Capítulo 44

914 Words
Sumayla sorriu irônica, intrigada. — Olha só, mais uma vira-lata sem controle na vizinhança. Zay foi indo até o portão, perto de Rick. — Não a vimos. Se passou por aqui, foi por vontade própria e não ficou. Nilufer foi saindo, encarando Sumayla. — Desculpa por estragar o seu brinquedinho. Se aproximou do portão, também encarando Zay. Eles podiam sentir o quanto ela estava hostil, era uma ameaça que demonstrava a intenção de causar problemas. Rick agradeceu, perguntou se ele poderia avisar caso visse Kaya. Zay respondeu irônico: — Em nome dos velhos tempos? Pode deixar. Nilufer foi saindo na frente, confusa. — Estão mentindo. Você não sente o cheiro dela também? — E se a prenderam, machucaram? Rick garantiu que não iriam fazer nada assim, até porque lá era o lar deles, com crianças e tudo mais. Comentou que Sumayla odiava a todos que não fossem apenas bruxos, mas era alguém do bem, na medida do possível. Impaciente, Nilufer quis ir para a cidade. Continuou ignorando a mãe. Foram de carro, ela quis passar na casa delas para olhar. Foi entrando pelos fundos, ainda confusa com o olfato. Percebeu que tinha mais alguém lá perto. Lorian estava em cima do barranco observando tudo, transformado em lobo. Ficou intrigado olhando Nilufer tão diferente em poucos dias. Ela o viu e ficou encarando hostil. Rick estava entrando na casa. Sentiu o cheiro de Kaya e ouviu barulho vindo do quarto. Também teve receio de que ela tivesse feito algo errado. Abriu a porta apreensivo. Kaya estava presa, dormindo sentada, encolhida no chão. Acordou no susto, desorientada, com medo. Ele pôde sentir. Se aproximou rápido, com dó, abaixou arrebentando a corrente. — Vai ficar tudo bem! Não precisa ter medo. Kaya ficou sem reação, encolhida. Nilufer estava entrando, se aproximou nervosa. — O que aconteceu? Você tá bem? Se abraçaram. Kaya começou a chorar, sentida, pedindo desculpas. Disse que não queria atrapalhar nada. Nilufer sorriu, enxugando suas lágrimas. — Você não atrapalha nada. O que aconteceu ontem? — Já sei de tudo, sobre o que somos. Ela te prendeu aqui, não foi? Confusa, Kaya balançou a cabeça que não. Nilufer a ajudou a levantar, mudou os olhos, a olhando fixamente. — Vamos ficar bem, tá bom? — Juntas vamos passar por isso. — Você não é doente, não tem nada errado na sua cabeça, tecnicamente. Segurou a mão de Rick, que estava em pé ao lado. — Também sou diferente, nós dois somos. Sem muita reação, Kaya não sabia nem o que dizer. Apenas concordou. Ouviram barulho no quintal. Rick foi olhar a janela. — Não estamos sozinhos. — Ele disse. Nilufer foi saindo do quarto irritada, sabendo exatamente quem era. — Não quero ele perto de nós. Nem deu tempo de impedirem. Saiu rápido para o quintal no fundo. Kaya e Rick foram atrás. Lorian estava lá. Foi se aproximando de Kaya. Nilufer era a mais hostil, ele pôde sentir. Kaya ia ir para a frente da irmã, teve medo dele fazer algo. Nilufer não deixou. A empurrou afastando, colocando para trás. — Não tenho medo de você, vá embora. — Ela não precisa mais de você. Acha que vai recuperar o tempo perdido? — Você nunca quis ela. Não vai bagunçar a cabeça da minha irmã mais ainda. Ele não gostou. Foi ficando hostil, como se fosse atacar. Kaya se aproximou de Nilufer, a segurando pela mão. — Vai embora. Minha mãe sempre teve razão, você não se importa com ninguém além de si. — Eu não preciso das suas esmolas de afeto. Eu precisei de você e me deixou sozinha. Lorian sabia que não poderia conversar melhor com a irmã de Kaya junto e, às vezes, até concordava sobre só conseguir pensar em si sendo sozinho. Foi embora irritado. Nilufer segurou as mãos de Kaya. — Ele não vai trazer nada de bom pra você, pode ter certeza. — Precisa evitar de se colocar em mais problemas. — Vamos embora, todos estão preocupados com você. Kaya apenas concordou. Nilufer foi entrando, a segurando pela mão. — Eu tô tão surpresa quanto você. Agora muitas coisas fazem mais sentido. — Você tá toda suja, vem tomar banho. — Quebrou outra janela? Rick estava quieto, olhando elas próximas. Nas poucas vezes que o olhar se cruzou com o de Kaya, ela o evitou sem jeito, constrangida. Foi entrando no banheiro. Nilufer se fechou junto, a colocou no banho e logo saiu. Foi pegar roupas. Ele estava sentado em sua cama, sério. — E aí, como ela está? Já avisei a minha mãe que está tudo bem! Nilufer se sentou em seu colo, chateada. — Acho que está confusa, com medo. Eu não sei, tem algo diferente nela. — Tô com tanta raiva da minha mãe agora. — Sinto que muitas coisas não fazem tanto sentido. — O pior é não confiar no que será dito. A minha vontade é só evitar ela e cuidar da minha irmã. — Me sinto super culpada por não ter vindo ontem. Pra mim foi tudo incrível, perfeito. Me dói saber que tem sido totalmente diferente pra ela. — Acha que vai acontecer algo hoje? Ele estava com o pensamento distante, também se sentindo culpado. A beijou sutilmente. — Acho que sim… e se a gente não voltar? Não hoje! — Podemos ir para o chalé de novo. As coisas estão no carro. Vocês pegam aqui o que faltar ou compramos. — Se alguém pode ajudar ela agora, é você.
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