As irmãs Boaventura resolveram aguardar, sem demonstrar muito interesse no recente visitante. Em contrapartida, todas as outras pessoas que chegavam ao local faziam o contrário. Darcy mais parecia uma atração de circo, todos o olhavam com curiosidade e entusiasmo, enquanto ele sentia-se extremamente constrangido com toda aquela atenção. No entanto, apesar do embaraço, Darcy tentava manter um diálogo agradável com o prefeito, porém, sem muito sucesso. Seus olhos frequentemente vagavam em direção à Elizabeth como se tivessem v*****e própria. Ele a espiava discretamente.
Afinal, ela estava incrivelmente diferente naquele dia, Darcy já tinha considerado achá-la bonita anteriormente, mas ali, usando um vestido preto, com os cabelos soltos e banhada pela luz da Lua. Ele se flagrou em maus lençóis, estava tentado a admirá-la, mesmo sem entender bem o que tanto lhe chamara a atenção naquela garota que praticamente cheirava a leite. Aparentemente, ela era quase um bebê comparada à sua noiva, terminantemente um furacão no quesito beleza e impetuosidade. Outro ponto que as diferia, era que dificilmente Melania passava batido em qualquer lugar que fosse, sempre atraia os olhares de todos ao redor, por onde quer que passasse. Darcy gostava disso, mulheres seguras de si sempre lhe chamaram a atenção, para ele, essa audácia na personalidade era quase um afrodisíaco natural.
Elizabeth, por sua vez, parecia apreciar e muito o fato de ser discreta, tendo isso em mente, ele não conseguia entender porque àquela garota que acabara de conhecer havia lhe instigado de tal forma. Com toda a certeza, ela ia completamente na contramão do padrão de mulher que costumava atraí-lo depois de adulto. Lizzie era muito bonita. Só que, hoje em dia, ele já não perdia a cabeça por esse perfil angelical. Contudo, se fosse mais novo, essa mesma garota poderia levá-lo a perdição, sem sombra de dúvidas. Pensou.
Sua noiva, contudo, fazia mais o estilo estonteante, também existia outro detalhe importante. Darcy não era um cafajeste atrás de outras mulheres, nem costumava fazer qualquer comparação com Melania. Pelo contrário, sempre a respeitou e quase nunca reparava em outros rostos com tanto interesse. Já que ela ocupava-lhe todo o tempo disponível e consumia boa parte da sua energia também. Afinal, ele trabalhava muito, mesmo ainda sendo bem jovem e, por todos esses motivos, Darcy entendia que não precisava de mais ninguém. Sentia-se satisfeito e considerava-se feliz em seu relacionamento, devido a tudo isso, não havia necessidade alguma de querer outra mulher.
Entretanto, contrariando a sua razão e até o seu bom senso, Darcy permanecia olhando para àquela mulher com jeitinho de menina. Cujo nome representava o verdadeiro amor do personagem que inspirou o seu próprio. Darcy queria que ela ao menos retribuísse o olhar, nem que fosse por alguns segundos apenas. Ele só queria ver aqueles olhos intensos mais uma vez, mesmo que fosse de longe. Constatando que isso não ocorreria, pois, Elizabeth estava entretida em uma conversa com a irmã e algumas outras pessoas. Finalmente deu ouvidos a voz da sua consciência, gritando incessantemente para que parasse por ali, entendeu que aquele jogo — apesar de tentador e aparentemente sem maldade —, era também perigoso.
Pediu licença a sua companhia e afastou-se da garota que chamara sua atenção de forma tão improvável. Assim como Darcy do livro se encantara pelo olhar da Bennet; ele sentiu-se atraído como abelha no mel pelos olhos cor de avelã da Boaventura, que agora jaziam a poucos metros de si. Tinha de saber onde estava seu amigo e sua noiva, antes que cometesse uma loucura digna de arrependimento depois.
Pressupondo que os dois estariam chegando a qualquer momento, Darcy suspirou de alívio, percebendo a enrascada que poderia se meter caso desse vasão aos seus instintos momentâneos. Elizabeth parecia ser uma moça séria e de família, de forma alguma ele brincaria com os sentimentos de alguém tão levianamente, muito menos de uma garota inocente. E, apesar de Melania ser madura e forte, tinha noção de que ela o amava muito, ele jamais faria algo para magoá-la.
Darcy respirou fundo e afrouxou a gravata, sentindo-se subitamente sufocado e, por fim, resolveu tirá-la, não precisaria dela ali. Ninguém se vestia tão formalmente além dele naquele ambiente. Sendo assim, achou que abrindo os primeiros botões da camisa, melhoraria o ardor que o acometeu subitamente. Sem perceber que aquele calor que o afligia, não era relacionado ao clima do ambiente em questão, muito menos físico. Pelo contrário, aquela sensação de calidez era advinda da alma e do coração.
— Onde vocês estão? - Questionou ele, sem entender o porquê de tanta demora.
— Melania acha que está indo a um desfile de moda, já faz duas horas que estou esperando por ela. - Gustavo retrucou do outro lado da linha.
Estava realmente cansado de aguardar a prima se arrumar, por ele já estaria na praça junto do amigo.
— Passa o celular para ela, por favor. - Pediu suplicante.
— Amor? - Ouviu a voz da noiva cheia de dengo.
— Querida, não há necessidade de ficar tão linda, todos aqui são muito simples. Pode vir sem medo, independente da roupa que estiver usando, você será a mais bela da noite. - Afirmou tentando convencê-la a aparecer logo.
Melania com certeza afastaria aqueles pensamentos malucos que o assolaram há poucos minutos.
Enquanto isso, Lizzie fazia um esforço tremendo para não segui-lo com o olhar, ela não queria deixar transparecer nenhum tipo de interesse no recém chegado. Tinha consciência do seu lugar e, principalmente, da aliança reluzente em seu dedo. Apesar disso, era um grande sacrifício manter os olhos longe, Lizzie queria muito observá-lo melhor. Entretanto, sabia como as pessoas dali eram extremamente fofoqueiras. Desse modo, para não levantar nenhuma suspeita ou algum possível boato, permaneceu resoluta, mesmo com todas as especulações em torno de seus nomes. Afinal, muitos já comentavam a incrível coincidência de terem Darcy e Elizabeth tão próximos a eles nos dias atuais.