Super intrigada, ela disse que não muito bem. Ele entrou e começou a remar, a proibindo de olhar para trás. Perguntou como a irmã estava. Chateada, ela disse que iria ficar bem após se adaptar às mudanças, comentou que também tinha medo de mudar e se arriscar com coisas novas. Ele sorriu com deboche.
— Ainda bem que sou velho, comparado a você.
— Confesso que gosto de mudanças, aquele friozinho na barriga… curto muito isso.
Ela disse que era muito a cara dele. Estava nitidamente nervosa com medo de cair na água, no meio do escuro e passar vergonha. Ele começou a balançar o barco de brincadeira.
— Pode respirar… deixe para poupar o ar caso vá se afogar.
— Você precisa confiar mais em mim.
— Não sou tão irresponsável a ponto de te derrubar na água de propósito.
— Mas sem querer é até possível. Sou uma piada para você, enfermeira Nilufer?
Ela estava rindo muito. Se virou para trás, percebendo que estava mais iluminado lá.
— Talvez, Zarick… você fez isso? Uau, que lindo.
Chegaram a um deck iluminado com velas artificiais. Tinha uma barraca de acampar montada lá, cheia de luzes de pisca-pisca enfeitando. Ele foi se preparando para descerem.
— Fiz o que já não veio pronto da loja. Desculpa por não conseguir fazer algo maior, ou te levar a um lugar bacana.
— Acredito que tenha criado muitas expectativas para o nosso encontro.
Deslumbrada, ela foi saindo do barco, até perdendo o medo de cair na água.
— Não… é perfeito. Está lindo. Acima de qualquer expectativa boba minha.
Ele se aproximou, a abraçando por trás, segurando pela cintura.
— Gostou mesmo? Não precisa mentir pra mim, nunca.
— Posso ser emotivo e dodói às vezes… mas eu aguento levar muita por.rada.
Ela se virou de frente para ele, rindo com admiração e o olhar brilhando.
— Nem sei mentir, pode ficar tranquilo. E nem dar porr.adas!
Ele puxou as mãos dela para beijar.
— Vai ter que aprender a bater… mentir não, por favor.
— Suas mãos são tão delicadas quanto você… enquanto arrumava aqui, me peguei pensando nos seus defeitos.
— Será que os tem? Chulé? Acorda com mau hálito? Mau humor?
Ela começou a rir muito, ficou corada de vergonha, beliscou de leve a mão dele.
— Tudo isso e ainda não gosto de tomar banho. Acha que te conheci no fim de semana por quê?
— Banho só de sábado.
Ele a pegou no colo, de brincadeira.
— Ahhh, eu sabia… era linda demais pra ser real. Podemos dar um jeito nisso já… um belo mergulho.
— Um beijo ou vai para a água!
Agarrada a ele, ela disse que daria quantos beijos fossem necessários. Ele a soltou, segurou pela cintura puxando-a para muito perto.
— Então… pode começar.
Ela o beijou sutilmente, com graça.
— Assim? Gosta desses?
Ele enlaçou a mão no meio do cabelo dela, puxou levemente, fazendo-a parar com os beijinhos.
— Gosto de todos… mas agora, outro tipo me interessa.
— Igual ao que me deu atrás da árvore.
A puxou e beijou ardentemente, até fazê-la perder completamente o fôlego. Não parou. Começou a rir, notando que a deixou corada e ofegante.
— Agora sim… nada de banho gelado para você.
A levou pela mão até a barraca.
— Foi difícil montar um jantar que não fosse preciso esquentar. — Ele disse.
— Tive medo de incendiar o deck.
A deixou entrar primeiro. Lá tinha toda uma decoração romântica, com velas artificiais, colchão inflável, uma barca de comida japonesa, frutas decoradas em formato de flores. Ela tirou as sandálias e entrou completamente surpresa.
— Como você consegue pensar em tudo? Leu meus pensamentos sobre a comida?
Ele entrou atrás, se ajoelhou ajeitando almofadas para ela ficar confortável.
— Apenas ouvi o que você dizia durante o dia todo. Estou armazenando informações.
— Está bom assim? Não vai ficar com dores nas pernas?
Pegou uma manta, gentilmente.
— Se preferir, levante esse vestido agarrado e se esconda dos meus olhos devassos.
— Seu decote já é uma bela tentação.
Ela riu, pegou a manta.
— Seus olhos também… lindos e intrigantes, como pedras preciosas.
Ele riu como quem pensou algo que não podia dizer.
— É, sei… Vou te servir. Você tem duas opções de sucos para escolher. Acho que saquê não é uma opção… ou é?
Ela, ainda sem acreditar que ele era tão especial, disse que nunca havia tomado saquê e perguntou qual era a graça. Ele a serviu e deu um aperitivo na boca com o hashi.
— Nada demais… só pensei em quais combinações nós poderíamos ter. Filhotes.
— Seus olhos são azuis como diamantes… seu cabelo louro e brilhante… sua pele, que eu tenho vontade de lamber, morder, é aveludada, macia e clara como um chocolate.
— Nunca estive com alguém que eu goste tanto de tudo, como em você. Não faz ideia, do quanto me atrai.
Ela o encarava séria, sem acreditar que um homem como ele podia sentir aquilo por alguém como ela. Desviou o olhar. Ele acariciou seu rosto e percebeu que poderia estar indo rápido demais, resolveu se conter na manipulação.
— Falei algo errado? — Ele perguntou.
— Tenho a sensação de que você é educada demais para retrucar algo que venha a não gostar.
Ela sorriu, negou com a cabeça e continuou comendo. Ele ficou pensativo, falou.
— Não consigo saber exatamente como se sente sobre mim… mas adoraria ouvir seus pensamentos e estar ligado a você, de um modo que eu saiba exatamente tudo.
Ela arqueou a sobrancelha com ironia e apenas continuou comendo, depois o serviu na boca.
— Gosta de comida japonesa Rick?
Ele aceitou e deu um beijo sutil nela.
— Gosto sim… não tanto quanto você. Sabe comer com os palitinhos? Fique a vontade, como preferir.
Ela riu dizendo que aquilo sabia. Ele perguntou o que então ela não sabia. Ela ficou sem jeito.
— Me relacionar dessa forma… acredite, eu queria só ir deixando acontecer e aproveitar.
— Mas o meu instinto não deixa. Sinto que tem algo errado acontecendo.
— Rick, não quero ser rude ou mais esquisita do que já sou… mas não faz sentido.
— Acabamos de nos conhecer. Você trata todas assim… ou é por causa dos seus pais?
Ele sorriu irônico.
— Não trato, pode ter certeza disso.
— Seu instinto diz que tem algo errado comigo?
— Quer saber o que o meu diz ao seu respeito?
Ele tirou as coisas de perto.
— Ele diz que não tem nada errado com você… e isso me assusta.
— Porque eu não tenho como te explicar quais são os seus efeitos sobre mim.
Montou um jogo de tabuleiro.
— Me ache estranho se quiser… só gostei de você assim que coloquei meus olhos. Eu soube.
— Não precisa ter medo de mim. Eu não vou te ferir.
Ela sorriu.
— Não é medo… muito pelo contrário.
— Sinto que já nos conhecemos. Não é sobre tempo.
— A sua mãe disse quando eu nasci, que você se casaria um dia, com uma das filhas, da minha mãe.
Ele sorriu pensativo.
— Sim… é sobre intensidade. Você já teve relacionamentos sérios?
— Porque eu não. Minha mãe nunca aceitaria. Ela sempre me disse isso, sobre sua família.
— Não precisa falar se não quiser. Eu sou meio curioso.
Ela jogou a peça no tabuleiro, sorrindo.
— Acho que sim… mas não como deveria. Ano passado tive uma coisa… éramos amigos e ficamos. Foi mais curiosidade.
— Se quer saber… não sou vir.gem. Mas não sou como quem não é.
Ficou corada. Ele sorriu m*****o. Ela ficou nervosa.
— E você?
Ele sorriu debochado.
— Sou virg.em. Escolhi me guardar.