Ele esticou a mão, sorriu como quem pedia a dela.
— Nós queremos que vá, não vai atrapalhar nada. Ela não iria ficar bem longe de você.
Kaya segurou a mão dele sutilmente.
— Obrigada… eu juro que tô tentando, mas…
Ficou constrangida, se sentindo inferiorizada.
— Sempre teve algo muito errado comigo, não sou como ela.
— Sei que acabou de me conhecer e a minha fama não é das melhores.
— Minha irmã não é nada como eu, se eu fizer alguma coisa errada, não deixa isso influenciar o seu julgamento sobre ela, por favor.
— Ela não tem culpa de nada.
Ele estava com dó, a acariciou sutilmente no braço.
— Não vai acontecer nada, as coisas vão melhorar, pode acreditar.
— Também já fiz coisas erradas, isso é normal.
— Posso contar muitas histórias pra vocês, vão cansar de ouvir minha voz.
— Conforme for anoitecendo, é provável que se sinta pior… dores, irritação.
— Deixa eu te ajudar? Por favor, confia em mim.
Ela soltou a mão, balançou a cabeça que sim. Ele foi levantando.
— Vamos sair daqui logo, antes que a sua mãe chegue.
— Vai gostar de lá, é incrível.
Nilufer estava no corredor ao lado da porta, ouvindo tudo. Ficou parada esperando ele sair, sorriu cheia de admiração e o abraçou. Ele a beijou sutilmente.
— Vai ficar tudo bem, vou cuidar de vocês.
— Vamos logo antes que a sua mãe chegue, essa é uma guerra que eu prefiro evitar.
Nilufer concordou, foi na porta do quarto.
— E aí Kay, vamos? Pega algumas roupas, tudo bem?
Kaya concordou calada, colocou uma troca de roupa na mochila, um caderno de desenho e uma caneta. Foram saindo juntos. Rick abriu a porta do carro para as duas, estava falando sobre irem ao mercado. Ao entrar no carro, perguntou se estavam com fome. Nilufer se virou para trás.
— Estou, e vocês? Têm comido direito?
Kaya levantou os ombros, tipo tanto faz. Rick a olhou pelo retrovisor.
— Vou te dar o privilégio de iniciante… escolhe o que quer comer.
— Qualquer coisa… japonês, frango assado ou frito, churrasco, pizza, lanche, macarrão?
Nilufer se virou para frente rindo.
— Ela não gosta do que eu gosto, Rick. Vou cozinhar pra vocês, tem umas coisas que sobraram de ontem.
O celular começou a tocar, era Yesenia desesperada atrás delas. Ele parou para abastecer no posto de combustível, sugeriu que elas fossem comprar água ou qualquer coisa. Nilufer desceu primeiro digitando mensagens para a mãe, falou que ia ficar sozinha com a irmã um tempo, deu o cartão de crédito, pediu para Kaya ir pegar algo para tomar café da manhã.
Ela foi entrando na conveniência, olhou os salgados no balcão, olhou para fora pensando no que fazer. Monaylle, a atendente, se aproximou.
— Oi.
Kaya foi perto dos cigarros.
— Oi, vende cigarro solto? Quanto é?
Alguém chamou Monaylle dos fundos, ela se afastou.
— Vende sim, espera um pouquinho.
Kaya pegou duas garrafas de água, uma de suco, ficou impaciente esperando. Rick entrou primeiro, encostou ao lado.
— Sua irmã quer um salgadinho, pode pegar tudo o que quiser… umas três coxinhas?
Monaylle voltou, sorriu pra ele.
— Oi Rick, você por aqui? Uauuuu.
— Vai querer gelo também?
— O pessoal acabou de sair daqui, muito bem abastecido. Vão no penhasco.
Super simpático, ele começou a conversar, disse que não ia pra lá, foi pedindo salgados. Ela começou a pegar, falando sobre um desafio novo, com o rio cheio. Kaya estava quieta ao lado, pediu dois salgados, se distraiu olhando alguns doces, bolos de pote. Monaylle colocou o maço de cigarros em cima do balcão.
— Vai querer quantos?
Tentando disfarçar, Kaya balançou a cabeça que não.
— Tem nozes nesse aqui? Esse mais claro é do quê?
Monaylle respondeu, pegou o que ela escolheu. Rick disse que ia pagar. Kaya foi saindo comendo, sorriu mostrando o doce para Nilufer, ofereceu. Ela mordeu o salgado, começou a rir, perguntou se Kaya não tinha nojinho da boca beijoqueira dela. Kaya negou, deu outro pedaço.
— Aiiii, como você é b***a… já tô começando a me arrepender de ir ficar com vocês. Ser vela.
Estavam encostadas no carro rindo. Nilufer a abraçou afetuosa.
— Não vou ser só sua para sempre, mas nunca vou deixar de ser sua irmã.
— Dá uma oportunidade pro Rick, quando o conhecer melhor, vai gostar dele.
— Não é só um rostinho bonito, um corpinho maravilhoso. Gostoso.
Kaya revirou os olhos, o olhando de longe.
— Uhum, sei… queria entender o que aconteceu com você pra virar a cadelinha dele tão rápido.
Nilufer tomou o doce de Kaya. Respondeu.
— Olha só, vamos ter novos apelidos?
— Quando for a sua vez de se apaixonar dessa forma, vou te julgar igualmente.
Abriu e começou a comer.
— Quero que aconteça bem rápido, aliás… quero te ver l.ouca por alguém, acordando e indo dormir pensando nele ou nela.
Rick se aproximou guardando as coisas no carro. Nilufer começou a rir com maldade.
— Minha irmã quer saber se tem lobas que gostam de lobas.
Ele sorriu sem jeito.
— Sei lá… você disse que não queria doce!
— Kaya, vai lá pegar outro.
Nilufer estava comendo tudo, disse que mudou de ideia. Kaya não quis ir pegar, agradeceu e entrou no carro, incomodada. Ele perguntou o que Yesenia disse, Nilufer foi contando tudo, confessou que estava muito irritada e sem paciência para ouvir as histórias da mãe. Ele sugeriu que não falassem dela durante o passeio.
Quando estavam chegando no chalé, passando perto do rio, puderam ver várias pessoas reunidas no alto de um penhasco. Parecia uma festa, com barracas, churrasqueira, som alto. Nilufer perguntou o que era aquilo, ele reduziu a velocidade olhando de longe.
— Ahh… uns doidos com muita energia para gastar.
— Vocês não são as únicas que precisam de uma atenção especial nessa época.
— Eles fazem uns jogos, competições… rola um pouco de tudo, muita diversão. Pegação.
Nilufer disse que queria ir pra lá, conhecer os amigos dele. Ele sorriu irônico.
— Eu não disse que somos amigos.
Ela se virou para trás, eufórica.
— A minha irmã quer ir, você disse que queria ajudar ela, né? Aposto que tem vários amigos legais como ela para apresentar.
O beijou no rosto.
— Ah, vamos… não seja chato, pois ontem você estava bem legal.
— Quero que ela se divirta e encontre alguém. Que a faça se sentir especial, única.
Mesmo contrariado, ele aceitou, pediu pra elas não ficarem falando sobre serem híbridas, porque nem todos gostavam daquilo e podiam não entender, se sentir ameaçados. Comentou que a maioria lá era um pessoal mais rebelde, com a mente aberta sobre as diferenças e clãs, lobos, bruxos, nem todos eram amigos de fato, inclusive alguns eram excluídos das famílias.
Primeiro foram para o chalé guardar as coisas. Kaya permanecia calada, só observando tudo. Foi até um quarto, pediu para se trocar. Nilufer foi pegando opções de biquínis toda animada, saiu para se trocar também. Kaya colocou um, ficou se olhando no espelho incomodada com as marcas, cicatrizes, colocou shorts jeans e uma blusa fina de manga comprida.
Nilufer estava se trocando no quarto sozinha, desceu procurando o protetor solar. Com brincadeira, pediu para Rick passar. Encostou na mesa da cozinha de costas, ele começou passar rindo. Falou com malícia.
— Não pode fazer essas coisas.
Ela se debruçou ficando de quatro.
— Não estou fazendo nada.
Ele se encostou atrás, a segurou pelo cabelo e cintura, a fazendo sentir que estava e******o.
— Não vou conseguir me conter desse jeito.
Começou acariciar o corpo dela, a puxou para beijar abraçado ainda de costas, foi apertando os s.eios por baixo do biquíni. Ela estava ficando impaciente, suspirando excit.ada, pediu para saírem de lá. Ele estava adorando brincar com ela, a levando ao limite, continuou provocando, a enchendo de beijos.
— Não vamos a lugar algum… quer parar ou g.ozar ali bem rápido?
Se deixando levar pelo instinto, ela não conseguia parar, só queria mais daquilo.
— Vamos sair… por favor…
Ele a levou para fora, no cantinho, foi enfiando a mão dentro da calcinha.
Kaya já havia se trocado, foi descendo apreensiva, com vergonha de ir encontrar mais pessoas como eles.
Rick estava ouvindo ela descer as escadas. Por alguns instantes imaginou que estava com ela e não com Nilufer, se perdeu naquele momento, como se realmente fosse tudo diferente. Estavam fazendo barulho baixinho, Nilufer começou ge.mer mais alto, quase alcançando o êxtase.
Kaya ouviu da porta da cozinha, saiu rápido. Sabia que estavam juntos e se imaginou no lugar da irmã. Extremamente incomodada, se afastou o máximo que pôde, culpada por querer aquilo, se sentiu muito errada, suj.a.
Foi andando para longe do chalé, se sentindo angustiada, só queria que aqueles pensamentos parassem.
Rick só parou de pensar nela quando Nilufer alcançou o êxtase e falou que não queria nada além dele na vida. Ele a beijou sutilmente.
— Espero que não se canse de mim, um dia.
Ela se afastou rindo, ajeitando a roupa.
— Não vou, pode ter certeza.
— Eu já volto, vou jogar uma água no corpo e chamar a minha irmã.
Subiu correndo dizendo que já estavam saindo. Primeiro foi tomar banho e depois olhar o quarto de Kaya. Ele ficou esperando como se não soubesse que ela saiu.
Nilufer logo voltou a procurando, chamando. Saíram no quintal, ele disse que ela devia estar por perto, explorando o local. Nilufer se afastou rindo.
— Explorando? Igual a você dentro da minha calcinha?
— Será que ela viu a gente?
Ele disse que não. Foram juntos procurar. Ela estava sentada olhando o rio, arrependida de ter ido com eles, por estar sobrando e atrapalhando.
Voltaram para o chalé e foram para a festa. Ele estava um pouco apreensivo, instruiu elas a não falarem muito. Nilufer brincou dizendo que Kaya não falaria qualquer coisa mesmo.
Quando chegaram, ficou nítido que ele era bem conhecido e próximo da maioria. Foram se aproximando, cumprimentando ele, que apresentou Nilufer como namorada. Super simpática, ela foi decorando os nomes, encontrou uma colega da autoescola e já foi se enturmando.
Kaya ficou para trás, deu a volta no carro, foi se afastando indo perto do penhasco. Ela reconheceu o lugar, era o mesmo com que sonhava. Começou a se sentir confusa, insegura. Rick estava um pouco longe, a olhando preocupado, porque percebeu que ela estava ficando agitada.
Tinha um pessoal se preparando para pular, estavam fazendo apostas. Monaylle se aproximou de Kaya com duas garrafas de cerveja nas mãos.
— Quer participar? Tem que ser em dupla. Toma!
Kaya ficou séria, a olhou reparando na aparência, ela estava mais bonita, que na loja.
— Não, valeu. Eu não tô bebendo.
— São seus amigos também? Daquela festa?
Monaylle bebeu a cerveja toda de uma vez, sorriu.
— É… mais ou menos isso. Por quê? Está procurando alguém especial?
Kaya olhou na direção da irmã.
— Você me viu? Na festa? É que… não me lembro bem de metade dela.
— Desculpa parecer estranha, só que…
Monaylle sorriu com deboche.
— Você estranha? Imagina!
— Te vi sim, mas você não me deu a menor atenção, e não foi só lá, aliás.
Zay estava observando elas, reparou e sentiu como Kaya, estava confusa, insegura, se aproximou interrompendo.
— Desculpa atrapalhar, mas eu não tenho o dia todo.
— Vai fazer com ela? — Ele disse para Monaylle.