Capítulo 5

895 Words
Melinda A madrugada havia caído com o peso de um sonho maldito. O silêncio do quarto era denso, esmagador. Eu não conseguia mais distinguir o que era real e o que era apenas o reflexo de minha mente caótica. O relógio marcava 3 da manhã, mas o tempo parecia ter se estagnado, parado, como se todos os segundos fossem apenas um eco de algo que eu não podia escapar. Eu não havia dormido desde a última visita de Damom. O medo e a inquietação me consumiam, e, por mais que eu tentasse, não conseguia deixar de pensar nele. Ele estava em todos os meus pensamentos, em cada canto da minha mente. Ele não me deixava. Sua presença ainda estava em cada respiração que eu tomava, nos ecos de sua voz em meus ouvidos. Eu tentei me levantar da cama, mas o peso da minha própria existência parecia me puxar de volta. Meus movimentos estavam pesados, como se o ar tivesse se tornado mais espesso, como se meu corpo estivesse sendo impedido de agir. Eu estava começando a entender que não havia mais um caminho de volta. Damom me havia capturado, não fisicamente, mas algo mais profundo. Ele havia plantado algo dentro de mim, uma semente que começava a germinar, algo que eu não queria ver crescer. O som da porta se abrindo me fez congelar. Não precisei olhar para saber quem estava ali. O cheiro dele invadiu o quarto antes que ele entrasse, um cheiro inconfundível, forte e de alguma forma reconfortante, mesmo que eu soubesse que aquilo significava mais dor do que alívio. Damom entrou com passos suaves, mas rápidos, como se soubesse exatamente o que queria. Ele não precisava dizer uma palavra. A forma como ele se movia, a confiança que exalava de cada gesto, me dizia tudo o que eu precisava saber. Ele não era apenas o homem que me dominava. Ele era o próprio controle, o próprio destino. Eu estava nas mãos dele de uma maneira que eu não conseguia descrever. E isso me apavorava. — Você não precisa fingir, Melinda. — A voz dele soou firme, cortante. — Eu sei o que você sente. Eu olhei para ele, tentando não mostrar o quanto suas palavras me abalavam. Mas era impossível esconder. Ele estava certo. Eu sentia algo por ele, algo que eu não queria, algo que me fazia me sentir fraca, suja. Ele havia me deixado sem defesa, e eu não sabia como lidar com isso. — O que você quer de mim, Damom? — Perguntei, minha voz mais baixa do que eu gostaria. Não era só o medo que fazia minha voz vacilar. Era o fato de que ele sabia o quanto eu estava frágil, o quanto ele tinha me quebrado. Eu não podia mais mentir para mim mesma. Ele se aproximou, seus olhos fixos nos meus, como se estivesse decidindo algo. Eu sabia que, a qualquer momento, ele poderia me devorar com aquele olhar, quebrar o que restava de mim. — Eu quero que você aceite o que é, Melinda. — Ele falou com calma, como se estivesse falando de algo trivial, mas havia uma intensidade em sua voz que me fez tremer. — Quero que você pare de lutar contra isso, contra mim. Você já sabe o que sou, o que posso fazer. E, no fundo, você sabe que isso não tem mais volta. Eu tentei respirar fundo, tentando recuperar um pouco de controle, mas era como se o ar fosse denso demais, pesado demais. Cada palavra dele era como uma corrente puxando-me mais para dentro da escuridão, e eu não sabia mais como me libertar. O desejo e o medo se entrelaçavam dentro de mim, como se fossem duas faces de uma mesma moeda. Damom se agachou diante de mim, ficando na minha altura. Seus olhos nunca deixaram os meus, como se ele estivesse aguardando alguma reação, esperando que eu falasse ou fizesse algo. Mas o que eu poderia fazer? Eu estava completamente sem forças. — Você não pode mais fugir, Melinda. — Ele disse, sua voz agora mais suave, quase como se estivesse me consolando. — Não de mim. Não do que somos. Você já me pertence. Aceite isso, e as coisas ficarão mais fáceis para você. Para nós dois. Eu não sabia como responder. Suas palavras se enredavam em minha mente, me confundiam, me destruíam por dentro. Eu queria odiá-lo, queria fugir, mas tudo o que ele dizia parecia fazer sentido de uma maneira estranha. Ele me tinha, de alguma forma, já me tinha, e eu não sabia como sair disso. Damom levantou-se e se afastou um pouco, observando-me como se estivesse avaliando cada pensamento, cada reação minha. Ele sabia que eu estava perdida, que eu estava à mercê dele. E, de alguma forma, ele gostava disso. Eu poderia tentar lutar, mas eu sabia que ele tinha o controle. Eu estava presa, não por correntes, mas por algo mais forte, algo que eu não conseguia escapar. Ele me olhou uma última vez, como se quisesse gravar sua imagem em minha mente. — Durma, Melinda. Amanhã será um dia importante. — Ele se virou para sair, deixando-me sozinha novamente. Mas, naquela solidão, algo dentro de mim se quebrou ainda mais. Eu estava começando a entender o jogo de Damom, e o pior era que, apesar de tudo, eu não sabia mais se queria sair dele.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD