Carolina desceu as escadas ao lado da mãe.
Estava querendo se esconder atrás dela. Tremeu ao olhar para seu pai pela primeira vez.
Carolina perdeu visão de pai que tinha dele. Pra ela, agora ele era somente um homem malvado que batia em sua mãe.
— Senhor Hernandes, essa é minha filha. Carolina. Minha esposa o senhor já deve conhecer a Vitória.
— olá, muito prazer senhora, senhorita.
O senhor Hernandes cumprimentou. Carolina sentiu um arrepio r**m ao ouvir a voz do homem. Era um homem alto, barrigudo, com uma barba grande branca e um cabelo branco. Ele tinha um olhar de dar arrepio. Carolina pensou que ele devia ser r**m igual seu pai. Carolina estava desconfiada de todos os homens.
— olá senhor.
Carolina cumprimentou com uma leve referência como sua mae havia pedido.
— vamos nos acomodar na sala? Irei preparar uma bebida pra os senhores.
Vitória falou guiando-os até os sofás disponíveis ali. Mesmo machucada, Vitória não baixava a cabeça e tentava agir normalmente. Por sua vida. E pela vida de sua filha.
Logo após, entrou um rapaz, devia ter seus 15/16 anos.
Estava usando um terno e uma gravata. Cabelo bem penteado para trás. Um olhar de quem queria estar em qualquer lugar menos ali. Carolina pensou que esse devia ser seu noivo. Até ficou mais tranquila por não ser o velho seu noivo. Ele tinha idade pra ser seu avô.
O rapaz mais jovem era bonito. Tinha olhos claros, e cabelos escuros. Carolina não costumava olhar pra muitos rapazes na escola. Ela ainda gostava de brincar de boneca, e nos intervalos ela ficava na sala a pedido de sua mãe.
— olá, desculpa a demora. Bom-dia senhor Sebastião. Bom dia pai.
— achei que teria que te buscar.
— alguns imprevistos. Mas já resolvi.
Rafael não direcionou o olhar pra Carolina e nem pra Vitória. Sentou ao lado de seu pai.
Vitória logo trouxe uma xícara de café pra cada um. Menos para Carolina.
— Carolina minha filha. Me ajude a arrumar a mesa por favor.
— sim mamãe. Com licença.
Carolina pediu licença para levantar e novamente fez uma pequena referência pra os homens.
Eles ficaram ali discutindo algumas coisas.
Enquanto Carolina e a mãe arrumavam a mesa para um café.
Rafael ficou pensando que seu pai era louco em querer que ele se casasse com uma menina tão nova. Mesmo eles se casando somente quando ele completasse 18 anos, ela ainda teria 14 anos. Era uma criança.
Tentaria achar um jeito de casar quando ela tivesse 18. Mas ainda não sabia como.
Rafael nem conseguia olhar pra ela como uma mulher.
Mas ficou pensando o que ela é a mãe não sofrem com Sebastião. Vitória estava toda machucada, que nem maquiagem conseguiu cobrir ou pelo menos disfarçar alguns machucados.
Rafael viu seu pai bater em sua mãe todos os dias. Hernandes queria que o filho aprendesse como se lidava com mulheres, cresceu ouvindo seu pai dizer que mulher só tinha sido feita para parir herdeiros. Limpar a casa, e fazer comida.
Rafael não concordava. Perdeu as contas de quantas surras levou tentando defender sua mãe.
Com a morte dela, percebeu que nada que tivesse feito, teria mudado alguma coisa. Talvez se não tivesse tentado salvar ela. Mas nem ele tinha como ir contra seu pai. Seu pai ainda tinha muita força e era novo.
Mas rafael se recusava a tratar m*l uma mulher. Ainda mais uma que seria sua esposa.
Rafael começou a treinar com 10 anos. Começou tarde porque seu pai teve alguns problemas com alguns inimigos. E deixou Rafael escondido.
Quando conseguiu resolver os problemas, começou a treinar rafael. Deixava ele preso em lugares deploráveis sem comer e sem água por dias. Ele tinha que tentar procurar por aí só. Era deixado garrafas com restos de água em lugares estratégicos para ele tentar achar para não morrer desidratado. Ele era jogado em ringues com rapazes mais velhos e mais forte para aprender a lutar e a se defender. Ali ele so era um alvo, não era o filho do chefe.
Seu pai lidava com pessoa da alta sociedade. Negociava armas, drogas. E as vezes. Mulheres.
A parte de armas e drogas Rafael não ligava. Mas vender mulheres pra ele era de mais.
Rafael nunca teve uma vida fácil, e notar o olhar apavorado na mesa enquanto olhava pra seu pai, e para Hernandes, fez algo dentro dele partir.
Rafael lembrou da vez que viu sua mãe sofrer um aborto depois de uma surra. Ela teve um aborto com quase 6 meses de gestação, não teve ajuda médica, foi rafael que ajudou. A sorte foi que Gabriela sua mãe era forte, e conseguiu fazer força e colocar o feto morto pra fora. Seria uma menina.
Por um momento Rafael sentiu alivio pela menina que não teve tempo de sofrer no mundo em que ela seria criada.
Ela seria vendida pelo primeiro que pagasse mais.
Após o café da manhã, os homens foram para o escritório.
— e então Rafael, gostou da sua noiva? Submissa o suficiente pra você
Foi Sebastião que perguntou, e ele teve vontade de cortar seu pescoço por falar de sua filha dessa forma. Se conteve e manteve sua expressão formal.
— sim. Está ótimo pra mim. Será uma ótima esposa.
— acredito que sim. Consegui educar bem a mãe dela. Ela fez um bom trabalho com Carolina.
— some Sebastiao, eu e meu filho podemos ver que são duas joias.
Hernandes falou.
— Sabe hernandez, minha esposa ainda e nova. Tem 27 anos. Soube que ficou viúvo. Se tiver interesse em algumas horas com ela, podemos negociar.
Quando Sebastião terminou de falar deu um sorriso.
Cada vez que ele falava algo a vontade de m***r ele aumentava em Rafael.
— uma ótima proposta. Vou pensar bem. Quando melhorar os hematomas dela me avise. Deixe ela se recuperar a marcamos uma festinha com ela.
Foi a resposta de Hernandez.
Rafael ficava com mais raiva ainda de seu pai. Tentava pensar que logo isso acabaria. Precisava de mais 3 anos até poder ficar um tempo longe de seu pai.
Até completar 18 anos ele ainda precisava seguir seu pai pra “aprender” a lidar com os negócios da família e conhecer os clientes e fornecedores.
O treinamento físico já havia terminado agora era o treinamento social.