Monaylle disse que não rindo muito, Kan tocou Kaya, empurrando sutilmente com brincadeira.
— Não vai me apresentar pra sua irmã gata?
Irritada, ela deu um tapa, afastando a mão dele, respondeu.
— Esse aí é da mesma laia do Lorian, ela não quer conhecer ninguém assim, pode ter certeza.
Nilufer sorriu sem entender, foi indo para o alto do penhasco de onde pulavam.
— Então vocês não se conheceram aqui, no fim de semana? — Perguntou flertando com ele.
Ainda achando graça, ele disse que não, pediu desculpas para Kaya com deboche. Nilufer a abraçou.
— Desculpas pelo quê exatamente?
— Se fez algo a ela, terá sérios problemas comigo.
— Ninguém mexe com a minha irmã.
Monaylle se afastou e pulou primeiro, Kan ficou sério. Perguntou confuso.
— Não contou a ela?
— Não era sério, só queríamos ajudar. Seu pai pediu.
Kaya ficou séria, querendo se afastar. Respondeu.
— Não ajudaram em nada. Vem, Nilufer, eu pulo com você!
Nilufer se soltou, ficou curiosa. Perguntou.
— Do que ele está falando? Fizeram o quê para ajudar ela?
Kan percebeu que ela não sabia, se enrolou para responder.
— Meus irmãos e eu... só queríamos dar um susto, pra ajudar com a transformação.
— Meu tio disse que ela estava com dificuldades, então...
Kaya interrompeu, chateada.
— Me atacaram a pedido do Lorian, enquanto ele se divertia bebendo. Me perseguiram no meio da mata, vários deles.
Nilufer ficou séria, foi chegando perto de Kan. Falou friamente.
— Nossa, e deu certo?
— Quando foi a sua vez?
Ele estava de costas para o rio, deu alguns passos para trás, olhando ela.
— Não, porque não precisei... na época foi muito...
Nilufer sorriu e o interrompeu, deu um empurrão, o fazendo cair lá de cima. Ninguém entendeu nada, ele caiu no rio e nadou até a margem. Kaya ficou brava.
— Por que fez isso, Nilufer? Está ficando louca?
— Podia ter machucado ele, vai nos arrumar mais problemas. Vamos embora.
Sem dar importância, Nilufer continuou bebendo.
— É, talvez esteja. Se ele te atacou, não ia se machucar fácil.
— Pelo visto ninguém aqui iria.
— Por que não me contou? O que aconteceu?
Kaya se afastou irritada. Respondeu.
— Porque você estava super ocupada, não é? Com o amor da sua vida.
— Vamos embora, você tá bêbada, não vai pular desse jeito. Já chega!
Nilufer disse que iria, porque realmente andava muito ocupada, deixou Kaya falando sozinha e pulou. Kaya estava com medo, angustiada, foi em direção aos carros, se sentindo sufocada, sentou embaixo de uma árvore, começou chorar, exausta de tantos problemas, dores e m*l estar.
Viu Nilufer voltando para perto dos outros, como se nada tivesse acontecido. Monaylle estava observando as duas, perguntou se devia ir lá tentar conversar. Nilufer disse que a irmã era sempre difícil e gostava de ficar sozinha, toda antissocial.
Continuaram bebendo e conversando por horas. Kaya se deitou no mato mesmo e adormeceu, começou sonhar que estava lá perto mesmo e sozinha, transformada em loba, só estava andando, sem sentir ou pensar em nada demais, sentindo como a natureza, lhe fazia bem. Logo sentiu o cheiro do lobo marrom e foi atrás, farejando, assim que chegou perto, ele começou a correr muito. Estava diferente e aquilo não era tão brincadeira, ela percebeu a hostilidade e desistiu, exausta.
— Isso mesmo... faça igual a todos eles, vá embora.
Começou andar em sentido oposto e deitou triste. Um tempo depois ele se aproximou a alguns metros, deitou e ficou lá, sem fazer nada, por muito tempo. Ele estava triste, e ela sabia.
Já era de tarde, Monaylle se aproximou, sentando ao lado de Kaya.
— Nós já vamos embora. Acorda aí.
Ela se sentou sonolenta, colocou as mãos no rosto, cobrindo-o, respirou fundo. Monaylle se levantou.
— Tudo o que já esteja r**m ainda pode piorar. São só fases... relaxa um pouco.
— Sua irmã virou a queridinha do pessoal e ela está muito lo.uca, se quiserem podem ir pra minha casa, dar um tempo até ela melhorar.
Nilufer se aproximou, super vermelha, queimada do sol, sorriu como quem tinha feito algo errado.
— O que é? Vai brigar comigo, mamãe?
— Quer que eu peça desculpas ao seu priminho?
— Ele convidou a gente pra ir jantar na casa dele... não está com saudades do seu papai?
Kaya se levantou, foi indo para o carro.
— Nilufer, já chega. Faça o que quiser, a vida é sua.
Monaylle abriu o carro, disse que era verdade sobre o convite. Kaya respondeu enquanto esperava Nilufer se despedir do pessoal:
— Não tenho interesse, não somos família de verdade.
Nilufer voltou dizendo que já queria ir lá de novo, dormiu nos primeiros dez minutos de trajeto. Monaylle olhou, reparando que Kaya estava abraçada a ela, acariciando. Perguntou.
— Você é a mais velha, né?
— Se preocupa demais com tudo!
Kaya sorriu sutilmente, exultante.
— Na verdade eu quem sempre sou o problema lá em casa, ela quem cuida de mim, desde nova.
— Não sou tão boa com pessoas como ela é.
Monaylle sorriu pensativa.
— Eu também sou o problema em casa, só que sou muito boa com pessoas... pelo menos a maioria delas.
— Só com você que não tenho sido, né?
— Não consigo te entender. Sou muito boa em ler as pessoas, mas quando te olho só vejo um breu. Um vazio, não sei como, se sente.
Kaya sorriu, como quem gostava. Respondeu.
— Vai ver é só isso o que sou... escura e confusa. Não tenho nada de bom pra mostrar, não crie expectativas comigo!
Monaylle sorriu, levando aquilo como um desafio pessoal.
— Pedido negado com sucesso, garota sombria.
— Salva meu número aí, pra quando quiser sair ou conversar.
Kaya anotou com um sorriso malicioso, logo falou com deboche:
— Bom, não sei se é um flerte, mas já prefiro avisar: não curto mulheres.
Monaylle começou rir muito.
— Não? E eu tenho cara de quem curte?
— Por que acha que tô flertando com você, sua doida?
Toda sem jeito, Kaya disse que não também, se desculpou, comentou que a adaptação à cidade nova estava sendo bem difícil e quase ninguém lá estava sendo legal com ela. Tinham chegado na casa delas, Monaylle desceu, deu a volta no carro, sorriu abrindo a porta.
— Posso ser legal sem segundas intenções.
— Desculpas aceitas... mas sim, eu estava flertando. Fico feliz que tenha pelo menos entendido, já que não gostou.
— Te achei muito gata, e fiquei com vontade, de beijar sua boca.
Deixou Kaya super sem jeito, ela apenas sorriu. Acordaram Nilufer, que desceu do carro cambaleando, rindo. Enquanto conversavam na calçada, Rick chegou e desceu parecendo bravo, se aproximou de Nilufer, a segurando pela cintura.
— Onde você está com a cabeça?
— Te liguei muitas vezes.
Ela se afastou rindo, com afronta. Respondeu.
— Aé? Não vi. Estou mantendo a cabeça bem longe de você.
Foi indo para o portão, Monaylle e Kaya estavam encostadas no carro, olhando. Ele falou irritado:
— Por que deixaram ela beber dessa forma?
Kaya levantou os ombros, tipo “tô nem aí”, o encarando séria.
— Não mando nela, e nem você. Espero que ela não aceite suas desculpas e nunca mais te deixe se aproximar.
— Não confio em você.
Ele estava olhando Nilufer, procurando as chaves, olhou o celular e sorriu com provocação.
— E em você absolutamente ninguém confia. Que coincidência, né?
— O Callum está acordando. Achei que gostariam de saber.
— Sua mãe foi pro hospital e, se tudo correr bem, vamos saber o que realmente aconteceu com ele aquela noite.
Se afastou e foi entrando atrás de Nilufer. Kaya ficou séria, com os olhos marejados, respirou fundo, engolindo o choro, secou os olhos. Monaylle ficou olhando sem entender.
— O que foi? Tá tudo bem?
Kaya se afastou nervosa.
— Uhum... ele é um babaca. Obrigada por tudo, preciso entrar. Tchau!
Entrou rápido, Monaylle ficou sem entender, foi embora com dó, pois sabia como Rick era manipulador. Kaya entrou já esperando o pior, imaginou que estariam trancados no quarto. Eles estavam lá, discutindo, com a porta aberta. Ele chamando atenção de Nilufer, dizendo que ela precisava entender tudo melhor, passar um tempo só com ele, contou que havia se demitido do trabalho e saído de casa.
Muito hostil, ela foi até desrespeitosa, o ofendendo, dizendo que era uma marionete dos pais, um coitado infeliz que se escondia atrás da pose de perfeito. Começou provocar, perguntando se os pais dele sabiam dos fet.iches sujos e noje.ntos dele, onde mostrava quem realmente era: um homem inseguro que precisava da aprovação dos outros para se autovalidar.
Kaya estava ouvindo do corredor, foi até a porta do quarto. Ele não deixou por menos, começou falar que ela entendia muito bem, porque era exatamente igual: fazendo a boa menina, uma coitada manca, que adorou ser usada e controlada, como a saf.ada que sempre quis ser e nunca teve coragem.
Ela partiu pra cima e deu um tapa no rosto dele, começou chorar de raiva, o mandando ir embora. Ele ficou rindo com afronta, a prendeu contra a parede, travando seus braços.
— Até que gostei... não quer dar mais um? Ou levar também? Talvez em outra posição.
A virou de costas, puxou o cabelo dizendo que precisava dela, começou acariciar seu corpo por baixo da camiseta, beijando o pescoço.
Irritada, Kaya saiu de lá, ouviu a porta do quarto batendo e foi tomar banho, ouvindo música alta no celular, já para evitar ouvir e imaginar coisas.
Nilufer estava deixando ele a tocar, chegou a beijá-lo e logo, chorando, disse que não queria nada daquilo, perguntou por que era tão importante pra ele mudar, se já não estava bom o suficiente tudo o que tinha. Ele percebeu que ela estava muito magoada, a soltou, parando com tudo.
— Não é sobre o que eu tenho, mas sim sobre o que vou perder... tudo, Nilufer.
— Você viu, as visões podem mudar... mas não completamente.
A segurou pelo rosto, afetuoso, dando beijinhos, ficou emotivo.
— Eu não menti sobre nós... poxa, você pode sentir. O que eu preciso fazer pra me desculpar?
— Não consigo te sentir... você bloqueia suas emoções.
— Vamos ficar bem. Esquece dos outros.
Ela se afastou chorando, sentida.
— Me mostrar seu medo, culpa e arrependimento não será o suficiente.
Tirou a roupa e deitou de calcinha, ele estava realmente mostrando como se sentia naquele momento. Sentou na beirada da cama, a acariciando no cabelo.
— Desculpa... eu errei mesmo. Descansa.
Ela adormeceu chorando. Quando Kaya saiu do banho, mais de meia hora depois, se trocou colocando calça legging, camiseta e tênis, pensando em ir correr, logo saiu com os fones no último volume, ouvindo rock. Viu que o carro de Rick ainda estava lá e imaginou que fariam as pazes, até se lembrou de como Nilufer parecia feliz trocando alianças com ele nas visões e ficou ouvindo, dando eco na cabeça, as falas de Yesenia, onde dizia que Kaya, assim como Lorian, não sabia amar a ninguém e a felicidade de Nilufer seria com Rick e sua família.
Algumas coisas começaram a fazer mais sentido e a sensação de ser um fardo só aumentou, até fazendo parecer bom ser como Lorian, solitário e distante de todos.
Já tinha anoitecido, sem ter para onde ir ou com quem conversar, correu até a fazenda, gostava de lá. Zay estava saindo para ir trabalhar, a viu passando de longe e ficou curioso, porque pôde sentir o quanto ela não estava bem, repleta de medo principalmente.
Sem querer incomodar, ela só foi até lá e voltou para a cidade, foi direto no hospital pensando em Callum. Perguntou na recepção se já tinha acabado o horário de visitas, porque ficou sem bateria e tinha ido encontrar a mãe, que trabalhava lá.
Uma enfermeira que a conhecia foi verificar, disse que Yesenia tinha saído, mas que ela poderia entrar ver o pai. Kaya estava com medo de realmente ter culpa naquilo, entrou no quarto apreensiva, nervosa. Ele estava inconsciente, com menos aparelhos e aparentemente melhor.
Se lembrando do que aconteceu naquela noite do incêndio, ficou parada em pé, o olhando fixamente, começou sentir muita raiva por tudo o que ele fazia. Sabia que não teria paz com ele em casa de novo e teve medo dele a acusar de algo, inventar mentiras.
Sua vontade era realmente fazer algo, cheia de sentimentos e pensamentos ruins, levou um susto com Zay entrando no quarto sorrateiramente. Ele se aproximou por trás, apreensivo, a notando tão m*l.
— Oi, boa noite! Tudo bem?
— Vou checar o paciente... Kaya, né?
— Precisamos parar, de nos encontrarmos tanto.