Novo encontro

1331 Words
O período em que trabalhou no hospital foi tranquilo, a sua equipe médica ĵá atuava sozinha e nenhum dos casos necessitou reunir uma junta para análise e definições. Gabriel saiu para almoçar com a jovem equipe dele, naquele dia ele pagaria o almoço de todos como costumava fazer pelo menos uma vez no mês, assim que a escala foi trocada e todos estavam sem os jalecos, foram para o restaurante japonês. _ Você são todos safados, escolhem o restaurante mais caro no dia que eu pago, né? Já percebi tudo ... Todos riram, estavam em onze pessoas, era muita bagunça, palavrões, brincadeiras e Gabriel adorava. Ele se sentia especial e todos ali o respeitavam. Wagner um dos três residentes estava muito cansado, ele estudava e trabalhava e não era nada diferente dos outros colegas, mas tinha pego um plantão extendido e não via a hora de chegar em casa para dormir um pouco para ainda estudar para uma prova prática. Foi nesse contexto que surgiu o comentário da droga "doc", a droga teve esse apelido pois a área médica afirmava vir de um laboratório clandestino que visava lucrar com os médicos e residentes, mas ninguém imaginava que ela já era comercializada internacional. O composto era tão bem feito que não havia problemas de fiscalização, ela passaria tranquilamente dentro de um pote de multivitaminicos, e depois teriam apenas o trabalho de separar os comprimidos, ela não tinha cor ou cheiro, e quando testada, não apresentava a coloração azulada como a cocaína. _ Professor, não escuta o que eu vou falar, hein? Wagner, compra um pouco do Doc, assim você conseguirá fazer tudo o que precisa fazer e ainda ficará ligado para a prova. _ Pessoal, eu como professor e responsável chefe hospitalar de vocês, não poderia deixar de me preocupar, droga é sempre droga e alguma reação ela deve ter. Vocês todos são novos, tem um futuro brilhante pela frente e não seria bom se envolverem com isso ... Dentro dos hospitais a droga Doc era facilmente comercializada anonimamente, qualquer um conseguia comprar e foi assim que ela ganhou fama, era a forma de médicos e residentes suportarem por horas de trabalho. Gabriel sabia que o material utilizado nunca era cem porcento orgânico, havia composto sintético, além disso, todo o metabolismo estaria acelerado, consequentemente o coração viraria uma bomba relógio mas ele não era pai e mãe de ninguém e já tinha dado o seu recado. Depois do almoço delicioso e superfaturado que pagou para a equipe, Gabriel estava feliz e satisfeito, ele sempre adorava estar entre pessoas novas e que o valorizavam, ele sentia-se mais confiante, e o ego crescia até a lua. O dia que começou lindo, estava ficando nublado, era sempre assim, período da manhã era ótimo, tinha pessoas para conversar, problemas para resolver, mas a tarde era ocioso, devia focar apenas na fabricação, logo terminaria o local que aconteceria a fabricação em massa do Doc, depois disso, ele deveria apenas acompanhar, mesmo assim, para segurança, faria o que Mr Y aconselhou, acompanharia a fabricação a distância. Seu carro estava estacionado na garagem do hospital, por isso estava voltando, quando ao longe pensou ter visto a feiticeira da boate. Seria possível? Ele passou a noite pensando nela, então seria natural achar que viu, mas se aproximou o máximo que podê. A viu saindo do mercado, e nem parou para arquitetar nada e já se aproximou pertundando: _ Quer ajuda? Zoe não se lembrou do homem, ela não o olhou na noite da boate, e achou ser apenas um homem educado, ou um dos homens de Enrique. _ Eu agradeço a atenção, mas pode deixar, eu esqueci de pegar algo, terei que retornar ... obrigada. Muito nervosa, ela retornou o sentido e voltou para o caminho do mercadinho, fazia um pouco mais de um mês que não se sentia preocupada dessa maneira, ela começou andando, mas em certo momento correu e Gabriel sem entender a seguiu. Dentro do mercadinho ela esperava que o homem não a seguisse, mas depois de alguns minutos o mesmo homem chegou e procurava por algo, Zoe teve a certeza de que aquele bem apresentado homem estava ali para leva-la de volta a Enrique. Um ataque de pânico começou a acomete-la, não sabia como agir ... grita por socorro não podia, se o marido fez boletim de ocorrência, a polícia também estava a sua procura. Ela ficou tão feliz de ouvir a voz angelical de Liza que não percebeu que Enrique poderia estar buscando a sua localização, agora ela estava assustada e muito preocupada, as palavras de Enriquem estavam em sua cabeça, ela não sabia se conseguiria viver dessa maneira. Gabriel seguiu a mulher até que chegou em um mercadinho e a perdeu de vista. Ele teve a sensação de que ela se assustou com algo, se ao menos soubesse o nome dela, poderia pedir ao amigo para investigar a vida e saber de onde vinha e o que pretendia trabalhando em uma boate, não parecia ser algo que combinava com ela. Com toda a situação, Zoe entrou em pânico e começou a lhe faltar ar, tudo ao seu redor parecia pequeno, apertado, ela suava frio e sua visão estava turva, em sua mente apenas via Liza ... O que seria de sua linda princesinha? Quem era a mulher que estava morando lá? Será que aquele homem que a estava seguindo, estava a mando de seu marido? E em meio a tantas pessoas, com todos os questionamentos sem respostas e o medo por sua vida e pela da querida filha, Zoe sentiu um aperto no peito, as sacolas de compras caíram no chão, chamando atenção de quem estava por perto, e ela não viu mais nada. Pessoas que faziam suas compras e curiosos que passavam por perto aglomeraram para ajudar a mulher caída no chão. O gerente do estabelecimento buscou pela ajuda do bombeiro de plantão e começaram a chamar por médicos. Gabriel ainda procurava pela mulher que escapou de seus olhos, e reparou em uma grande aglomeração na parte interna do mercado, e logo começou uma gritaria: _ Alguém chama um médico _ Ela morreu?!?! _ Meu Deus, ela estava fugindo de alguém? O caos tomou conta do local, e rapidamente Gabriel se aproximou para entender o que ocorria. Ele ficou espantado quando viu que a sua feiticeira estava no chão. _ Sou médico, por favor se afastem, ela precisa de espaço, enquanto isso, chamem uma ambulância, ela não pode ficar aqui. Segurando os pulsos da mulher, Gabriel confirmou que os batimentos estavam acelerados, e as pupilas dilatadas, mas tinha vida, precisava apenas entender o que aconteceu. Em alguns minutos uma ambulância chegou e Gabriel pediu que ela fosse encaminhada para o hospital em que ele trabalhava. No caminho, ele ficou com a bolsa da moça, assim, depois poderia verificar, deixou em sua sala . Durante a espera dos exames de sangue e imagens, o médico de plantão questionou a Gabriel quem seria o responsável financeiro pela moça do quarto 118, sem exitar, ele respondeu que arcaria com todos os gastos, e que não deveriam medir esforços para mante-la confortável. _ Vou para a minha sala, se ela acordar ou tiver alguma novidade, poderia me chamar por favor? Uma das enfermeiras que passava no momento, e que teve um curto relacionamento com Gabriel, disse: _ Nem é mais seu turno e decidiu ficar por uma mulher que encontrou caída no mercado ?!?! Aí tem coisa ... Para disfarçar a insatisfação de ter a sua vida supervisionada, ele saiu sem responder nada e seguiu para a sua sala, afinal, queria muito saber quem era a mulher e toda a sua história. Depois de verificar todos os documentos que estavam dentro da bolsa e saber que Zoe era o nome que faria a sua vida ficar de cabeça pro ar, ligaria para o amigo poder iniciar a investigação sobre a sua feiticeira, algo dizia que uma moça tão requintada, não estaria trabalhando em uma boate a toa.
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