Sombra Narrando Acordei com o barulho dos fogos pipocando lá fora. Já sabia que era os pivete avisando geral que hoje era meu dia. Aniversário do chefe. O dono do morro. Levantei devagar, joguei o pé no chinelo de grife e fui direto pra cozinha, que o cheiro do feijão gordo já tava no ar. Minha velha tava lá, panelão no fogo, mexendo com aquela paciência dela. Minha irmã botava a mesa e o muleque dela corria de um lado pro outro com uma camisa minha, como se fosse uma bandeira. Uma verdadeira invasão. Samara: Olha ele aí, o rei do pedaço! - minha irmã falou, zoando. Ri de leve, fui até minha mãe e dei um beijo na testa dela. Sombra: Hoje é dia de festa, né, mãe? Quero ver a senhora sorrindo. Ela suspirou, mas sorriu de canto, daquele jeito dela. Eu sabia que no fundo ela não curtia

