Ele levou a mão ao rosto dela, acariciando sutilmente.
— Devo ser bem pior e você não faz ideia do quanto.
— É melhor sairmos desse sol, está ficando corada.
Ela o olhou de perto, colocou a mão sobre a dele.
— Não é o sol que me deixa corada… também posso ser bem ousada.
— Mas, só no momento certo.
Ele foi se aproximando e falou quase a beijando:
— O suficiente para me entreter, imagino.
Sentiu a respiração acelerada dela, o coração disparado e observou as pupilas dilatadas, nos olhos azuis.
— Acha que mereço um beijo de boas-vindas?
Ela foi fechando os olhos, apreensiva.
— Sim… se eu também, merecer.
Lentamente encostou seus lábios aos dele. Foi um beijo delicado, sem língua. Ela se afastou rindo, sem jeito.
— Ousado, o suficiente?
Se levantou rápido, ele foi atrás.
— Não vai fugir, posso te caçar por cada centímetro desse lugar.
Em brincadeira, ela foi até uma árvore enorme, começou a dar voltas, o evitando.
— Eu não teria chances com uma lebre, como você, sou a tartaruga.
Também dando voltas, ele começou a rir com maldade.
— Não vou dizer que queria te ver escapando… é uma mentira.
— Por que me faz querer não dizer exatamente as bobeiras que penso?
— Você aflora o meu pior lado, mas ao mesmo tempo, me faz repensar minhas atitudes.
Ela se encostou onde ninguém podia vê-los, atrás da árvore.
— Eu faço? Mas nem disse nada… pode dizer o que pensa.
Ele se aproximou com aquele olhar de desej0, a segurou pela nuca com uma mão enquanto a puxava contra si com a outra.
— E se você não gostar? Minha mãe disse, que devo me comportar.
Ela o abraçou, correspondendo àquilo, revirou os olhos com um sorriso tímido.
— Não vai saber se não falar.
— E também… quando eu for embora, duvido que vá se lembrar disso.
Começou a rir, ganhando beijinhos no pescoço. Ele respondeu:
— Eu vou lembrar… sempre.
— Minha mãe disse, que eu iria me apaixonar por você.
Ele sorriu como quem ia fazer algo errado, chupou sua boca e foi descendo as mãos acompanhando as costuras laterais do vestido.
— Não irei falar, só fazer…
A beijou lentamente até encaixar seus lábios, foi aumentando a intensidade, começou a puxar o vestido para cima, acariciando suas curvas, encontrou a calcinha e a puxou para tirar, rindo. Nilufer se apoiou nele, erguendo os pés um de cada vez. Quase sem voz, olhou para os lados, tensa.
— Alguém pode vir aqui… isso é completamente inapropriado. O que está fazendo?
Ele mostrou a calcinha de renda rosa e amarela como um troféu.
— Se acalme. É só para me lembrar do seu cheiro e do dia em que nos conhecemos.
A beijou sutilmente na boca e guardou a calcinha no bolso.
— Eu jamais faria qualquer coisa para te expor ou deixar constrangida. Eu quero, que tudo dê certo.
A segurou pelas mãos, as enchendo de beijos.
— Se a primeira impressão é a que fica, vou fazer de tudo para marcar suas memórias hoje.
Sem entender exatamente o porquê de merecer tudo aquilo, ela começou a rir com admiração.
— Não será difícil deixar sua marca, agindo desse jeito.
— Ninguém nunca foi tão legal comigo, em tão pouco tempo. Você não pode, ser tão bom, assim.
Ele sabia exatamente o que estava fazendo, sendo mais velho, com mais experiências de vida, não daria um passo errado com ela. E diferente dela, ele tinha muito interesse no casamento deles, por segundas intenções. Ele se afastou, a segurando pela mão.
— Pouco tempo? Sinto que te conheço há uma vida inteira.
— Vem, vou te mostrar o resto da fazenda. Você vai adorar aqui.
De mãos dadas, saíram caminhando pelo gramado. Ele estava entretido contando histórias da infância, mostrou uma cicatriz que fez caindo do cavalo. Ela estava apenas ouvindo, atenta, sorriu nostálgica.
— Não coleciono cicatrizes… já a minha irmã. Ela é tão agitada, sabe?
— Só tenho uma, grande.
Estavam chegando a uma cerca de madeira, ele subiu para sentar.
— Quer me contar como conseguiu ela? Ou é cedo demais ainda?
Ela sorriu cabisbaixa, olhando um cavalo que se aproximava.
— Bom, você roubou a minha calcinha e me beijou, acho que posso te contar.
— Não é nada divertido, ok? Sem expectativas.
Ele a puxou para se aproximar, no meio de suas pernas.
— Eu quem decido o quanto divertido é. — Ele a beijou sutilmente no pescoço, lembrando do cheiro da outra.
Ela tomou a iniciativa, deu um beijinho.
— Vamos ultrapassar as barreiras de i********e agora, a calcinha não será nada perto de tudo o que posso contar.
— Me sinto constrangida, não é um hábito sair conversando com qualquer um assim, contando minhas coisas.
Ele a segurou pelo rosto, fazendo-a olhar nos olhos.
— Não sou qualquer um. Vamos fazer um trato: vou te levar para jantar à noite e, se por acaso quiser, me conta tudo, qualquer coisa.
— Temos uma gincana para vencer, vamos lá?
Foi descendo e a beijou sutilmente na boca. Ela começou a rir, pensativa.
— Seria um encontro? Logo hoje?
Ele sorriu curioso.
— Sim, por que não?
— Ahhh, claro, pode recusar também, não tem que ir.
Toda desconcertada, ela disse que nunca teve um assim e talvez sua mãe não a deixasse ir. Ele sorriu como quem podia resolver toda e qualquer coisa.
— Irei falar com seus pais, havia me esquecido como é ser tão jovem.
— Apesar que, mesmo com mais de trinta, tem batalhas que prefiro evitar. Com meus pais!
Curiosa, ela perguntou de quais tipos. Ele pensou para responder.
— Ahhh, coisas comuns, que eles podem não concordar.
— Sempre me instruíram a tomar minhas decisões e a saber lidar com as consequências, mas…
— Bom, quando você é adulto e os decepciona, a carga que cai sobre as costas é maior, diferente de ser jovem e errar.
— Gosto do meu trabalho, mas não foi uma escolha totalmente minha, queria cursar outras coisas só para ver como seria, ter outras opções.
— Minha cabeça funciona o tempo todo em uma rotação diferente da maioria das pessoas.
— Eu poderia trabalhar e estudar, sei que dou conta. Mas me limitei a seguir o legado da família.
— Mas e você? Estudava onde morava?
Nilufer começou a rir. O observando curiosa.
— Você é sempre agitado assim? Comunicativo?
Ele disse que, na maioria das vezes, era. Ela começou a falar, se sentindo inferior.
— Já eu sou devagar, quase parando.
— Não sabia qual carreira seguir, nada me atraiu por completo.
— Minha mãe é enfermeira, fui para o mesmo caminho.
— Quero me sentir útil, ajudar a mudar o mundo, parece clichê, eu sei.
— Só quero fazer algo que dê diferença. Gosto de fazer o certo.
Ele sorriu com admiração, pensando em como estava sendo surreal conhecer alguém como ela. Tão "certinha".
— E vai fazer, não é muito a minha praia, mas admiro.
— Vou me trocar e já volto, o que acha de ser a árbitra, juíza, além de meu amuleto da sorte?
— Eles roubam o tempo todo, é sério, não aceitam perder pra mim.
A mãe dele estava se aproximando, dizendo que mentir era feio. Nilufer disse que adoraria ajudar, só não participar dos jogos, porque realmente não era nada competitiva. Évora se aproximou dela, a pegando pela mão.
— Querida, quando ver o quanto parecem animais nesses jogos, não vai querer nem ajudar.
— Quer se trocar também? Colocar um biquíni? Um shortinho?
Começou a rir, tocando Rick com a mão, brincando.
— Estava lindíssima ontem, não deixe que as visitas te impeçam de se bronzear.
Ele foi andando próximo a elas com aquele sorriso saffado e lindo, piscou para Nilufer.
— Pois eu adoraria vê-la de biquíni.
Corada de vergonha, ela foi indo para seu quarto, correu jogar uma água no corpo, retocou a maquiagem leve, deixando a boca corada. Colocou um maiô azul caneta, com flores amarelas, um pouco decotado, com recortes delicados na barriga e costas. Envergonhada por Rick estar lá, colocou uma saída de praia para cobrir da cintura para baixo, como uma saia, que escondia o seu pior incômodo: as pernas. Prendeu o cabelo com um laço azul combinando. Quando saiu do quarto, deu de cara com Rick parado no corredor, como quem a esperava.
— Vamos lá? Aceita suborno, juíza?
Rindo, ela disse que talvez. Ele estava sem camisa, só de shorts e tênis, exibindo o corpo sarado forte. A puxou pelas mãos para acariciar seu abdômen.
— Qual tipo exatamente de suborno te faria me deixar ser seu campeão?
Rindo muito, corada de vergonha, ela começou acariciar.
— Já estou decidida.
Afastou as mãos com receio de alguém ver. Em instantes, foi abraçada e conduzida para encostar na parede. Ele a puxou contra si pela cintura, foi chegando perto da boca com aquele olhar dominante.
— Como pode mexer comigo, assim?
— Também acha que tem algo fora do normal acontecendo? Entre nós?
Quase que forçada a olhar em seus olhos, dessa vez não os evitou. Sorriu, exultante.
— Acho que normalidade não é o seu forte, de qualquer forma. E sinto que não tenho como não gostar disso!
— Você é lindo.
Ele sorriu com satisfação, se aproximou e a beijou lentamente. Ele estava se esforçando para resistir.
— Falando desse jeitinho, vou até acreditar. — Ele disse a sentindo toda arrepiada.
Ela deu outro beijinho, chupou a boca dele com provocação.
— Sou muito sincera, pode acreditar.
— Você é o cara, mais lindo que eu já fiquei.
Ele a segurou pelo cabelo, a impedindo de beijar.
— Não sou o único?
— Ahhh, estou decepcionado.
— Sua boca é a mais gostosa que eu já beijei.
Assobiaram chamando por ele do final do corredor. Se afastaram rindo. Com grande i********e, ele a beijou sutilmente na frente de todos.
De fato, não parecia que haviam acabado de se conhecer e não fazia muito sentido, mas quando os pais dele viram aquilo, já comemoraram muito, pois achavam que Rick não era do tipo que fazia o personagem fingindo as coisas e, se estava tão próximo rapidamente daquela forma, era porque tudo estava dando certo.
Nilufer ajudou com os jogos, ficou animada torcendo por Rick, que como sempre foi o maior vencedor de tudo. Ela até se esqueceu dos seus problemas e, pela primeira vez em muitos anos, gostou de estar sozinha, sem a irmã ou os pais.
Depois do almoço, Yesenia ligou para Nilufer, avisando que ia precisar sair e dormir fora. Ela disse que ia resolver um problema, no antigo emprego, estava desesperada, decidida a afastá-la deles todos. Pediu para ela ir embora ajudar com a irmã, disse que já havia medicado ela e que não era para a soltar de jeito nenhum.
Nilufer ficou chateada, estava afastada dos outros. Após desligar, foi ao encontro de Rick engolindo o choro.
— Preciso ir embora, as coisas não estão boas em casa.
— Acho que não vou poder sair também depois. Era sério mesmo? Sobre o encontro?
Ele estava sério, a olhando fixamente, acariciou suas costas.
— Claro, não costumo brincar com coisas importantes assim.
— Quer que eu te leve agora? Ou podemos ficar mais um pouco?