Passo por ele pela porta e sinto um arrepio ao sentir o calor emanando do seu corpo, mas finjo que nada aconteceu.
Calados, caminhamos lado a lado, rumo ao estacionamento e o constrangimento é visível. Ao chegarmos próximo aos carros, ele aciona o alarme do seu carro e uma Lamborghini preta "responde ao chamado" e agora é que eu fico sem graça, já que corro o risco de sujar seu carro.
—Obrigada! —agradeço após sua gentileza de abrir a porta do carro para mim, ja pensando no quão raro é esse cavalheirismo.
Após eu sentar em seu confortável, macio e CLARO banco do passageiro, ele fecha a porta e dá a volta no carro numa sensualidade natural que me encanta ainda mais.
—Onde você mora?
Pergunta após ligar o carro e mexendo no som do carro, escolhe uma música gostosa para ouvirmos. Dou a ele o meu endereço, que é do outro lado da cidade e me olha parecendo surpreso.
—Você insistiu para me levar em casa sem saber onde eu moro. -falo e não consigo me segurar explodindo numa risada alta, já que moro longe pra c*****o.
—Verdade! Dei mole! Era pra saber onde você mora antes de oferecer carona.
—confessa rindo junto comigo e sua risada é apaixonante. Uma delicia de ouvir!
—Me fala um pouco de você. Afinal, temos tempo de sobra, né?! —ele fala me oferendo um lindo sorriso e eu concordo.
—Eu estou morando com meus pais, apesar de ter meu apartamento. -falo com pesar.
—E por que não mora sozinha? O que aconteceu? -questiona curioso.
—Se não tiver problema em responder. Claro! - complementa.
—Sem problema! Há um mês, ao sair do shopping, vi o marido da minha chefe com outra e sem querer contei pra ela. Como sempre acontece, ela não acreditou e me demitiu. Meus pais pediram pra eu ficar com eles até eu arrumar um novo emprego.
— explico e o vejo com as sobrancelhas enrugadas em confusão.
—Sinto muito, mas porque contou para sua chefe sobre o marido? Ela era sua amiga?
— pergunta tentando entender algo que sempre somos aconselhados a não nos metermos.
—O pior é que não somos amigas. Quando vi a traição estava no celular com minha mãe e assim que entrei no prédio, acabei contando pra ela, ja que fiquei surpresa com o ato do chefe certinho, mas não sabia que a esposa estava próxima a mim. Acabei me foden.... Me dando m*l, quero dizer.
—falo corrigindo o final e ele ri.
—Devia existir uma lei divina que nos impeça de dar esse mole.
Sugere brincalhão e minha risada é ouvida em todo o carro.
—E o seu namorado? Ele não pode te ajudar?
—ele faz aquele famoso truque pra saber se sou comprometida, me fazendo lembrar do Marcelo.
—Nós terminamos a alguns meses.
—respondo sem entrar em detalhes, olhando pela janela, buscando a vista do lado de fora do carro.
—Hm! Ficaram juntos por muito tempo?
—Por quatro anos. -respondo mais uma vez e agora olhando pra ele.
Suas mãos estão pousadas no volante, mas vez ou outra uma delas se encontra com o cambio de marchas, roçando de leve a lateral da minha perna. Observo atenta cada movimento vendo que tudo nele exala masculinidade.
—E porque se separaram? —sua curiosidade atinge o nível máximo e eu sorrio.
—Desculpa! —recua percebendo sua abelhudice.
—Tudo bem. Ele tinha ciúmes descontrolado. Ciúmes é normal e até gostava, mas o dele era diferente. Por mais que eu sempre avisava que isso era prejudicial para o nosso namoro, ele não conseguia se conter e inevitavelmente, aos poucos seus ciúmes foram maior que tudo e eu não aguentei. -falo e ele me olha, aproveitando a parada no semáforo.
—Sente falta dele? — indaga, me fazendo falar de assuntos que eu não costumo me abrir.
—No começo foi difícil, mas bastou dois meses separados, para eu perceber que já não o amava mais como no começo. Estamos a sete meses separados e me sinto ótima em relação a isso. Mesmo ele não tendo aceitado muito bem o término. -falo lembrando de como o Marcelo sempre insiste para reatarmos o namoro que afundou faz tempo.
—É f**a! —pronuncia ficando em silencio em seguida e eu concordo vendo ele voltar a dirigir.
—Mas me fala de você. Não tem medo de sair oferecendo carona às pessoas?
—pergunto sorrindo, tentando quebrar o clima pesado que ficou, jogando a "batata quente" nas mãos dele.
—Nunca fiz isso, é a primeira vez. -ele fala sorrindo e me olha de relance, me deixando interessada.
—E porque fez isso? -pergunto bem curiosa.
—Eu estava conversando com um sócio e vi quando você chegou molhada, com frio, suja e todos te olharam. Preciso confessar que observei suas atitudes. Você surpreendentemente não se preocupava com os julgamentos alheios. Achei isso interessante e comecei a te avaliar melhor.
—explica e realmente sou dessas que evita a opinião dos outros.
—E o que achou da avaliação? —indago ao pararmos no semáforo, o vendo sorrir discretamente com o meu atrevimento.
—Te achei linda, corajosa e gostosa pra c*****o!
Responde sério, enquanto me olha nos olhos, fazendo meu corpo responder ao estimulo. Sinto minhas mãos suarem e um frio na barriga me atingir, com minha respiração precisando ser controlada.
—Caramba, você é bem direto! —falo como um elogio e ele sorrir.
—Sempre faz isso? –ele pergunta e não entendo o que quis dizer.
—Isso o que?
—Não se importar com a opinião alheia. —explica me fazendo sorrir.
—Sim, sempre. Tenho alguns defeitos, mas esse não é um deles. –respondo sorrindo.
—E quais seriam os outros? – sonda e meu sorriso aumenta.
—Ah meu amor, se eu te contar, terei que te m***r. -respondo e nós dois rimos.
—E qualidades, pode contar? –continuando as investigações, com toda a sua curiosidade, ele questiona.
—Tenho algumas, assim como defeitos, mas a principal é que eu sou muito sincera. E isso que importa! –respondo taxativa.
—Concordo!
Um silencio se instala dentro do carro, junto com seu maravilhoso perfume e um leve aroma de cachorro molhado.
—É à direita e depois a primeira a esquerda. –indico quando já no meu bairro, jogando o silencio pela janela e ele concorda fazendo o que eu disse.
—Não repara a cor, mas é ali, naquela casa toda rosa. - falo sorrindo e ele rir gostosamente.
—Por que rosa? –ele pergunta ainda sorrindo.
—Eu poderia simplificar e dizer que meus pais são doidos varridos, mas como filha, vou dizer que eles tem um gosto peculiar. Estão a frente da sua geração. –respondo rindo, extremamente satisfeita com os pais que tenho.
—Boa resposta! — com sorriso nos lábios ele para o carro em frente a casa dos meus pais.
—Obrigada pela carona. Livrou-me de mais uma situação r**m.
—Foi um prazer! Aceita jantar comigo amanha? — pergunta olhando em meus olhos, como um gavião olha pra sua presa.
—Porque eu? –pergunto ainda meio zonza da pergunta.
—Porque...Você me intriga, seu jeito é fascinante. — responde e sua resposta me surpreende.
Apesar de me achar bonita, com meus cabelos longos, curvas no devido lugar e altura um pouco acima da media, no momento estou parecendo a peppa pig quando brinca na lama. Alem de que não deu tempo para que me conheça para fazer essas afirmações.
—Por quê? Sou uma pessoa normal.
—Normal? Sou rodeado de pessoas o dia todo e o que não vejo é pessoas sinceras, simpáticas e cativantes como você. Me deixa te conhecer melhor? — pergunta e penso a respeito.
E se ele for um doido? Se bem que se fosse, a essa hora eu já estaria em pedaços numa mala.
—Ok! Só pra avisar, não sou do tipo que faz charminho tapeando meus defeitos, vou ser eu e pronto. –respondo convicta.
Gostei dele e ele é lindo, mas depois do que passei, não quero me envolver com ninguém agora. Vou focar na minha carreira, pois tenho um sonho a realizar.
—Tudo bem! Me empresta seu celular.
Pede sorrindo, estendendo a mão para mim e entrego meu celular na mão dele. Seu celular toca e seu sorriso se expande ainda mais, mostrando que ligou do meu para o dele.
—Amanha venho te buscar as 19:30 horas. Tudo bem pra você?
—Você é sempre tão direto e objetivo assim? –indago sorrindo aprovando seu jeito.
—Sim, sempre! Não tenho muita paciência para drama. — responde e sorrio gostando disso.
—Mais uma vez obrigada pela carona e até amanha.
Aproximo meu corpo do seu para lhe dar um beijinho no rosto de despedida. Viro levemente seu rosto com a mão, para alcançar sua bochecha e ali, deixo um beijo um pouco mais demorado que o normal, mas quando estou me afastando, ele me surpreende virando e encostando sua boca na minha.
Suas mãos vão de encontro aos meus cabelos, adentrando para um melhor domínio e sua língua pede passagem, irresistivelmente eu cedo e um longo e maravilhoso beijo começa.
Habilmente sua língua contorna a minha, a chupando em seguida, fazendo minha calcinha sentir o melado sobre ela. O calor me invade, uma vontade de pular em seu colo se instala em meus pensamentos e minhas mãos passeiam pelo seu peito, descendo em seguida para a sua barriga.
—O que estamos fazendo? — nos questiono confusa, interrompendo o beijo, com a respiração acelerada.
—Você me deu seu beijo de despedida e eu te dei o meu. -fala acariciando meus lábios com os dedos, de um jeito único e carinhoso, com um sorriso discreto dando o ar da graça no canto da boca.
Ficamos nos encarando, onde seus olhos azuis avaliam os meus castanhos e posso notar que ele também está levemente ofegante. Seu olhar é intenso e aquece meu corpo, ele me faz desejar coisas que não tenho a muito tempo.
É melhor eu ir embora...
—Boa noite! –falo tentando manter a calma, sabendo que é impossível, abrindo a porta do carro e saindo.
—Até amanha, linda!