Capítulo 48

1052 Words
Kaya concordou, ficou sentida. Respondeu com os olhos marejados. — Só você é! Um dia vai viver sua vida, ter uma família só sua… e não vai ter espaço pra mim. — Quando esse momento chegar, vou embora… nós sabemos que você não precisa de mim mesmo. — Sempre vai ser a minha irmã e a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Nilufer sorriu e a abraçou com os olhos marejados. Respondeu. — Sempre vou precisar de você… e se não, tanto faz, porque o seu espaço ninguém vai tomar. — Sei que está chateada porque eu tô namorando e não confia nele. — Precisa confiar em mim. Não sou aquela menininha boba que precisava da irmã mais velha até para calçar um sapato. — O que eu tô vivendo é único e especial… quando for a sua vez, vai entender. — Não tem como controlar, nós nos pertencemos. — Eu faria qualquer coisa por você e, se tivesse que escolher, sempre seria você. — As coisas vão melhorar. Você não sabe, como é se conectar a alguém, tão profundamente. Rick estava ouvindo tudo da varanda, pensando no quanto ia perder a credibilidade de manipulação, se a namorada descobrisse que ele havia ficado com a cunhada, ele saiu com uma taça nas mãos. — Vocês querem beber um pouco? — Há quem goste muito nesses dias… comer e beber. Relaxar. Nilufer pegou a taça, experimentou o drink, falou rindo. — Não sei se devo acreditar em você. — Começou o jantar sem mim? Ele se abaixou na frente delas. — Tive que começar… ela precisa comer bem. — Como está se sentindo Kaya? Kaya levantou os ombros, tipo tanto faz, respondeu sem olhar para ele: — Sei lá… com dores de cabeça. Foi levantando. — Já volto. Entrou na casa, foi para o quarto. Enjoada, com falta de ar e muito calor, entrou tomar banho. Podia sentir que algo estava prestes a acontecer. Ficou se olhando no espelho pensativa, fisicamente tudo estava normal. Diferente de Nilufer, seus olhos não estavam mudando. Incomodada com o m*l-estar e até frustrada, se sentindo impotente, se trocou colocando shorts de laicra curto justinho e camiseta. A vontade era de nem sair do quarto, já imaginando que os dois estariam se agarrando. Rick estava preparando o jantar, fez carne assada com batatas, arroz e salada de legumes. Nilufer estava sentada à mesa bebendo e conversando, comentou com mais detalhes como foi a infância delas, disse que Callum adotou Kaya e sempre a tratou como filha. Confessou que nunca entendeu qual foi o gatilho que fez a irmã mudar tanto, perguntou se era relacionado à idade e ao que esconderam delas a vida toda. Ele podia imaginar que os maus tratos de Callum começaram naquela época, disse apenas que talvez Yesenia havia mexido muito com a cabeça da Kaya, enchendo-a de medicações, feitiços e tendo tudo cortado precocemente, alterando a natureza dela. Nilufer estava pensativa, foi levantando chateada. — E se nunca acontecer? Como fica tudo? — E se algo dentro dela mudou… foi danificado? — Algo me diz que o pai dela quer alguma coisa. Não quero que ele se aproxime de jeito nenhum. — Ela é carente… vai se apegar a qualquer esmola de afeto e se deixar ser manipulada. Se aproximou para beijá-lo. — Vou lá chamar ela… espero que coma. — Obrigada por me ajudar com isso, você é incrível. Afetuoso, ele a beijou e abraçou. — Não tem de quê… ela vem no pacote que me garante ter você. Pelo menos já entrei sabendo onde. Ela se afastou rindo. — De entrar você realmente entende. Gostoso. Foi até o quarto, entrou sem bater. — O jantar está pronto. Kaya estava sentada no canto da cama, olhando para a janela, levantou séria. — Acho que não quero comer… Nilufer, estou com medo de fazer algo errado. — Ontem eu me acorrentei porque quis… acho melhor você… Nilufer interrompeu, se aproximando. — Não precisa ter medo, não vai machucar a nós. — Quer beber um pouco? Foram saindo do quarto de mãos dadas. Kaya tomou um pouco do drink, perguntou se ela teve dores. Nilufer respondeu baixinho: — Tive… a tarde toda até a noite. Quer mesmo saber como foi? Parou no pé da escada cochichando. — Me senti muito segura… e a dor foi tomada por prazer, porque nós… — Fizemos um amor muito louco, gostoso… foi a nossa primeira vez juntos, pra valer. Eu g.ozei a noite toda, nós viravamos lobos e humanos, e ficamos na mata. — Nos conectamos. Ele me mostrou tudo o que eu precisava saber, sem falar nada. Telepatia, conexão. — Não é só sobre estar com alguém… acho que é sobre não estar sozinha. — Desde que chegamos aqui, você tem mudado. Naquela noite teve um apagão, voltou machucada e disse que foi estup.rada. — Talvez tenha vivido algo assim com alguém e se esqueceu. — Com certeza não é nada convencional fazer algo prazeroso nesse estado. — Porque o lado animal pode dominar e… não se lembra de nada mesmo? — Talvez não foi bem um ab.uso e vir.gem você não devia ser. — Já não fazíamos o exame há tempos… sabe que pode confiar em mim. — Se tá escondendo algo, quero saber. Kaya ficou incomodada, respondeu hostil: — Por que você sempre faz isso? — Roda e volta na mesma conversa, sempre contra mim. — Que diferença faz agora? Ter acontecido ou não? — Queria me oferecer como uma c****a vir.gem? Igual a você? — Aposto que se ele fosse pobre, ninguém iria te apoiar nisso. Estão te vendendo e você está gostando! Nilufer ficou brava, segurou no braço da irmã apertando forte. — Sabe qual é o seu problema? Não suporta ver ninguém feliz. — Eu já não era virg.em antes de nos mudarmos, sua idi.ota. — A gente tá fazendo de tudo pra te ajudar… acha que eu não preferia estar fazendo outras coisas? Jogou Kaya no chão. — Você não quer nada… só quer reclamar e ser ingrata. Kaya caiu nos primeiros degraus da escada, se machucou com a taça cortando a mão. Ela mesma levou um susto com a hostilidade da irmã, ficou sem reação, assustada. Pôde ver que Nilufer estava diferente, mudando a feição… como se fosse se transformar…
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