Capítulo 13

1261 Words
Ela se virou assustada. Quando o olhou, perdeu a voz. Pôde reconhecê-lo. Em segundos, tudo o que aconteceu entre eles passou pela cabeça dela. Ele estava sério, a olhando fixamente, depois sorriu com cinismo. — É claro que se lembra. Se contar pra elas, vou dizer que é mentira. — Duvido que vão acreditar em você. — Essa é a minha casa e, como já deve saber, tenho muito interesse na Nilufer. — Ela não precisa achar que eu tenho algum interesse em você e nem se confundir sobre quem eu sou. — Esqueça o que aconteceu entre nós e vamos nos dar muito bem. — Não sou seu inimigo, cunhadinha. E ouvir a conversa dos outros escondida é bem feio! — Foi um prazer te conhecer, Kaya! Passou por ela com um buquê pequeno nas mãos, de rosas brancas. Kaya ficou nervosa, se sentindo intimidada. Nilufer estava chorando em pé. Quando o viu, ficou muito surpresa, continuou parada, toda sem jeito, enxugando os olhos. Ele se aproximou e a abraçou forte, levantando-a até do chão. Deu beijinhos no rosto e na boca, afetuoso, sem nem se incomodar com as outras pessoas por perto, agindo como um casal. Évora estava olhando, admirando. — Temos um romântico aqui… flores, Zarick? Hummmmm! — Meu príncipe. Ele soltou Nilufer no chão, continuou abraçado. Falou se exibindo. — Tive um bom professor em casa. — Bom dia, Yesenia, tudo bem? — Como o Callum está se recuperando? Kaya se aproximou sorrateiramente, quase que os espiando. Estava descalça, de camiseta comprida e shorts de academia curto. Ficou no canto da sala, confusa, se sentindo uma intrusa. Começaram a conversar entre eles, falando sobre Callum. Yesenia se levantou e, quando a viu ali, falou séria, com aquele tom de repreensão que mães usam. — Bom dia, filha. Quer alguma coisa? — Você não deve sair do quarto, m*l vestida assim. Kaya se aproximou mais, super séria, balançou a cabeça que não. Nilufer a olhou rápido, como quem temia por algo, não soube disfarçar o quanto se sentiu desconfortável. — Oi, bom dia… esse é o Rick. Continuou próxima a ele. — Essa é a minha irmã, Kaya. Ele sorriu, super simpático. — Acabei de conhecê-la ali no corredor. Imaginei quem era pelos olhos. — Heterocromia, né? Kaya balançou a cabeça que sim. Se sentiu acuada, com raiva dele. Yesenia se aproximou servindo uma xícara de chá. — Tome os seus remédios. — Precisamos conversar, come rápido e vamos para o quarto. Kaya a olhou hostil, empurrou a xícara sutilmente, cochichando. — Você disse que não ia mais me dar, até o novo médico receitar. Yesenia insistiu, entregando a xícara. — Depois conversamos. — Você já tem seu médico, ele sabe o que é melhor. Tome logo. Nilufer se desculpou baixinho para Rick, foi colocando as rosas na água. Ele estava calado, atento à conversa delas. Évora falava sobre precisar sair, ir à cidade. Tomaram um susto com a xícara caindo no chão. Kaya derrubou sem querer, recusando segurar. Os remédios caíram juntos. Yesenia virou um pimentão de raiva. — Tudo bem, eu pego outra. Vou pegar um pano! — Disse olhando Kaya com ódio. — Évora, mil desculpas, ela sempre quebra as coisas. Essa menina é um problema. Kaya se abaixou para pegar os cacos. Évora foi ajudar, falou gentilmente. — Pode deixar, tome cuidado, eu limpo isso. — Senta e vai comer, tem salada de frutas, bolachas, bolo de fubá cremoso… — Um passarinho disse que você adora. Nilufer se aproximou para ajudar, com uma sacolinha. — Fica calma, não começa, por favor. Agora não é hora. — Falou baixo, para a irmã. Kaya a olhou irritada e triste. Falou baixinho. — Eu tô calma. — Ela quer que eu volte a tomar tudo. Eu não fiz, de propósito. Estavam próximas à pia. Nilufer foi pegando os remédios. — Não pode ficar sem, sabe o que vai acontecer. — Disse estendendo a mão. — Anda logo, por favor… por mim. Évora colocava mais pratos e copos à mesa, Kaya se sentindo coagida, com medo de piorar tudo, tomou os remédios com um copo de leite. Ficou em pé, olhando o quintal pela janela, evitando contato visual com Rick. Em instantes, ele percebeu que o corpo dela estava mudando: os batimentos desacelerando, a respiração e até o cheiro. Ele sentia todas as emoções dela e não entendeu como mudaram quase ficando nulas tão rapidamente. Évora o olhou confusa, notando que ele estava distraído, vidrado nela. — Vocês vão juntos para a cidade? — Perguntou ao filho. — Talvez. — Rick respondeu. Ele convidou Nilufer para o acompanhar até um almoço muito chato. Yesenia sorriu com deboche. Nilufer ficou sem jeito, respondeu desconcertada. — Hoje tenho umas coisas pra fazer… Ele se aproximou, a abraçando com graça. Falou com deboche. — Ahhh, eu não quero te atrapalhar. — Devia ter avisado ao invés de vir de surpresa. — Acho que você não gosta de surpresas. Yesenia disse que Nilufer devia ir, se distrair um pouco. Kaya agradeceu o leite para Évora, falando baixinho. Foi saindo dali como se nenhum dos outros três existissem. Voltou para o quarto e deitou com tudo fechado. Yesenia disse que iria dormir um pouco. Évora ia sair. Foram para os quartos conversando sobre Rick estar tentando animar Nilufer. Sendo sincera, a mãe dela deixou claro que não a queria envolvida com ninguém, sem um propósito, ainda mais tão vulnerável com o pai doente, mas que aquela amizade estava fazendo bem a ela, porque há dias a filha estava diferente, radiante. Évora confessou estar na torcida por eles, antes mesmo de se conhecerem. Disse que esperou anos, para ver os dois juntos. Rindo, disse que estava achando fofa a sintonia e a química dos dois. Yesenia concordou, foi para o quarto. Évora pegou a bolsa e saiu. Nilufer estava arrumando a mesa, lavando a louça, enquanto Rick a convencia a sair para almoçar. Ela começou a contar sobre o curso de enfermagem, perguntou se não estava sendo egoísta com a situação. Ele disse que a entendia e poderia ajudar, se ofereceu para pagar o curso até Callum melhorar e toda aquela fase passar. Nilufer ficou séria, incomodada. — É claro que não posso aceitar. — Não ache que estou desabafando pra te comover e pedir ajuda. — Acabamos de nos conhecer, já tô morando aqui de favor. — Logo as pessoas vão começar a falar de mim e da minha família. Ele interrompeu. — Ninguém tem que falar nada. — Sim, nos conhecemos há pouco tempo e isso não muda nada. — Tudo o que estamos vivendo é bom e vai melhorar. — Seus pais são amigos da minha família, se podemos ajudar, por que não? — Não seja orgulhosa, o orgulho não te leva a lugar nenhum, tartaruga. Ela se virou séria, respondeu. — Ótimo, adoro ficar em casa. — Desculpa, acho melhor a gente parar com isso tudo. — Não me sinto confortável nessa posição. — Pessoa certa, hora errada… eu não sei. Ele sorriu irônico, piscou com charme. — Adoro trocar a posição, é só pedir. — Vim pra te ver e aproveitar o dia, não vejo motivos pra pararmos. — Desculpa se eu quero ajudar da maneira que posso. Ela silenciou, o observando calada. Terminou de limpar tudo, se segurando para não chorar, confusa. Ele foi saindo da cozinha. — Não vim pra te deixar assim. — Achei que ia gostar de me ver. Foi até a janela. — Quer caminhar comigo? — Só um pouco. — Vou logo embora.
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