Ele se abaixou na sua frente, segurou suas mãos, tirou o celular dela.
— Calma, sei que você se preocupa, na verdade acho até que ela já se transformou, logo quando mudaram pra cá.
— Ela vai estar bem cuidada em casa, eles sabem exatamente o que fazer.
— Eu queria muito que a sua primeira vez fosse um momento só nosso.
— Ainda está cedo, você pode ir conversando com ela, vê se está tipo bem.
— Assim que amanhecer, vamos embora e, se qualquer coisa der errado por lá, vão avisar.
— Não tem por que se preocupar tanto com ela, híbridos assim não precisam exatamente da lua, diferente de nós, eu no caso.
— Ela vai poder se transformar sempre que quiser.
— Deixa eu te mostrar tudo, hoje seremos só nós e depois você quem decide.
Ainda dividida, confusa, ela disse que ia pensar. Se deitou olhando o teto do quarto, pensativa. Ele se levantou.
— Vou tomar banho e vamos tomar café, vai pensando em muitas perguntas, vou tirar todas as suas dúvidas.
— Não quer me dar banho, né?
Ela disse que não, pegou o celular e voltou para a cozinha. Enviou mensagens para Kaya:
" Oiii linda bom dia "
" Vc tá bem??? "
" Tá fazendo oq??? "
Mandou foto do bolo de chocolate. As mensagens nem foram entregues. Impaciente, resolveu mandar mensagem para Évora. Ela disse que Kaya estava dormindo e lá tudo bem.
Quando Rick desceu, a mesa estava toda arrumada. Nilufer estava terminando de colocar a cobertura no bolo. Ele se aproximou, encostando ao lado na pia.
— Quer mesmo ir embora?
— Não quero ser chato insistindo pra ficarmos.
— Não precisava fazer tudo isso, esse fim de semana não está nada como eu planejei.
— Depois de ontem, ainda não fiz nada por você hoje.
Ela colocou o bolo na mesa, sorriu puxando a cadeira.
— Hummmm, não quer insistir?
— Falei com a sua mãe, minha irmã está dormindo e tudo bem.
— Vem comer, esse é o melhor agradecimento que poderia me dar.
Ele sentou e a pegou pela mão, puxou para sentar no colo.
— Estou faminto e você? O que quer?
Ela o serviu, deu uma garfada de bolo em sua boca.
— Acho que não quero comer, tô um pouco confusa.
— Sobre ontem principalmente.
Ele também a serviu na boca, disse que não faria de novo nada daquilo. Ela interrompeu:
— Não sem eu deixar, tá bom?
— E não mente mais pra mim, sei que não tenho muita experiência.
— Gosto das coisas que faz comigo, só que…
— Não gosto de ser usada como um brinquedinho e nem tratada como um bichinho frágil de estimação.
— Posso ser sua, realizar suas vontades, fetiches, não sou puritana, tá?
— Só quero poder confiar em você.
Ele sorriu, surpreso, cheio de admiração.
— E vai, se hoje viu tudo aquilo com um beijo, depois será ainda melhor.
— Só não quero errar com você, nunca vivi nada assim com outras.
— Eu fico super inseguro ao seu lado, lobinha.
Ela o abraçou, encostando a cabeça em seu ombro.
— Então não erre!
Ele insistiu para fazê-la comer. Percebeu que estava chateada, querendo ficar quieta. A enchendo de carinho, disse que podiam ir embora. Ela se levantou, pensativa.
— Não quero estragar todos os seus planos. Vamos ficar até o final do dia pelo menos!
— Vou tirar a mesa, quais eram seus planos pra hoje?
— Antes da lua?
Ele começou a ajudar, rindo.
— Éééé ir nadar no rio, pescar… não consigo pensar direito com você fazendo isso.
Ela o olhou sem entender.
— O que?
Ele se aproximou, a segurando pela cintura, mudou a cor dos olhos.
— Isso, você está fazendo!
— Posso ficar meio que no cio hoje, vai precisar me ajudar com isso.
— A te evitar só mais um pouco, porque acredite, depois que começarmos será muito difícil parar.
Ela sorriu e mudou a cor dos olhos também, encarando-o fixamente.
— Não sei como parar, é só pensar em… coisas!
Ele se aproximou e a beijou sutilmente.
— Quer tentar me mostrar? Quais tipos de coisas?
Ela se afastou rindo, o evitando.
— É melhor não.
Terminou de tirar a mesa. Ele deu opções do que poderiam fazer primeiro, perguntou se ela não queria mesmo já ir embora. Ela disse que não, porque tinha certeza de que quando saíssem de lá nada mais seria como antes.
Perguntou se podiam aproveitar o dia, deixando tudo aquilo de lado. Ele concordou, foi arrumar as coisas. A levou fazer trilha e pescar. Só conversaram sobre coisas normais. Ela estava nitidamente diferente, mais séria e contida, o evitando fisicamente.
Já tinham pescado dois peixes, comeram frutas e queijos. Ele disse que ia nadar. Entrou sozinho no rio, foi longe até perder de vista. Quando voltou, quase uma hora depois, ela estava cochilando deitada em cima de uma pedra grande. Ele se aproximou, deitou ao lado, mexeu sutilmente no cabelo dela, acariciando. Ela o abraçou, deitando perto. Ele falou baixinho:
— Você é de verdade, tartaruga?
Ela não entendeu, continuou de olhos fechados.
— Como assim, lebre?
Ele a beijou no rosto, a ajeitou deitada abraçada em cima de seu braço.
— É boa demais pra mim, às vezes parece que eu a inventei.
Ela sorriu e o beijou, voltou a dormir. Passaram horas lá sem fazer ou falar nada. Ele disse que era melhor levá-la para o chalé. Novamente ela começou a se sentir indisposta, com dores de cabeça e o corpo quente. Perguntou se ia doer muito. Ele a pegou no colo como uma noiva.
— Não, se você deixar acontecer e não tentar se conter.
— Não fica nervosa, vou cuidar de você, eu pensei em tudo.
Indisposta, ela disse que precisava falar com a irmã. Ele sugeriu que a buscassem, se aquilo fosse tranquilizá-la.
Estavam chegando no chalé. Ele a colocou deitada no sofá, sentou ao lado.
— Aqui é mais seguro, afastado da cidade, vamos ficar bem.
— É você quem decide, quer ela aqui?
Nilufer estava confusa, disse que ia tentar ligar de novo. Deu caixa postal. Ela ligou para Évora, pediu para chamar Kaya.
Évora foi bater na porta do quarto, disse que tinha levado chá. Kaya acordou e abriu a porta com aquele olhar vazio, apático. Pegou a xícara.
— Obrigada. A minha mãe já voltou?
Évora ficou olhando, apreensiva.
— Sim, está na varanda. Você não está bem, não é?
Kaya foi saindo do quarto, sem jeito.
— Não, tudo normal.
Saiu procurar a mãe. Sentou ao lado.
— Posso ligar pra Nilufer? Só pra conversar!
Yesenia nem a olhou, continuou mexendo no celular.
— Agora quer ser a boa irmã?
— Sei o que quer, atrapalhar o fim de semana dela.
— Já arrumou suas coisas? Vou te levar pra casa!
— Hoje não é um bom dia pra te deixar aqui, colocando pessoas boas em risco.
Kaya foi ficando sentida, confusa.
— Não vou machucar ninguém, eu tô bem.
— Me conta tudo, por favor, mãe.
— Quero saber o que somos, como tudo aconteceu?
Yesenia se levantou, irônica.
— Seu super pai marginal não te contou? Até mostrou a face de b***a dele.
— Pegue suas coisas e deixe a sua irmã em paz. Juro que se fizer qualquer coisa pra atrapalhar ela, vai se arrepender.
Kaya entrou atrás.
— Por que você me odeia tanto?