Kaya concordou, ficou sentida. Respondeu com os olhos marejados.
— Só você é! Um dia vai viver sua vida, ter uma família só sua… e não vai ter espaço pra mim.
— Quando esse momento chegar, vou embora… nós sabemos que você não precisa de mim mesmo.
— Sempre vai ser a minha irmã e a melhor coisa que aconteceu na minha vida.
Nilufer sorriu e a abraçou com os olhos marejados. Respondeu.
— Sempre vou precisar de você… e se não, tanto faz, porque o seu espaço ninguém vai tomar.
— Sei que está chateada porque eu tô namorando e não confia nele.
— Precisa confiar em mim. Não sou aquela menininha boba que precisava da irmã mais velha até para calçar um sapato.
— O que eu tô vivendo é único e especial… quando for a sua vez, vai entender.
— Não tem como controlar, nós nos pertencemos.
— Eu faria qualquer coisa por você e, se tivesse que escolher, sempre seria você.
— As coisas vão melhorar. Você não sabe, como é se conectar a alguém, tão profundamente.
Rick estava ouvindo tudo da varanda, pensando no quanto ia perder a credibilidade de manipulação, se a namorada descobrisse que ele havia ficado com a cunhada, ele saiu com uma taça nas mãos.
— Vocês querem beber um pouco?
— Há quem goste muito nesses dias… comer e beber. Relaxar.
Nilufer pegou a taça, experimentou o drink, falou rindo.
— Não sei se devo acreditar em você.
— Começou o jantar sem mim?
Ele se abaixou na frente delas.
— Tive que começar… ela precisa comer bem.
— Como está se sentindo Kaya?
Kaya levantou os ombros, tipo tanto faz, respondeu sem olhar para ele:
— Sei lá… com dores de cabeça.
Foi levantando.
— Já volto.
Entrou na casa, foi para o quarto. Enjoada, com falta de ar e muito calor, entrou tomar banho. Podia sentir que algo estava prestes a acontecer. Ficou se olhando no espelho pensativa, fisicamente tudo estava normal. Diferente de Nilufer, seus olhos não estavam mudando.
Incomodada com o m*l-estar e até frustrada, se sentindo impotente, se trocou colocando shorts de laicra curto justinho e camiseta. A vontade era de nem sair do quarto, já imaginando que os dois estariam se agarrando.
Rick estava preparando o jantar, fez carne assada com batatas, arroz e salada de legumes. Nilufer estava sentada à mesa bebendo e conversando, comentou com mais detalhes como foi a infância delas, disse que Callum adotou Kaya e sempre a tratou como filha. Confessou que nunca entendeu qual foi o gatilho que fez a irmã mudar tanto, perguntou se era relacionado à idade e ao que esconderam delas a vida toda.
Ele podia imaginar que os maus tratos de Callum começaram naquela época, disse apenas que talvez Yesenia havia mexido muito com a cabeça da Kaya, enchendo-a de medicações, feitiços e tendo tudo cortado precocemente, alterando a natureza dela. Nilufer estava pensativa, foi levantando chateada.
— E se nunca acontecer? Como fica tudo?
— E se algo dentro dela mudou… foi danificado?
— Algo me diz que o pai dela quer alguma coisa. Não quero que ele se aproxime de jeito nenhum.
— Ela é carente… vai se apegar a qualquer esmola de afeto e se deixar ser manipulada.
Se aproximou para beijá-lo.
— Vou lá chamar ela… espero que coma.
— Obrigada por me ajudar com isso, você é incrível.
Afetuoso, ele a beijou e abraçou.
— Não tem de quê… ela vem no pacote que me garante ter você. Pelo menos já entrei sabendo onde.
Ela se afastou rindo.
— De entrar você realmente entende. Gostoso.
Foi até o quarto, entrou sem bater.
— O jantar está pronto.
Kaya estava sentada no canto da cama, olhando para a janela, levantou séria.
— Acho que não quero comer… Nilufer, estou com medo de fazer algo errado.
— Ontem eu me acorrentei porque quis… acho melhor você…
Nilufer interrompeu, se aproximando.
— Não precisa ter medo, não vai machucar a nós.
— Quer beber um pouco?
Foram saindo do quarto de mãos dadas. Kaya tomou um pouco do drink, perguntou se ela teve dores. Nilufer respondeu baixinho:
— Tive… a tarde toda até a noite. Quer mesmo saber como foi?
Parou no pé da escada cochichando.
— Me senti muito segura… e a dor foi tomada por prazer, porque nós…
— Fizemos um amor muito louco, gostoso… foi a nossa primeira vez juntos, pra valer. Eu g.ozei a noite toda, nós viravamos lobos e humanos, e ficamos na mata.
— Nos conectamos. Ele me mostrou tudo o que eu precisava saber, sem falar nada. Telepatia, conexão.
— Não é só sobre estar com alguém… acho que é sobre não estar sozinha.
— Desde que chegamos aqui, você tem mudado. Naquela noite teve um apagão, voltou machucada e disse que foi estup.rada.
— Talvez tenha vivido algo assim com alguém e se esqueceu.
— Com certeza não é nada convencional fazer algo prazeroso nesse estado.
— Porque o lado animal pode dominar e… não se lembra de nada mesmo?
— Talvez não foi bem um ab.uso e vir.gem você não devia ser.
— Já não fazíamos o exame há tempos… sabe que pode confiar em mim.
— Se tá escondendo algo, quero saber.
Kaya ficou incomodada, respondeu hostil:
— Por que você sempre faz isso?
— Roda e volta na mesma conversa, sempre contra mim.
— Que diferença faz agora? Ter acontecido ou não?
— Queria me oferecer como uma c****a vir.gem? Igual a você?
— Aposto que se ele fosse pobre, ninguém iria te apoiar nisso. Estão te vendendo e você está gostando!
Nilufer ficou brava, segurou no braço da irmã apertando forte.
— Sabe qual é o seu problema? Não suporta ver ninguém feliz.
— Eu já não era virg.em antes de nos mudarmos, sua idi.ota.
— A gente tá fazendo de tudo pra te ajudar… acha que eu não preferia estar fazendo outras coisas?
Jogou Kaya no chão.
— Você não quer nada… só quer reclamar e ser ingrata.
Kaya caiu nos primeiros degraus da escada, se machucou com a taça cortando a mão. Ela mesma levou um susto com a hostilidade da irmã, ficou sem reação, assustada. Pôde ver que Nilufer estava diferente, mudando a feição… como se fosse se transformar…