Reconciliação

1866 Words
—Por que não me falou que passou a tarde com meu pai? —ele pergunta logo de cara. —Porque achei que você confiaria em mim quando eu disse que não estava com o Marcelo, mas pelo visto precisava de provas. —respondo olhando em seus olhos azuis, que não desvia o olhar. —Eu dei mole, mas se tivesse falado com quem estava, eu acreditaria em você. —ele fala e esse papo está me deixando com mais raiva. —Com certeza acreditaria! Não tenho duvidas disso. Seu pai seria uma ótima prova, fora isso daqui. Falo pegando meu celular e entrego a ele quando coloco na galeria mostrando as fotos que eu tirei em meu celular. —Com certeza se tivesse mostrado poderíamos evitar essa confusão. —diz surpreso que eu não tenha mostrado para a minha defesa, enquanto desliza o dedo pela tela do aparelho. —É aí que mora todo o X da questão. Eu queria que acreditasse em mim, na minha palavra e não nas provas que eu tenho. Sempre agi com base na verdade para que numa hora como essa, as pessoas acreditassem em mim, mas não foi isso o que aconteceu. —falo já não conseguindo segurar o choro. Ele fica um tempo olhando para mim, mas não fala nada. Parece querer se desculpar, mas não diz nada. — Me faz um favor? Vai embora! — peço chorando e ele franzi a testa confuso. —Eu amo você! —ele diz parecendo aflito, mas não quer falar. —Eu sei! Eu também amo você! —falo chorando ainda mais. —Estou magoada! Você fez a única coisa que eu não permito que façam comigo. Você não confiou em mim. —falo e abaixo a cabeça com as lágrimas caindo. —Estou arrependido! —declara após respirar fundo. —Eu sei! Eu disse que você ia se arrepender, mas você não acreditou em mim, preferiu desconfiar do meu caráter. Ele se levanta me olhando, com a respiração também descompassada e vai para o elevador, com as portas se fechando enquanto me olha. Deito no sofá e choro de soluçar abraçada ao Max. Vou para o meu quarto, com meu amigo do lado, deitando na cama e simplesmente choro. Está difícil esquecer que ele acreditou em outra pessoa e não em mim. O Marcelo tem se mostrado um louco e o Victório ainda prefere acreditar nele? Não consigo entender! Preciso lutar contra esse sentimento, instalado em meu coração, mas não sei como. Esse conflito interno em que estou vivendo está me consumindo. Eu o amo demais e o quero aqui, mas essa magoa que estou sentindo está falando mais alto. Passo o dia deitada em minha cama, apenas me levantando para ir ao banheiro. Nem mesmo comida tem me feito despertar, só quero ficar quietinha na cama. Com o corpo dolorido de tanto ficar deitada, tomo um banho demorado e bem quente. Já são 7 da noite e quem sabe assim me sinto melhor, mas só consigo chorar pensando no Victório. O olhar que ele me dá, seus sorrisos, não consigo apagar da memória. Seus carinhos ou até mesmo, o simples fato dele cheirar meus cabelos antes de dormirmos, me fazem querê-lo aqui agarradinho comigo. —Visto uma cueca feminina e deito de bruços para tentar dormir. Ouço as portas do elevador se abrirem e imagino serem meus pais preocupados comigo. Me levanto da cama, com a intenção de ir na sala recebê-los, mas a porta do meu quarto se abre, revelando ser o Victório. —Eu quero falar, você pode me ouvir? — indaga baixinho, se aproximando de mim e eu concordo com a cabeça. —Muitas vezes fazemos ou dizemos coisas que dói nas pessoas que amamos, mas eu não fiz de propósito. Me perdoe ter te magoado! Você é uma das pessoas mais sinceras que já conheci e acabei ficando cego com a possibilidade de estar com outro e não eu. Eu errei e sei que vou errar muitas vezes, mas esse erro eu não cometerei nunca mais. Me perdoa? Ele fala parado em minha frente e posso ver que seus olhos azuis estão avermelhados. Ele também chorou! Dou um passo até ele, aproximando nossos corpos e o abraço chorando. Seus braços me apertam e me perco sentindo seu perfume. Essa sensação é indescritível! Me sinto em paz dentro desse amor e talvez só precisasse desse tempo para que tudo voltasse ao normal, ou quase. —Me desculpa demorar tanto para perdoar, mas não podia perdoa-lo de mentira. —falo sem querer soltá-lo, com meu rosto em seu pescoço, mas sou afastada dele. Sou erguida em seus braços e 'colocada' na cama e vários beijos são distribuídos em meu rosto e corpo. Aliso suas costas largas, tirando sua blusa e ele termina de tirar o resto, tudo com muita sede. A camisola que cobria meu corpo também é retirada e sua mão passeia por minha pele como se brasas se escondessem entre seus dedos. —Senti sua falta! — diz cheirando meus cabelos para se acalmar e meu coração é aquecido. Sinto sua respiração acelerada e beijos são dados em meu pescoço. Sua boca encosta na minha, começando um beijo saudoso, com línguas se amando. Tendo essas quatro paredes como testemunhas, iniciamos o nosso amor. Ele, enfia sua grandeza dentro de mim, enquanto me beija, me fazendo sentir que sou amada. Erros irão acontecer, mas o perdão também, pois o amor é maior que tudo nessa vida. —Me senti perdido sem você.— confessa após fazermos amor. —Eu tenho uma boa noção da dor que sentiu. —falo deitado no peito dele, com os olhos fechados. — Isso o que aconteceu, serviu para nos fortalecer. Me fez ver que o amor é frágil e temos que cuidar dele. Certas coisas podem m***r o amor, como o que acabamos de passar. Não podemos descuidar do nosso amor. Falo sentindo minhas lágrimas caírem e molhando seu peito. Não querendo viver nunca mais o que passamos. —Concordo! —ele fala levantando meu rosto e limpa as lágrimas. Seu perfume entrando em minhas narinas, o sabor do seu beijo como a melhor sobremesa e seu cafuné em meu cabelos, tudo isso é realização de amar e ser amada. Dormimos agarradinhos e ainda não inventaram nada melhor que isso, apesar que a pizza tem seu valor, mas dormir agarradinha com ele é uma delicia. *** Acordamos com o despertador do celular tocando e fomos para a cozinha fazer nosso café. Resolvendo fazer tapioca com recheio de queijo e requeijão, pego tudo o que preciso e coloco em cima da bancada. —Ainda está de pé o lance de acampar? — questiona olhando em seu notebook. —Está sim, você tem barraca? —Tenho sim e está sempre armada pra você. —brinca sendo clichê, me oferecendo uma piscadela e eu rio alto. Depois que coloco nosso café da manha nos pratos, me sento com o suco de caixinha sendo servida por ele e começamos a comer. Conversamos sobre sábado, já que vamos acampar e subir uma pequena montanha. —Preciso ir no shopping comprar umas coisas. —informo lembrando que por não ter o costume de acampar, preciso de algumas coisas. —Vou com você. —ele fala e resolvemos ir hoje de noite, após o nosso expediente. Fomos para o trabalho no carro dele, já que vamos ao shopping depois e quando entro na sala do meu pai, conto aos dois sobre a reconciliação. —Fico muito feliz! Ele é um homem que te ama e cuida de você. —meu pai fala e minha mãe concorda sorridente. —Nós vamos acampar no sábado e só voltamos no domingo a noite. Aviso a eles, que discordam dizendo frases como: "vocês são loucos em ficar expostos aos bichos na floresta" e "se você morrer não vem pedir ajuda depois". —Vou para a obra ver o que fizeram, já que não fui ontem. —falo com resquícios da gargalhada que acabei de dar na boca e me despeço dos dois com beijos. Chego na obra e já começo a trabalhar com os homens após calçar meu tênis que sempre deixo no trailer. Algum tempo depois, já quase na hora do almoço, vejo os homens trabalhando e Felipe, o encarregado, gritando com eles. Ele chama os funcionários de burros empacados, dementes, e meu sangue ferve. Desde quando voltei para a empresa que o Felipe vem me desafiando com alfinetadas. Por ser um excelente mestre de obras, segui minha intuição e passei por cima, mas ve-lo destratar as pessoas assim não tem como fazer o mesmo. —O que é isso? —questiono falando mais alto que o normal, o pegando de surpresa, mas ninguém fala nada. —Há quanto tempo ele fala assim com vocês? —Pergunto e o ultimo contratado, um rapaz novo, me olha querendo falar. —Há quanto tempo eu não sei, mas desde que eu vim trabalhar nessa obra, eu vejo isso. —o homem fala se impondo para o Felipe, que falta "voar" em seu pescoço. —Senhores, peço desculpa em nome do Felipe. Prometo a vocês que isso não irá se repetir. Venha comigo Felipe. —falo com a raiva no nível máximo, indo até o trailer improvisado, reservado para reuniões. —O que pensa que está fazendo? Tratar as pessoas como animais não vai funcionar. —Desculpa, senhorita Hanna, mas falar manso com eles também não vai. Algumas pessoas não tem capacidade para lidar com isso aqui. —Felipe fala olhando em meus olhos, como se me desafiasse. —Isso é um recado para mim? —pergunto sabendo que é. —Se a carapuça servir. Nem homem pra dizer o que pensa ele é. — Diferente de você, eu olho nos olhos e digo o que penso. Você está demitido! — comunico decidida. —Estou sendo demitido? — pergunta surpreso, como se não houvesse outro a substitui-lo. —Ao contrário de você, eu sou mulher suficiente para falar o que penso e assumir as consequências. Sim! Você está demitido. —falo e o vejo com fogo em seus olhos. Abro a porta do trailer e o mando ir embora, com varias pessoas olhando, mas o mesmo está com "sangue nos olhos" de raiva. Decido sair do trailer, ja que o mesmo não quer fazer e caminho em direção aos rapazes que nos aguardam fora do trailer para novas ordens, mas o ouço atras de mim. —VOCÊ É UMA p**a! —esbraveja aos gritos, como se isso, partindo dele, surtisse efeito. —Cuidado que a p**a aqui é inteligente o suficiente para te processar. —aviso sorrindo, com meu lado debochada reinando em mim e ele fica ainda mais puto. — Você estava chamando os funcionários de burros e dementes, mas na verdade, quem foi o burro aqui? —não abaixando a cabeça pra ninguém, falo atrevida e sua reação é explosiva. Ele vem com tudo pra cima de mim, disposto a me bater e quando levanta a mão disposto a me dar um soco na cara, ela é segurada por alguém que fica na minha frente. ***** ***** Adoooro e vocês? Beijks!
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD