Ela começou a chorar sutilmente, sentindo que não tinha o controle do próprio corpo, seus sentimentos estavam mais intensos, tudo parecia fora do lugar. Ele percebeu e a virou de frente, confuso.
— O que foi linda?
— Fiz algo errado?
— Nilufer, pode ser sincera comigo! Se eu estiver, indo muito além.
Ela o olhou nos olhos, chateada, respondeu.
— Não, você não tem feito nada errado.
— Não sei como isso funciona e eu tenho medo.
— Não sou ingênua de achar que você não viveu coisas semelhantes inúmeras vezes na vida, com outras.
— E eu nunca tive nada assim.
— Não quero parecer puritana ou uma menina boba, mas, se é pra ser sincera…
— Não me sinto segura, e isso assusta quando você se aproxima, fala ou faz as coisas.
Respirou fundo e continuou falando.
— Rick, eu gosto de tudo em você, pelo menos do que pude ver até agora.
— Só não mente pra mim, por favor.
— Não tô te cobrando relacionamento sério ou sei lá, nem quero isso agora.
— Fico super desconfortável com a situação da minha família perante a sua.
— Não quero levar problemas pra minha mãe, ela já tem muitas coisas pra lidar.
— Quero curtir e viver algo real.
Ele a interrompeu, acariciando seus cabelos.
— Calma meu bem. Não quero brincar com você, muito pelo contrário.
— Só estou me segurando no limite justamente por isso.
— Quero te deixar segura, sem dúvidas sobre mim, porque, sinceramente, quando acontecer, tudo vai mudar.
— Sei que você está triste, preocupada, e não quero ser mais um problema.
— Se me deixar ajudar…
A beijou sutilmente na boca, a manipulando lindamente.
— Ahhh, tartaruga…
— Eu solucionaria cada coisa que te incomodasse na sua vida toda.
— Não quero te cobrar nada também.
— Sei que você está muito preocupada e não serei mais um peso pra você.
— Não nesses momentos difíceis… só depois, talvez.
Sorriu de canto.
— Estou com uma dúvida…
— Aquela parte sobre gostar de tudo… seria o quê exatamente?
A virou de costas, abraçando-a, roçando a ereção nela.
— É em mim?
Começou a acariciar seus sei.os, apertando-os.
— É o que eu faço com você?
Começou a tocar sua in.timidade lentamente, mastu.rbando.
— Pra quem tem sempre o que dizer, de repente você ficou bem calada…
Ela se virou sutilmente para beijá-lo. E respondeu desconcertada.
— Gosto de tudo Rick…
— Especialmente do que você faz.
— Nunca fui tocada assim e…
Suspirou, sentindo-o invadir com os dedos.
— Rick, você está brincando comigo?
— Vai me fazer implorar pra terminar o que começamos?
Os dois riram. Ele a virou de frente, puxou seu cabelo e a beijou ardentemente. Logo a soltou e foi para outro chuveiro.
— Brincar com o fogo é legal…
— Mas vou precisar apagá-lo de outra maneira, por enquanto.
Ela riu. Se lavou e saiu se cobrindo, dizendo que estava exposta demais. O olhou dos pés à cabeça, reparando em tudo. Não pôde deixar de notar o quanto ele era bem-dotado e sarado. Ele estava adorando aquilo, o flerte, o jogo de conquista.
— Adoro me expor a olhares sinceros como o seu. — Disse ele se lavando.
Ela foi se vestir sozinha, ficou espiando a chuva e o deixou para trás. Ele logo se aproximou, abraçando-a por trás, afetuoso.
— Quer compartilhar comigo o que se passa nessa sua cabecinha loira?
Ela correspondeu ao abraço e sorriu, exultante, respondeu.
— Acho que não.
— Precisamos entrar, minha mãe pode estar me procurando.
— Não quero nem imaginar o que vai acontecer se ela suspeitar de nós.
— Ela é superprotetora e paranoica, sabe?
— Às vezes leva eu e minha irmã ao médico pra ver se ainda… bom…
Riu sem graça.
— Quando me levar, vai ter uma surpresa bem desagradável.
Ele não entendeu e começou a rir, curioso, perguntou.
— Como assim?
— O que tem de errado com você?
Ela se afastou, rindo.
— Não sou mais virg.em, seu pervertido.
— E ela vai achar que foi você.
Saiu correndo na chuva. Ele ficou sério, pensativo.
— Ela faz isso mesmo? Verificar a pureza de vocês?
— Nilufer, espera!
Foi atrás dela. A única coisa em que realmente pensou foi em Kaya. Ficou confuso com o que viveu com ela.
Nilufer correu para a casa, disse que precisava tomar banho e colocar roupas secas. Ele concordou, mexeu no celular e disse que precisava sair para resolver algumas coisas. Não conseguiu disfarçar a preocupação.
Por vê-lo mexendo no celular, ela não achou que o problema fosse entre eles dois. Se despediram no corredor. Ele só ia se trocar e sair rápido. Nem a beijou ou abraçou direito. Sentiu-se culpado e extremamente curioso, porque, se Kaya passava por exames sempre e era vir.gem, sacrificou aquilo, dormindo com ele.
Nilufer foi direto para o quarto da irmã. Kaya estava deitada, assistindo no escuro. A olhou, notando que ela estava toda molhada e perguntou.
— Onde você foi?
Nilufer foi tirando o vestido, sorridente.
— Ahhh, fomos andar por aí.
— Eu nem acredito que gostei tanto dele e que ele gostou de mim.
— Fomos na sauna, conversamos muitoooo.
— Nunca me senti tão à vontade com ninguém, sabia?
— Me fala, o que você achou do Rick?
— Ele não é muito bonito?
— Tááá, é um pouco mais velho e muito mais simpático que eu.
Entrou no banheiro. Kaya se levantou e foi atrás, reparando nas marcas de apertões e chupadas pelo corpo de Nilufer.
— Calma, né? — Kaya falou com julgamento.
— Você acabou de conhecer ele!
Respirou fundo.
— É bonito, mas…
— Muito mais velho.
— Você sempre disse que não achava esse tipo de coisa legal.
— Nilufer, esse cara não tem nada a ver com você.
— Vai te usar e depois…
Engoliu seco.
— Você sabe como a mãe é.
— Na frente diz que está tudo bem, mas por trás as coisas são bem diferentes.
— Você fez alguma coisa com ele?
— Usou camis.inha?
Nilufer se irritou e falou brava.
— Fala baixo!
— Quer que a mãe escute?
— Não é da sua conta.
— Só porque você não tem nada de bom na sua vida, não significa que eu não possa ter.
— Eu devia saber que você ia encher a minha cabeça contra ele.
— Por isso eu nunca te conto nada.
— Não posso confiar em você. Invejosa.
— Agora vai fazer de tudo pra me prejudicar, como sempre, envergonhando todo mundo.
Kaya elevou o tom também, respondeu.
— Você é muito inocente mesmo!
— Olha pra esse cara!
— Conheceu ele há dias e já tá tra.nsando com ele?
— Não quero estragar sua vidinha perfeita, agora tudo é culpa minha?
— Eu devia ter morrido queimada.
— Assim era só fingir que eu nunca existi e ninguém sentiria falta.
— Você é igual a ela.
— Uma pessoa na frente dos outros e outra por trás.
Nilufer saiu do chuveiro, irritada.
— Ah, claro Kaya!
— Vou incentivar ela a te internar.
— Você sempre distorce tudo.
— Eu passei todos esses anos limpando a sua bagunça, sendo a filha boazinha.
— Porque não há espaço pra mais decepções nessa casa.
— E você fez questão de dar todas.
— Como pode ser tão egoísta?
— Acha que eu não canso?
— De você, da nossa vida e de nunca ter nada direito?
— Toda vez que eu consigo algo bom, você surta e a gente precisa se mudar.
— Você é quem deveria cuidar de mim, e não o contrário.