Pegou o martelo, segurou a mão dela afastando da tábua
— Você é fácil demais, bastante esquisita.
— Qual o seu problema afinal?
— Sadomasoquista?
Começou fazer medições, com os pregos
— Porque está bem longe, de uma moça normal.
Ela se encostou olhando o que ele fazia, sem nem saber o que significava aquilo
— É que eu estou morta. A algum tempo!
— Você também está?
— Ou é aquelas pessoas, que voltaram a vida e aí ficaram insanas?
Ele começou martelar, parou e jogou um pincel nela
— Não, nenhuma dessas opções.
— Já que vai ficar aqui, me ajude.
— Escolhe uma tinta e passe nessas madeiras aqui.
Ela começou olhar, pegou uma azul marinho, ele olhou a julgando
— É uma casinha de passarinhos, porque tinha que escolher, logo a opção mais escura? Sombria?
Tomou das mãos dela, deu uma verde claro
— Morreu com a sua mãe?
Ela começou pintar, cabisbaixa
— Não! Foi um pouco antes.
Era nítido que ela tinha problemas, ele ainda só não entendia quais, ficou intrigado curioso, passaram um tempo em silêncio, ao acabar de pintar aquela madeira, ela foi fechando o potinho
— Amarelo? Ou vermelho?
Ele apontou o azul escuro
— Quer esse?
Ela levantou os ombros tipo tanto faz, ele pegou o amarelo
— Me lembrei de você, a alguns anos, no sorteio da festa de Natal.
— Era muito diferente!
— Seu pai ganhou uma televisão e fez rifa logo depois, para custear as despesas com a sua mãe.
Ela continuou pintando cabisbaixa pensativa, imaginando que não poderia contar nada a ele, sobre seus problemas
— É, fez sim.
— Eu ainda te admirava e a minha mãe, morreu grata a você.
— Por ter ajudado tanto a nossa família.
— Pelo visto todos nós a decepcionamos.
Ele ficou calado pensativo, tinha procurado as redes sociais dela, mais cedo, encontrou fotos, a onde ela usava roupas delicadas, sempre coloridas, floridas, o cabelo era comprido natural, nem um batom forte, ela não usava, ele começou ficar um pouco obcecado por ela.
Queria desvendar seus mistérios, porém já estava perdendo a vontade, de continuar brincando, pois ele queria alguém que fosse reagir e o confrontar, se humilhando.
O celular dele começou tocar, ele mexeu e guardou no bolso
— Vamos almoçar, já terminaram de arrumar a mesa.
Ela o olhou tentando disfarçar o quanto estava surpresa
— Tem mais pessoas aqui?
Ele disse que sim, foi indo em direção a varanda, entrou em um outro quarto, ela foi atrás, parou na porta ficou olhando reparando, percebeu que era o quarto dele, quando ouviu o chuveiro ligando, foi entrando olhando tudo, viu o celular em cima da cama, pensou em mexer, mas sabia que seria inútil.
Viu uma pasta preta com uma grande quantidade de folhas, ia abrir para ver, quando ele saiu do banheiro n u e a surpreendeu
— O que está fazendo em meu quarto?
Ela esbarrou o braço na pasta, acabou derrubando
— Nada!
Ele se aproximou a olhando pegar
— Nada? Ou veio mexer nas minhas coisas?
Tirou a toalha deixando o p au a mostra perto do rosto dela
— Vamos tomar banho comigo.
— Já que veio até aqui.
Começou se tocar, batendo pu nheta, passou a mão nas costas dela, enquanto ela devolvia a pasta no lugar, ela se virou ficando mais séria incomodada
— Porque sente tanto prazer, em me mach.ucar?
Ele se aproximou devagar a encostando no rack
— Não sei, quero descobrir.
Começou acariciar os braços, segurou o pescoço enforcando não muito forte
— Quer ir embora?
Ela balançou a cabeça que sim, desviando o olhar, ficou cética encarando a cama, ele foi abaixando as alças do vestido, a deixou nu a, fechou a porta da varanda e a pegou pela mão
— Precisa fazer por merecer, para ir embora.
A levou para a cama
— Deite-se!
— Não saia daí.
Foi para o banheiro, tomou banho e logo voltou, foi se vestindo, colocou bermuda e regata, ela ficou deitada esperando qualquer outra coisa ruiim, se cobriu com um lençol, ele disse que já voltava, saiu e voltou em poucos minutos, com um lápis de desenho, pegou a pasta e tirou uma folha em branco
— Deite de lado, de uma maneira mais confortável, não pode se mexer, até eu acabar.
— Vou registrar nossos momentos.
Ela se ajeitou constrangida, deitou de lado com a cabeça apoiada no braço, ele se aproximou puxando o lençol, deixando mais sensual, mostrando um pedaço dos se ios e o contorno da silhueta, voltou sentar calado, começou desenhar sério, a olhando quase que imóvel bastante tempo, percebeu o quanto ela parecia distante, ao acabar foi fechando a pasta, escondendo o desenho
— Pronto. Agora vamos comer!
— Você está começando a me assustar.
Ela se sentou, puxando o lençol para se esconder
— Nada mais me assusta ou surpreende.
— Quero ir embora, ver meu irmão, ele deve estar preocupado.
Pegou o vestido do chão, colocou, ele foi saindo indiferente
— Não está. Seu pai inventou alguma coisa, sobre o seu sumiço.
Ela foi saindo atrás, o seguiu até a sala de jantar, a mesa estava arrumada, ele começou se servir, disse que tinha dispensado a empregada, esquentaram os pratos no micro-ondas, sentaram em silêncio.
Enquanto comia sem muita vontade, Domênica encarava o prato fixamente, cabisbaixa, ele terminou primeiro, perguntou se ela queria, falar com o irmão, foi pegar o celular dela, sentaram na sala, ele ficou olhando o que ela estava fazendo, viu mensagens do irmão chegando, perguntou curioso
— Você não tem amigos? Namorado?
Ela disse que não, ele se levantou
— Sabe jogar xadrez?
Ela disse que não, gravou um áudio para o irmão, dizendo que estava viajando com uma amiga, Domênico era criança ainda, nem deu muita atenção ao sumiço na verdade.
Ragnar disse que ia levá-la conhecer a sala de jogos, foi andando na frente o tempo todo, saíram no quintal, a sala ficava um pouco longe, ele já estava incomodado com tanto silêncio, perguntou curioso
— Quero saber mais, sobre você.
— Tempo é o que não vai faltar.
– O que quis dizer, ao falar que está mo rta?