Capítulo 27

1505 Words
Ela se sentou para ver. O sol estava nascendo. Ainda próximos, estavam olhando, quando ela acordou com o despertador da irmã. Continuou deitada, pensando no quanto dormiu bem, se sentia mais contente, leve. Nilufer se levantou. — Desculpa te acordar, dormiu bem? Kaya se espreguiçou, sorrindo. — Uhum. Bom dia! Nilufer se deitou próxima, a abraçando, deu bom dia e foi se trocar no outro quarto. Kaya levantou, olhando os ombros e os cotovelos. Começou a rir de si, se olhando no espelho, lembrando do tombo. Foi para a cozinha. Évora estava de vestido e botas galocha, sorriu reparando nela. — Bom dia, flor do dia. Está melhor? Serviu uma caneca de chá. — Sua mãe já vai levantar também. Kaya sorriu sutilmente. Respondeu. — Bom dia, obrigada. Dormi super bem. Quer que eu te ajude com alguma coisa? Évora mostrou os pés. — Coisas não, animais. Até comentei com a sua mãe, meu funcionário não vem mais. — Como estou ficando com vocês por aqui, podemos cuidar de tudo juntas e eu te pago um valor simbólico. — Pra comprar suas coisinhas, dar uma voltinha com os amigos. Fumar escondida. Kaya começou a rir, respondeu encarando a xícara. — Não precisa pagar nada. E amigos… não tenho. O pouco que vi dessa cidade achei bem estranha. — Desculpa por falar m*l do seu lar. Você ama aqui, né? Évora disse que sim e contaria boas histórias sobre a juventude depois. Foi servindo bolo, pão e frutas. Yesenia levantou com cara de quem não havia dormido direito, só deu bom dia e ficou mexendo no celular. Nilufer tomou café bem rápido e saiu, pedindo para a irmã ir buscá-la. Não trocou uma palavra com a mãe e a ignorou quando Yesenia perguntou se ela estava mais calma. Nem tchau deu. Kaya foi se trocar. Colocou shorts de academia, camiseta e tênis. Saiu pela varanda do quarto, adorando o sol e o ar da natureza, ela estava se sentindo mais conectada a natureza, mais calma. Colocou os fones de ouvido, ouvindo rock, se sentindo mais leve e animada. Foi direto tratar dos cavalos. Limpou tudo, deu comida, água. Passou a manhã toda distraída, ocupada. Évora queria reformar a estufa das flores. Começou a falar o quanto adorava a natureza. Se animou com a reforma. Kaya se ofereceu para ajudar com tudo. Comentou que era muito desajeitada. Rindo, Évora disse que não achava e a convidou para ir à cidade comprar as coisas da estufa. Yesenia tinha acabado de chegar. Ia preparar o almoço. Sugeriu que Kaya não saísse dali. Ela já estava trocada para ir e ficou frustrada. — Não vou fazer nada. — Disse Kaya. Yesenia respondeu, hostil: — Como se fosse avisar, caso pretendesse fazer. Évora estava perto, foi pegando a bolsa. Falou gentilmente. — Não vou tirar os olhos dela um instante, pode ficar tranquila. — Antes que o seu feijão cozinhe, vamos estar aqui. Saiu rápido. Kaya foi atrás só com uma muleta. Assim que entraram no carro, Évora começou a contar histórias de quando era solteira e popular na escola. Tagarelou o trajeto todo, disse que Yesenia era muito popular, simpática também. Foram primeiro a uma casa de material de construção. Évora comprou várias coisas. Super simpática, conversou com pessoas conhecidas. Kaya brincou dizendo que ela parecia política, super popular. Depois passaram em uma floricultura. Évora falou ao atravessar a rua, indo em direção a entrada: — Tá aí um lugar que não sou popular. A megera daí não gosta de mim. — Tome cuidado ou ela te morde. Kaya sorriu e foi ficando para trás na calçada. Parou na frente de uma papelaria ao lado e entrou, distraída. Évora estava no fundo da loja olhando vasos, sendo encarada por Sumayla, que ao ver Kaya lá falou, incomodada: — Quero ela fora daqui. Você não vai conseguir nada conosco. — Vá embora com essa vira-lata. Zay estava nos fundos, ouviu tudo e se aproximou do balcão, rindo. — Não se esqueça de avaliar o nosso ótimo atendimento. Évora! Évora sorriu, apontando algumas mudas. — Pode deixar. Quero aquelas ali. Vou reformar a minha estufa, gosto de lidar com a terra. — E agora tenho uma ajudante nova. Ele foi pegar, estava de costas falando sobre as mudas. Kaya se aproximava mancando, sem a muleta. Sumayla a olhou séria. — E a perna? Já se recuperou? — Parece pronta pra outra. — Disse com deboche. Kaya sorriu sem entender, ia responder normalmente, mas Évora respondeu rápido: — Querida, eles são nossos vizinhos. — Que te ajudaram. Quando você, se feriu. Zay se virou e sorriu, reparando nela. Sentiu as emoções mudarem em segundos, de normalidade e admiração para raiva e hostilidade. — Oi. Tudo bem? — Ele disse, reparando na aparência dela, que estava melhor. Mais bonita. Kaya ficou muito séria, incomodada. Respondeu o olhando fixamente séria. — Oi. — Ahh… donos da armadilha? — Só pra saber, já pegaram algum animal de porte grande? — Leões? Ursos? Onças? Tigres? Sumayla respondeu, cínica: — Cadelas, vira-latas, só cães imundos. É só pra nossa proteção. — Não leve pro lado pessoal, lindinha. Essa cidade anda muito m*l frequentada. — Aliás, você não devia andar por aí sozinha, ainda mais à noite. Invadindo o quintal alheio. Évora estava pagando, ficou sem jeito. Mas respondeu hostil, defendendo Kaya. — Ela não vai mais. Você um dia também foi jovem, Sumayla. — Sabe como eles são e ela precisa de novas amizades. Ela acabou de chegar. Kaya sorriu, cínica, se afastando. — Não acho que vou encontrar pessoas legais por aqui. — Essa cidade é cheia de gente esquisita e hostil. Vou te esperar, lá fora. Évora foi pegando as coisas. Zay a acompanhou, falando da terra. Passaram por trás de Kaya. Ela estava olhando uma roseira com botões vermelho-bordô. Furou o dedo em um espinho. Ficou olhando a papelaria fixamente. Sentiu-se eufórica, e ele sentiu. Ele estava ansioso, tentando se aproximar dela, falou fechando o porta-malas. — E aí, abandonou as muletas? Ainda dói? Évora se afastou, querendo deixar os dois a sós, pois ela via muito potencial neles, juntos. Ela falou passando a rua. — Esqueci uma coisa, já volto. Ele ficou olhando, esperando resposta. Kaya se afastou indo para a papelaria. — É… não gosto delas. Entrou rápido. Foi procurar um caderno de desenho e lápis de cor e sombreado. Perguntou os preços. Mexendo no celular, tentou pagar um caderno e dois lápis, no crédito. A compra foi recusada. Extremamente triste, tentou comprar um caderno mais barato. Também não conseguiu. Envergonhada, agradeceu e saiu cabisbaixa. A paixão dela, era desenhar e ela realmente era boa nisso. Zay estava na calçada, ouviu tudo, ficou com pena. Évora tinha acabado de sair sorridente da floricultura. Falou com ele. — Vou dar cinco estrelas por ter carregado as minhas coisas. Kaya se aproximou. Évora a viu saindo da papelaria e perguntou gentilmente se queria alguma coisa de lá. Ela respondeu, disfarçando o desânimo: — Não… só fui olhar umas coisas que a minha irmã usa. — À toa mesmo. Eu sempre odiei estudar! Évora disse que não gostava muito também. Agradeceu Zay de novo. Kaya atravessou a rua sem falar nem tchau. Foram embora. Ele voltou para dentro. Sumayla estava furiosa, olhando a rua pela vitrine. — Essa daí não vale nada. Que ódio dessa mulher. — Quer esfregar a cadelinha na sua cara. — Não ache que eu não vi. Pra que quer o sangue dela? Ele arrancou a rosa com o sangue dela no espinho e sorriu com deboche. — Só umas pesquisas e um feitiço de localização. — Porque boa parte dessa história não faz sentido. — Se a Évora quer algo com isso, precisamos saber o que é. Sumayla foi atrás, irritada. — E ela é o quê? Ah, por favor. Não se deixe enganar. — Você não é mais um menino. — Não caia nesse jogo, se afaste dela. Eu te peço, imploro, deixe isso pra lá. — Évora não é a única a fazer previsões. Algo r**m vai acontecer aqui. Os boatos estão aumentando. Ele pegou as coisas e saiu, incomodado. — Se não fosse uma delas, tudo bem pra você, minha irmã? — Essa sua implicância não ajuda em nada. — Acho que ela não está sozinha. E se tudo for um plano da mãe dela, vou descobrir. — No último plantão tiveram duas vítimas de acidentes domésticos, do tipo que um vampiro faria pra encobrir algo. — Estão caçando aqui e isso coloca todos nós em perigo. — Se não é ela, é alguém que a quer por perto… e talvez não viva. Uma cliente entrou. Ele saiu. Com o sangue dela, encontrou o que queria e foi procurar. Quanto mais perto chegava, menos sentido fazia. Parou em um bairro afastado da cidade. Tudo indicava que, em uma oficina de motos, teria respostas. Com a desculpa de encontrar uma peça, entrou para tirar informações. Sentiu que era ali o local exato, mas não viu exatamente o que procurava.
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