosse ficando e ficando, até não precisar ir mais. Era horrível a ideia de abandonar sua antiga vida. O último abraço fora de Taeyong, que sussurrou em seu ouvido que estaria com ele enquanto houvesse vida e até depois dela, que eles seriam amigos para sempre e que nem a distância era capaz de separá-los. Chittaphon subiu na carruagem, dando um último adeus com as mãos. Ele estava a ponto de chorar. Todos voltaram para dentro e ao invés de ir embora Taeyong seguiu Jaehyun até seu quarto, entrando junto com ele. — Você irá, não irá? O alfa pareceu dar um suspiro. — Não acho que isso seja necessário. — o disse, ainda de costas para ele, permanecia parado — Mas eu... Eu não consigo negar nada para você. O ômega piscou os olhos, ficara ainda mais confuso. Se aproximou mais das costas de Jaehyun, conseguia ouvir uma respiração descompassada vir do mais alto, até ele subitamente se virar para ele e segurar sua mão, Taeyong ficou ainda mais confuso com esse ato. O Kim levou a mão do menor até seu peito, a repousando ali. Iria perguntar o que estava havendo, mas perdeu a fala no momento em que sentiu as batidas desesperadas do coração do alfa. Ficou em choque. — O que você fez comigo? A pergunta o atordoou, os olhos de Jaehyun estavam estranhos, nunca o viu olhar daquela maneira para ele, quase em desespero. — Eu não fiz nada com você. — Meu coração bate assim sempre que chego perto, sinto uma vontade absurda de te beijar, de te tocar. — o alfa segurou nas laterais do rosto do menor, se aproximando do mesmo na intenção de unir seus lábios, mas Taeyong foi mais rápido em se afastar. Estava assustado, não esperava por isso. Ficara de costas para ele, completamente atordoado. — Eu não sei o que está havendo com você. — disse o ômega — Mas não se esqueça de que me tratou m*l a vida toda, porque eu não esqueci, Jaehyun.
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