O grande salão da universidade estava lotado de estudantes. O murmúrio de vozes ansiosas preenchia o espaço, ecoando pelas paredes brancas e brilhantes. Lucas estava no meio da multidão, de braços cruzados, observando com atenção os outros estudantes ao seu redor. Ele estava acostumado com a tensão antes de um grande projeto, mas algo nele parecia diferente dessa vez. Era a incerteza de não saber quem seria sua parceira. E, mais importante, o medo de que sua dupla não fosse comprometida o suficiente para levar o projeto a sério.
Ele se ajeitou na cadeira, tentando respirar fundo. Estava rodeado de colegas que compartilhavam o mesmo sentimento de ansiedade e impaciência. O projeto era uma chance única de se destacar, mas também um grande risco. E para Lucas, o maior risco era que ele acabasse com uma dupla que não fosse dedicada o suficiente para o seu padrão de trabalho.
— Lucas, o que você acha dessa história de duplas? — perguntou Octávio, que estava sentado ao seu lado. Octávio era um aluno de Engenharia Informática, muito inteligente e com um jeito bastante tranquilo. Ele era o tipo de pessoa que sabia fazer amigos facilmente e nunca se deixava abalar pela pressão.
— Não sei, Octávio. Não gosto dessa ideia de sorteio. Não posso arriscar uma dupla que não se dedique ao projeto — respondeu Lucas, balançando a cabeça com uma expressão pensativa.
— Ah, relaxa. Vai dar certo. Além disso, quem sabe você não acaba com alguém que realmente se dedica, né? — Octávio disse com um sorriso tranquilo, mas Lucas não parecia convencido. Ele sabia que o sucesso do projeto dependia de uma colaboração forte e eficiente entre as duplas, algo que ele não poderia deixar ao acaso.
A vice-reitora da universidade subiu ao palco, interrompendo os murmúrios da sala. Ela era uma mulher de meia-idade, com um semblante sério e profissional. Todos os olhos se voltaram para ela, e o ambiente de tensão aumentou ainda mais.
— Bom dia a todos, começou ela, com uma voz clara e firme. — Sejam bem-vindos à reunião que marca o início de um dos projetos mais importantes da nossa universidade neste semestre: o Projeto Interdisciplinar de Engenharia e artes e Comunicação.
Ela fez uma pausa para olhar os rostos atentos na sala.
— Como sabem, o objetivo deste projeto é criar uma instalação artística interativa, que combine conceitos de Engenharia e Arte. Para que o projeto funcione, cada dupla precisará contar com um estudante de Engenharia e um de Artes e Comunicação, o que significa que os alunos de Engenharia não poderão formar duplas apenas entre si e os alunos de Artes também precisarão se unir a um estudante de Engenharia.
Lucas franziu a testa. Ele já imaginava que a ideia seria essa, mas não gostava da ideia de ser obrigado a trabalhar com um estudante de outra área. Ele era disciplinado e focado nos seus estudos, e a ideia de ter que dividir um projeto com alguém que não compartilhava a mesma visão de trabalho o incomodava.
Não foram só Lucas e Octávio que ficaram desconfortáveis com a notícia. O salão se encheu de murmúrios e algumas reclamações. Era claro que muitos dos alunos não gostavam da ideia de serem forçados a formar duplas com alunos de outra área. Para muitos, isso significava um grande risco de diluição da qualidade do trabalho, já que as habilidades e os interesses de cada um eram tão diferentes.
A vice-reitora aguardou a reação da plateia e, quando o silêncio voltou, ela continuou.
— Eu entendo que essa ideia pode gerar desconforto, mas ela é necessária para garantir a interação entre as áreas. E é exatamente isso que esperamos: que os alunos de Engenharia possam trazer a parte técnica e os alunos de Artes e Comunicação tragam a criatividade para o projeto. Juntos, vocês terão a chance de criar algo inovador e impactante.
A sala estava em silêncio, mas muitos estavam claramente desapontados. Alguns alunos já estavam se preparando para desistir. Para Lucas, a ideia de ter que trabalhar com alguém que não tinha o mesmo nível de dedicação que ele parecia um risco grande demais. Ele já tinha uma ideia clara do que queria fazer no projeto, e a possibilidade de não conseguir um parceiro comprometido era um pensamento perturbador.
A vice-reitora então se despediu rapidamente, dando a palavra aos coordenadores dos cursos de Engenharia e Artes, que agora assumiriam o controle da formação das duplas.
— Agora, vamos iniciar o sorteio, anunciou o coordenador de Engenharia, um homem alto com uma expressão séria. — Aos que se inscreveram para o projeto, as duplas serão pareados por sorteio. Vou retirar um nome de um estudante de Artes e, em seguida, o coordenador de Artes retirará um nome de um estudante de Engenharia. Esses serão os pares que trabalharão juntos no projeto.
_Não sei se me fiz entender , alguma dúvida?
Uma voz feminina ecoou
_Isso significa que teremos de fazer o projeto com um estudante de outro curso e não poderemos escolher?
_É exactamente isso_disse o coordenador
Lucas sentiu seu coração bater mais rápido. Ele estava ansioso e até um pouco nervoso. E se ele fosse emparelhado com alguém que não levasse o projeto a sério? A chance de falhar parecia grande demais.
O coordenador de Engenharia pegou o primeiro papel da urna e leu o nome em voz alta.
— Lucas Fernandes.
Seu nome ecoou pela sala, e ele se levantou com um suspiro. Agora era real. Ele sabia que não havia volta. O sorteio estava feito. Ele não poderia desistir agora.
Foi quando o coordenador de Artes pegou o papel da urna e leu em voz alta.
— Isabela Andrade.
Isabela se levantou com um sorriso. Ela olhou para Lucas, que a encarava surpreso. Ela acenou com a mão, como se fosse algo natural. Ele não sabia o que fazer com aquela reação. Isabela? A garota popular, extrovertida, sempre rodeada de amigos? Ele não podia acreditar. Ela parecia o tipo de pessoa que iria detestar o trabalho e se distrair durante todo o projeto.
— Você está bem, Lucas? — Octávio perguntou ao ver a expressão de Lucas.
— Sim, claro... só estou tentando entender o que isso vai significar para o nosso projeto — Lucas respondeu com um suspiro, ainda em choque.
Isabela sorriu para ele ao se aproximar. A expressão dele ainda estava em dúvida, mas ela não parecia se importar com isso.
— Oi, Lucas! Acho que vamos fazer uma ótima dupla, não é? — Isabela disse com um sorriso, acenando para ele de forma amigável.
Ela parecia completamente relaxada, como se aquilo fosse uma grande diversão para ela. Lucas, por outro lado, sentia uma pressão enorme. Ela não parecia nem um pouco preocupada com o trabalho que estava por vir, e isso o deixava ainda mais ansioso.
Depois de mais alguns sorteios, as duplas estavam formadas, e os coordenadores explicaram as condições do projeto. O tempo total seria de um mês, um prazo curto para a complexidade do trabalho, mas a universidade tinha diminuído as horas de aula para que os alunos tivessem mais tempo para se dedicar ao projeto.
O professor de Engenharia esclareceu que, durante esse período, os alunos precisariam se reunir regularmente para discutir o andamento do trabalho, e que a data final seria o evento de apresentação da instalação. O prazo apertado colocava uma pressão extra sobre todos.
Após a reunião, Isabela e Lucas trocaram números de telefone para se organizar, e ficaram de iniciar o projeto no dia seguinte. Isabela estava animada, e Lucas... estava preocupado. Ele já sabia o que fazer e tinha muitas ideias, mas não sabia se Isabela estava disposta a colaborar da mesma forma.
Quando Lucas estava com seus colegas começaram a comentar sobre as duplas formadas. Alguns estavam rindo, outros discutindo quem teria as melhores duplas. Alguém comentou sobre Isabela, dizendo que ela era uma das garotas mais bonitas e populares da universidade.
— Eu nunca a vi antes — Lucas comentou, ainda meio pensativo. O que não era realmente verdade ele conhecia as pessoas, pelo menos de vista só não se interessava
— Claro, você nunca tem tempo para as mulheres, só livros e livros, disse um dos colegas com um sorriso. Os outros riram, e a conversa continuou, mais descontraída.
Lucas sorriu sem muita empolgação. Ele não estava ali para formar amizades, ele estava ali para ganhar o prêmio e completar o projeto com sucesso.
Ao voltar para casa, ele pensou, enquanto olhava para o celular: Sendo ela quem for, o que me interessa é ganhar o prêmio. Espero que ela colabore e se dedique ao máximo, porque isso é o que importa.