Eu estava usando jeans rasgados, colados demais a minha pele e um suéter cinco vezes maior que eu, assim que me viu, Jungkook disse que eu estava fofo e sorriu de um jeito bobo que me fez corar. Logo ele virou-se para seguir caminho e eu me apressei para junto dele.
— Jungkook. — reclamei com um tom mimado e rocei minha mão na sua.
Ele me olhou surpreso.
— Não vai segurar minha mão como sempre? — sugeri.
Ele ergueu a sobrancelha e riu.
— Como sempre ou como quando você era pirralho demais para sair por aí solto?
Fechei a cara e parei de andar, ele tinha mesmo que enfatizar que estamos em níveis diferentes? Ele suspirou e se dando por vencido, segurou minha mão e eu a apertei, com um sorriso incontrolável, nem que eu mordesse meu lábio tentando disfarçar daria certo. Era incrível como um segurar de mãos me deixava, a sensação quente e confortável que fazia a ponta dos meus dedos coçarem, como se cada célula entendesse sua presença e o que ela significava. Continuamos a andar, ele provavelmente ia me levar no parque que tinha por perto, era bonito e a gente costumava ir lá com frequência, fazer piquenique com nossas famílias.
— Você devia comprar um carro. — quebrei o silêncio depois de alguns passos,
— Eu sou um reles universitário, como acha que vou comprar um carro?
— Não sei, mas devia. — insisti, querendo prolongar a conversa nem que fosse com alguma implicância.
No fim das contas Jungkook era diferente dos outros, eu não me sentia tão seguro assim do meu charme quando se tratava dele.
— Claro, vou comprar um pro principezinho não colocar mais os pés reais no chão. — me mostrou a língua rindo.
— Pensando bem, você combina com uma moto.
— Seus pais iam surtar se te vissem na garupa de uma moto.
— Que pena, deve ser legal. — soltei sua mão e o agarrei por trás, cheirando suas costas e o fazendo estacionar. — A gente teria que andar assim.
Puta merda, eu estava no paraíso. Seu cheiro era delicioso e o seu corpo era maravilhoso, não que eu nunca tivesse visto enquanto ele usava apenas cueca em seu quarto, mas tocar era diferente, eu podia sentir as marcações do seu abdome rígido. Deslizei meus dedos por ele, maliciosamente e Jungkook logo me afastou.
— O que está fazendo?
— Te abraçando.
— Foi meio repentino, aconteceu algo com você hoje, Yoonie?
— Porque?
— Está meio estranho, acordou cedo, bateu a janela na minha cara, quer andar de mãos dadas e me agarrou de repente. -listou.
— Acha estranho? — ele confirmou. — Jungkook, será que você é meio burro ou só é c***l?
Me afastei aborrecido e andei sozinho na frente.
— Para onde vamos? — perguntei chateado, vendo que já estávamos quase chegando.
— Perto do lago. Yoonie, me espera.
Escutei seus passos de uma leve corrida me alcançarem e ele agarrou minha mão.
— Me solta, isso é estranho para você, né? — fiz birra.
— Fica quieto, seu castigo por me chamar de burro e c***l, pirralho mimado.
Fiquei calado e deixei minha mão frouxa na sua, mostrando que estava chateado e dessa vez eu não estava tão feliz assim, mesmo com ele segurando minha mão. Assim que chegamos perto do lago, Jungkook tirou a mochila das costas.
— Suas roupas estão aqui.
Peguei a mochila e fui para o banheiro próximo, entrei em uma cabine e tirei minhas roupas, vestindo as que Taehyung tinha escolhido. Pareciam roupas tradicionais com um toque mais moderno, eram bonitas e um pouco elegante. O tecido era gostoso ao toque. Vesti a camisa branca de dentro, que tinha detalhes dourados por toda ela, logo em seguida a calça, essa sendo completamente dourada e com uma faixa preta na cintura. O casaco grande com lapela grande e desenhos em tons de dourado, alcançava os meus joelhos e por final, tinha a jaqueta de mangas largas que não chegavam até meus cotovelos e era tão longa quanto o casaco por baixo, ambas ficavam abertas e deviam esvoaçar ao andar. Peguei sua mochila e fiquei com chapéu na mão. Tomei um susto quando vi Jungkook escorado na pia me esperando. Ele pegou a mochila da minha mão e me encarou de cima a baixo.
— Você fica muito bonito assim. — comentou. — Muito mesmo. — colocou a mochila nas costas e pegou o chapéu da minha mão, amarrado-o meu pescoço.
— Você me deu o maior susto.
— Banheiros de parques são perigosos, não ia te deixar se trocando sozinho aqui. — se explicou.
— Okay e sobre o que é esse trabalho exatamente? — abri meus braços, mostrando a roupa exagerada.
— O Taehyung é estudante de moda…
— Achei que ele fazia fotografia também.
— Pagamos algumas cadeiras juntos. Ele que desenhou e confeccionou essa roupa, ele precisa de algumas fotos desse modelo e eu fiquei encarregado.
— Então, isso é pra ele? — mostrei meu desagrado.
— Isso muda as coisas?
— Eu achei que fosse pra te ajudar, não ele.
— Ele me pediu que fizesse as fotos com você, ele disse que desenhou isso para você, se inspirou quando te viu, devia achar isso legal.
— N-não acho. — eu até achava, mas o meu orgulho falava mais alto e eu não ia admitir.
— Yoongi, está sendo infantil. Você ficou tão lindo, Taehyung tem talento, dá pra notar que foi feito para você, combina. — ele tocou meu rosto. — Realçou sua beleza e…
— E? — mordi meu lábio esperançoso e segurei sua mão em meu rosto.
— E você devia usar, então, o que diz? Eu até ia te levar pra comer espetinho de cordeiro depois. — se afastou, sorrindo.
— Eu acho bom essa sua conversa que universitário não tem dinheiro ser mentira, porque eu vou comer muito.
— Não abusa, garoto.
Fomos para fora e foi tudo muito rápido, eu posei na frente do lago e tirei algumas fotos junto a árvore, me troquei e agora era a parte que isso podia começar a parecer um encontro de verdade.